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Garotas da base do Arsenal estão derrubando a ideia de que não podem jogar contra meninos

As garotas da base do Arsenal estão derrubando a ideia de que meninos e meninas não podem jogar juntos. Mais do que isso, estão invalidando o argumento de que o sexo feminino é frágil em relação ao masculino. Aproveitando o aval dado pela Federação Inglesa em iniciativa permite que equipes de base (até o sub-18) coloquem garotas para disputar jogos e campeonatos contra times de garotos da mesma categoria (ou cujas condições físicas estejam no mesmo patamar), os Gunners estão dando uma oportunidade de ouro para suas pequenas jogadoras aprimorarem o nível de seu futebol e, sobretudo, quebrarem paradigmas.

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O projeto idealizado pela FA para esta temporada é muito bacana e tem dado bastante certo. E o Arsenal é um dos clubes que veem a iniciativa como vantajosa para as ‘Arsenal Ladies’ de categorias inferiores, que estão tendo a chance de disputar jogos mais competitivos em competições masculinas. Mas o futebol entre garotos e garotas (veja bem, não é misto, são as meninas contra os meninos) não parece algo bom somente para elas. Essa reunião entre ambos os sexos na mesma partida estimula a geração de valores entre os jovens e incita o respeito mútuo. É o que se observou na Watford Friendly League, um campeonato amistoso com equipes de base masculinas, mas que contou com a participação do time feminino sub-10 dos Gunners.

“Nós passamos a reconhecer que jogar contra garotos – talvez não exatamente da mesma faixa etária, mas com níveis de habilidade compatíveis – era um bom teste para as meninas, um verdadeiro desafio para essas garotas excepcionalmente talentosas. Começamos a fazer isso em amistosos. Isso é algo que acrescenta à condição física das atletas, à velocidade de jogo delas. Elas são capazes de se mover, reagir, responder mais rápido quando são desafiadas nas partidas contra meninos”, disse Tessa Payne, diretora técnica do futebol de base do Arsenal, além de ter elogiado a iniciativa da Federação Inglesa. “A FA tomou uma decisão corajosa permitindo que as meninas joguem em competições masculinas”.

E o futebol entre equipes masculinas e femininas não tem sido aprovado somente por pessoas com cargos diretivos, não. As meninas estão adorando a experiência. Rimini Lowe, do sub-10 feminino do Arsenal, falou em entrevista ao Guardian que prefere jogar contra garotos, e que isso deveria acontecer o tempo inteiro, em todos os torneios. Laila Harbert, sua companheira de time, pensa o mesmo. “É melhor perder por 1 a 0 para os meninos do que ganhar de 20 a 0, 30 a 0, de equipes femininas. Golear assim não nos ajuda a nos tornarmos jogadoras melhores”, afirma Laila, que ambiciona chegar ao time principal do Arsenal Ladies e atuar pela seleção inglesa feminina um dia.

É claro que os pais ficam receosos com a ideia de juntar meninos e meninas. Principalmente os das garotas, que temem que suas filhas voltem machucadas para casa devido a contatos físicos agressivos durante a partida. Essa iniciativa, porém, incentiva justamente o jogo limpo. No confronto entre o time feminino sub-10 do Arsenal e o AC Finchley, pela Watford Friendly League, isso foi notado pelos familiares e pelos técnicos. Embora as garotas tenham perdido por 1 a 0, Rupen Shah, treinador da equipe de meninas do Arsenal, viu com bons olhos a experiência e a maneira como tanto as meninas, quanto os meninos se portaram.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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