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Lampard no City é um choque para os torcedores do Chelsea, mas faz sentido

Depois da surpresa ter sido anunciada pela imprensa inglesa na sexta-feira, o técnico do Manchester City, Manuel Pellegrini, anunciou no último sábado a contratação por empréstimo de Lampard. Sem poder jogar por seu novo clube, o New York City FC, até março de 2015, o meia precisava de um lugar para se manter em forma até a estreia pelos nova-iorquinos, e, embora QPR e até mesmo o Melbourne City tenham aparecido como opções de estadia até lá, o ídolo do Chelsea preferiu defender a “matriz” do City Football Group a jogar na poderosa e competitiva Austrália ou no clube londrino que acabou de retornar para a elite inglesa. Embora seja um choque especialmente para os torcedores dos Blues, a transferência faz sentido e é benéfica tanto para o jogador quanto para o clube de Manchester.

A última vez em que Lampard entrou em campo para uma partida foi contra a Costa Rica, na Copa do Mundo, em jogo que já não valia mais nada para a seleção inglesa. Se para um jogador novo, de vinte e poucos anos, ficar sem atuar competitivamente por nove meses seria algo prejudicial, imagine para Lampard, de 36? Ele precisava de algum lugar em que seguisse atuando, mesmo que ocasionalmente, em certo nível de competitividade. A Premier League oferece isso, enquanto o City é uma opção bem mais tranquila para se trabalhar que o recém-promovido Queens Park Rangers. Em Manchester, o meia não terá pressão para entregar resultados, apenas a tranquilidade de que estará dividindo a responsabilidade com jogadores igualmente consagrados, no atual campeão da liga.

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Lampard não terá tempo de jogo garantido em Manchester. Pellegrini disse que ele “vai lutar por sua posição” e “será mais um jogador”. Ainda assim, o mais provável é que seu objetivo principal seja se manter em ritmo de jogo, o que exige apenas algumas partidas. Diferentemente de David Villa, que acertou o empréstimo para o Melbourne City, recentemente adquirido pelo City Football Group (dono do Manchester City e do New York City FC), Lampard recusou a possibilidade que lhe foi apresentada de jogar lá . Decisão completamente compreensível, visto que não há lá tanta diferença entre atuar no futebol australiano ou ficar apenas treinando em uma academia qualquer, no ponto de vista do preparo técnico quase nulo.

Além de positiva para o jogador, a transferência é ótima também para o Manchester City. Não que exista uma necessidade de se reforçar para o setor, mas, com Lampard, Manuel Pellegrini ganha como opção um atleta experiente, de ótima qualidade no passe e que pode agregar ao time estando em campo ou não. Mais que tudo isso, sob as regras restritas do Fair Play Financeiro, é ótimo para o time poder se reforçar gastando o mínimo possível, dependendo do tipo de acordo que seja feito. Considerando que tanto o time de Nova Iorque quanto o de Manchester têm o mesmo dono, certamente não será uma transferência que atrapalhe os planos do City nesse sentido.

No fundo, o negócio entre Manchester City e Lampard foi bom para todas as partes, menos para o torcedor do Chelsea que vai ver um de seus maiores ídolos defender um rival na briga pelo título por alguns meses.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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