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Há 30 anos, o início de uma era: o primeiro jogo de Alex Ferguson à frente do United

Que muitos esperassem um período de glórias, dificilmente alguém imaginaria a era que se iniciou em Old Trafford naquele novembro de 1986. Alex Ferguson chegou ao Manchester United referendadíssimo. Tinha levado o Aberdeen não apenas a conquistar o Campeonato Escocês, mas também a Recopa Europeia. Além disso, dirigiu a seleção na Copa do Mundo de 1986. Currículo mais que suficiente para assumir um gigante adormecido, como eram os Red Devils naquele momento. Mas daí a passar quase 27 anos no cargo, erguendo 38 taças no total? O início não foi nada fácil. Mas, hoje, exatos 30 anos depois, ninguém questiona o enorme acerto. Em 8 de novembro de 1986, Fergie disputou seu primeiro jogo à frente do United. Curiosamente, perdeu: derrota ao Oxford United por 2 a 0, em partida válida pelo Campeonato Inglês. O primeiro de seus 1,5 mil jogos com o clube.

Ferguson substituía Ron Atkinson, que fez um bom trabalho em Old Trafford, mas ficou conhecido por não ir além do quase. E, pior, naquela temporada a situação do time era crítica, ocupando as últimas colocações na tabela. Hora de buscar um treinador jovem, de respaldo no Reino Unido e mentalidade vencedora. Um herdeiro do que Matt Busby já tinha sido aos Red Devils décadas antes. Sob o novo comandante, Manchester nunca mais seria a mesma cidade – especialmente na maneira de dominar o futebol inglês.

Os jornais da época especulavam nomes como Bryan Clough, Bobby Robson, Howard Kendall, Terry Venables e outros técnicos históricos no futebol inglês. Mas, se é difícil imaginar qualquer um deles passando três décadas no United, a diretoria parecia ter noção do que viria no futuro. Ferguson foi unanimidade nos bastidores. “Ele era absolutamente a escolha preferida de todos nós. O primeiro encontro aconteceu quando trouxemos Gordon Strachan do Aberdeen. Gordon já tinha assinado com o Colônia e nós queríamos que ele desistisse do negócio, então Alex entrou no jogo. Ele estava lutando por nós, provavelmente porque queria que Gordon viesse, mas também porque isso renderia mais dinheiro ao Aberdeen. Ele ajudou bastante e foi quando o conhecemos. Ele tinha grife, por ter desbancado Rangers e Celtic, bem como o poderoso Real Madrid na Recopa. Quando realmente o conhecemos, percebemos quão bom ele era e vimos como ele agia. Isso confirmou a maneira como ele impressionava”, declarou Martin Edwards, então dirigente, em entrevista ao site do Manchester United em 2011.

ferguson

Diante da oferta, a direção do Aberdeen ainda tentou oferecer a Ferguson uma fatia do próprio clube. Nada feito. Em sua apresentação, Ferguson deixou bem claro o tamanho de sua missão e a responsabilidade que tinha ao assumir o controle em Old Trafford. Até parecia que já sabia o que iria acontecer com mais intensidade, sobretudo na década de 1990. De um dos maiores clubes da Inglaterra, mas que passava por uma seca, os Red Devils se tornaram uma máquina global de empilhar taças.

Entretanto, isso não diminuiu a fogueira que Ferguson pegou naquele momento. Dois dias depois, já disputaria o seu primeiro jogo, à frente de uma equipe ameaçada pelo rebaixamento. O United contava com jogadores respeitados, a exemplo de Peter Barnes e Paul McGrath. Mesmo assim, saiu derrotado de Manor Ground por 2 a 0. O tropeço deixava os mancunianos no 20° lugar do Campeonato Inglês, na primeira posição da zona da degola. Era hora de agir imediatamente.

Ferguson, então, se aproximou do elenco. Deu ênfase ao trabalho físico para tentar a guinada momentânea. Contou com o comprometimento. “Assumir um clube da magnitude do Manchester United é uma tarefa fantástica. Eu não estava realmente interessado no que aconteceu aqui no passado. Eu não queria ser desrespeitoso com os grandes feitos , mas é que simplesmente só havia uma maneira de seguir, e era em frente. O objetivo era ganhar o título. É o único jeito de superar os fantasmas do passado”, escreveu o escocês, em sua biografia. No segundo compromisso, empate sem gols com o Norwich. E a primeira vitória veio diante do Queens Park Rangers, gol do dinamarquês John Sivebaek. A primeira de quase nove centenas.

Ao final da primeira temporada, Ferguson terminou o Campeonato Inglês em um aliviante 11° lugar. Ainda demorou um bocado a engrenar, conquistando seu primeiro título na quarta temporada e a primeira liga na sétima. De qualquer forma, já desfrutava de um respaldo gigantesca, pela mentalidade que incutiu em Old Trafford. O restante, isso é pura história.

* Como leitura complementar, recomendo também o texto do amigo Fernando Figueiredo Mello, no efemérides do éfemello, sobre os 30 anos da apresentação de Fergie em Old Trafford. Confira!

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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