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Este mapa mostra como as bombas da Segunda Guerra atacaram o futebol em Londres

Entre setembro de 1940 e maio de 1941, a destruição tomou conta do Reino Unido. A Blitzkrieg (guerra-relâmpago) da Luftwaffe, força aérea da Alemanha nazista, explodiu 100 toneladas de explosivos e deixou cerca de 50 mil britânicos mortos. Londres se tornou o principal alvo dos ataques, assim como outras cidades estratégicas do país, sobretudo as portuárias e industriais. E acabou afetando diretamente o futebol, já que muitos clubes profissionais se desenvolveram nestas regiões. Old Trafford e Goodison Park, por exemplo, tiveram parte de suas arquibancadas destruídas. Da mesma forma como vários estádios londrinos também foram alvos de ataques.

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O site Bomb Sight mapeou todas as área da capital britânica onde as bombas caíram entre 1940 e 1941, embora admita que possa haver alguns pequenos erros de localização. E resolvemos procurar o que aconteceu na região de cada um dos estádios dos clubes que atualmente disputam a Premier League ou a Championship. Destas equipes, quatro disputavam a primeira divisão (Arsenal, Chelsea, Charlton e Brentford) e outros quatro a segunda (Tottenham, Fulham, West Ham e Millwall) em 1939/40, a primeira temporada interrompida pela guerra. Abaixo, o mapeamento dos campos, assim como algumas informações adicionais.

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Wembley (Seleção inglesa)

Mesmo sendo um alvo em potencial, o Estádio de Wembley se manteve como um símbolo de luta dos ingleses, utilizado em meio aos bombardeios. A final da Copa da Liga de Futebol de 1940, torneio que substituiu a Copa da Inglaterra durante a guerra, aconteceu menos de três semanas depois do início da blitz, com 42 mil pessoas assistindo à vitória do West Ham sobre o Blackburn. Temporariamente, Wembley recebeu refugiados de franceses e belgas que partiram ao Reino Unido. Nos arredores, um canil de cães de corrida que competiam no estádio foi bombardeado, matando dois animais. Além disso, em 1944, uma bomba incendiária chegou a explodir no campo, mas sem o registro de mortes.

Highbury e Emirates (Arsenal)

Utilizado como centro de patrulha a ataques aéreos, o antigo estádio dos Gunners teve parte de sua geral do lado norte destruída, e a reforma só foi concluída em 1956. Ao lado de Highbury, também havia uma universidade, incendiada pelas bombas. Além disso, o estádio também passou a ser usado como posto de primeiros socorros aos feridos. Poucos metros a sudoeste, o terreno que hoje abriga o Emirates também foi bombardeado.

Stamford Bridge (Chelsea)

A casa dos Blues se manteve em pé, mas os bombardeios destruíram a estação de trem que atendiam ao local. Atravessando a guerra sem maiores danos, o estádio foi escolhido para abrigar o primeiro amistoso do Dynamo Moscou em turnê pelo Reino Unido. Cerca de 100 mil pessoas lotaram as arquibancadas no empate por 3 a 3, apenas 72 dias após o armistício.

White Hart Lane (Tottenham)

As bombas lançadas nos arredores do estádio dos Spurs não danificaram a estrutura. Assim, White Hart Lane chegou a abrigar o Arsenal durante parte do período em que Highbury era utilizado pela patrulha aérea. A arquibancada leste foi utilizada como necrotério para as vítimas do ataque, assim como outro setor passou a guardar pertences de pessoas que evacuaram aquela região de Londres. Também havia venda de armas no estádio.

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Boleyn Ground (West Ham)

Um dos estádios mais afetados durante a Segunda Guerra Mundial, Upton Park permaneceu fechado por meses, enquanto um dos setores era reconstruído, após ser atingido por uma bomba V-1. Além disso, a região dos Hammers, sede de diversas fábricas, se tornou um dos alvos mais intensamente atacados pelos alemães.

The Den (Millwall)

Também em uma área visada pelos nazistas, o estádio do Millwall teve dois setores de arquibancadas destruídos pelos bombardeios. Transitando entre os estádios de Charlton, Crystal Palace e West Ham, o clube voltou a sua casa quase um ano depois, em 1944, graças ao trabalho voluntário de seus torcedores. A reforma completa, porém, só aconteceu em 1948.

Griffin Park (Brentford)

Bombardeado também nas ruas ao seu arredor, o Estádio do Brentford teve seis partidas canceladas ou remarcadas depois do ataque, mas não precisou passar por reformas mais intensas.

Selhurst Park (Crystal Palace)

Loftus Road (Queens Park Rangers)

The Valley (Charlton)

Craven Cottage (Fulham)

Vicarage Road (Watford)

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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