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Independente do contexto, o Liverpool não pode se apequenar na Champions

Apenas quem tem bastante dinheiro para desperdiçar apostaria vitória do Liverpool contra o Real Madrid, ou mesmo um empate. O clube espanhol está avassalador nas últimas semanas, jogaria em casa, contra uma equipe que ainda não se encontrou na temporada e que foi derrotada por 3 a 0 na Inglaterra. Diante disso, e às vésperas de  receber o Chelsea, no próximo sábado, Brendan Rodgers deixou seus principais jogadores no banco de reservas, escalou uma equipe praticamente reserva e perdeu por 1 a 0. Do ponto de vista pragmático, a tática faz sentido e o resultado final não foi ruim, mas o futebol é muito mais do que isso.

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Fosse na última rodada, com a classificação ou a eliminação assegurada, a estratégia seria completamente compreensível. Mas um resultado, um empate que seja, contra o Real Madrid poderia ser decisivo na busca por uma vaga nas oitavas de final. E além disso, foram justamente dos grandes confrontos, contra os gigantes da Europa, que o torcedor do Liverpool sentiu falta durante os anos em que esteve afastado da Champions League.

Um dos principais desafios de Rodgers ao assumir o Liverpool foi reconstruir, pouco a pouco, o orgulho do torcedor do clube, sem futebol europeu do mais alto nível para assistir em cinco anos e no meio de um jejum de 24 anos no campeonato nacional. Conseguiu grandes avanços nesse sentido na última temporada, classificado à Liga dos Campeões e vice da Premier League, mas esse processo sofre um abalo ao aceitar, de antemão, a (real) inferioridade em relação ao Madrid.

Foi isso que Rodgers fez. Ele afirmou antes da partida que escalou um “time forte” para enfrentar os espanhóis, com nove jogadores de seleção principal e mais dois sub-21. Mas não era a força máxima. Markovic e Emre Can têm 20 anos e são apostas para o futuro. Borini só não foi embora porque não aceitou proposta do Sunderland. Lucas Leiva é especulado para sair na próxima janela de transferências depois de apenas quatro partidas como titular neste segundo semestre de 2014. A escalação era bem parecida à utilizada na Copa da Liga Inglesa (cinco jogadores em comum), competição na qual os ingleses quase sempre usam equipes reservas ou bastante modificadas. Gerrard, Coutinho, Henderson, Sterling e Balotelli começaram no banco.

O resultado disso tudo foi um passeio do Real Madrid no primeiro tempo. O clube tinha a perfeita consciência de que tinha a faca e o queijo na mão e administrou a partida. Abriu o placar aos 27 minutos, com Benzema, depois de bombardear o goleiro Mignolet, o melhor jogador em campo, principal responsável pela vitória magra não ter sido uma goleada. Até os 11 minutos do segundo tempo, o Liverpool não havia dado um chute sequer ao gol. Conseguiu equilibrar a partir disso, mais porque o adversário tirou um pouco o pé. Ainda assim, criou apenas uma chance clara, em chute cruzado de Lallana. Nada além disso.

Rodgers merece muito crédito pelo que fez até agora na sua carreira no Liverpool. Trocou um elenco velho por jovens talentos de muito potencial, montou um time exuberante na temporada passada e quase foi campeão inglês. Parece que errou, porém, ao adotar uma estratégia pragmática demais em um esporte passional. Até porque, ao considerar que seu time principal perderia de qualquer jeito do Real Madrid, como motivá-lo nos próximos grandes jogos, o que inclui o Chelsea, no próximo final de semana, e eventuais confrontos eliminatórios da Champions League?

Descansada, a equipe pode fazer frente ao líder e vencer os últimos dois jogos da fase de grupos, embora esteja em situação difícil. Uma derrota por 1 a 0 para o Ludogorets, na Bulgária, praticamente sela a eliminação. Mas, independente de qualquer coisa, foi negada à torcida apaixonada dos Reds a esperança, por menor que fosse, de vencer o atual campeão europeu na casa dele. E sem esperança, o torcedor não é nada.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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