InglaterraPremier League

Keith Moon, 70 anos: Quando um estádio fez do The Who a “banda mais barulhenta do mundo”

Em qualquer lista sobre os maiores bateristas da história, o nome dele está lá. Mais do que uma das mentes por trás do The Who, Keith Moon também tornou-se um ícone do instrumento. Criou sua própria revolução no jeito de tocar bateria, eternizando o estilo único. Em seu auge, fazia miséria com as baquetas. Pena que durou pouco. O alcoolismo deixou evidente a decadência do gênio nos palcos. Faleceu em 1978, por conta da overdose do medicamento que tomava justamente para curar a abstinência do álcool. Se ainda estivesse vivo, completaria 70 anos nesta terça-feira.

VEJA TAMBÉM: Quando Lemmy cantou “You’ll Never Walk Alone” para ajudar os torcedores do Bradford City

Vindo de uma família da periferia de Londres, Moon cresceu na região de Wembley. A proximidade com a catedral do futebol inglês, no entanto, não tornou o músico um grande fã do futebol. Seu clube de coração, aliás, não é muito claro – especula-se que apoiava o Queens Park Rangers, de forte influência na região. Além disso, sequer teve oportunidade de tocar em sua “casa”. O primeiro show do Who em Wembley aconteceu justamente na turnê posterior a sua morte. De qualquer maneira, o aniversário do baterista serve para rememorar um dos episódios mais “boleiros” do grupo. Se em 1976 os britânicos ganharam o apelido de “a banda mais barulhenta do mundo”, devem a Moon e também ao futebol.

O estádio The Valley, do Charlton, possui um lugar especial na história do Who. Em 1974, a banda realizou um show lendário no local. “Escolhemos The Valley por causa de suas qualidades acústicas particulares e a excelente visão das arquibancadas”, afirmou o líder da banda, Pete Townshend. Na época, a capacidade do local girava em torno de 50 mil espectadores. No entanto, uma falha na segurança permitiu que cerca de 80 mil pessoas se espremessem, entre arquibancadas e campo. A acústica já era um trunfo, e a banda fez ainda mais barulho com 35 toneladas em equipamentos de som. Resultou em uma apresentação marcante, especialmente por também ter sido gravada pela BBC.

O retorno a The Valley aconteceu em 1976. Um dos trechos da turnê se chamou “The Who Put The Boot In” (The Who calça as chuteiras), justamente pelo fato de que tocariam em três estádios de futebol seguidamente. Passaram pela casa do Charlton antes de visitar o Celtic Park e o Vetch Field, antigo estádio do Swansea. Nenhum dos dois, porém, superou o que aconteceu em Londres, diante da acústica privilegiada.

VEJA TAMBÉM: Quando o vocalista do AC/DC quase se tornou dirigente do Newcastle

Outra vez, The Valley esteve superlotado. Ingressos falsos permitiram que 75 mil pessoas entrassem no estádio. Enquanto o Who quebrava tudo, o som registrado a 32 metros do palco chegou a 125 decibéis, o suficiente para que o Guinness Book registrasse os britânicos como “a banda mais barulhenta do mundo”. Moon e seus companheiros batiam o recorde do Deep Purple, em 1972, durante apresentação na qual três pessoas ficaram desacordadas pelo volume – mas que, contudo, havia acontecido em local fechado. A marca do Who perduraria até 1984, superados pelo Manowar.

O clima dentro do estádio, infelizmente, não era dos melhores. Em um verão mais quente que o comum em Londres, a chuva castigou durante todo o dia e se interrompeu apenas antes do show. Enquanto isso, a superlotação gerava várias confusões. Além dos focos de briga em campo e nas arquibancadas, vários donos de ingressos originais acabaram de fora. Tanto que, depois daquele dia, a prefeitura da capital suspendeu outros eventos musicais em The Valley. Não à toa, o Charlton deixou o estádio em 1985 exatamente pela falta de segurança, voltando apenas depois da completa reforma realizada em 1992.

Ao longo daquela apresentação em 1976, o Who tocou alguns de seus maiores clássicos – incluindo My Generation, Baba O’Riley e Pinball Wizard. Aquele foi o último show de Keith Moon em Londres antes de seu falecimento. Já a banda nunca mais atingiria tantos decibéis sem o seu baterista.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador detectado

A Trivela é um site independente e que precisa das receitas dos anúncios. Considere nos apoiar em https://apoia.se/trivela para ser um dos financiadores e considere desligar o seu bloqueador. Agradecemos a compreensão.