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Enfim, Tottenham cansou de ser enganado por Adebayor

Durante algum tempo, Emmanuel Adebayor se pressupôs como um centroavante de alto nível. Não fosse assim, o togolês não teria movimentado € 55 milhões em transferências, passando por Monaco, Arsenal, Real Madrid, Manchester City e Tottenham. Os dias de glória do atacante, porém, parecem já fazer parte do passado. Deixado de lado pelos Spurs, Adebayor passou a treinar com o segundo time. E sem muitas perspectivas de melhoras.

Por mais que tenha ganho o rótulo de goleador, os números mostram que Adebayor teve mais fama do que eficiência. Em 12 temporadas como profissional, em apenas três o togolês teve média de gols superior a 0,5 tentos por partida. A primeira foi em 2007/08, pelo Arsenal. A segunda, em sua estreia pelo Manchester City, dois anos depois. Já a terceira aconteceu quando vestia a camisa do Tottenham, anotando 17 gols em seu primeiro ano com o clube.

A aparência sempre indicou Adebayor como um atacante de bom porte físico e oportunismo. O jeitão meio desengonçado e a acomodação dentro de campo, porém, sempre foram mais preponderantes em suas atuações. Foi com esses defeitos que o camisa 10 deixou uma péssima impressão em André Villas-Boas. E agora, com Roberto Soldado à disposição, o português não parece nem um pouco disposto a dar nova chance a Adebayor.

O primeiro sinal desta postura aconteceu no último dia da janela de transferências. Em um negócio surpresa, o Tottenham chegou a oferecer o jogador ao Chelsea, em uma troca com Fernando Torres. A sensação era a de que os Spurs queriam se livrar do atacante de qualquer maneira, ainda mais sabendo de sua personalidade forte. Contar com Adebayor insatisfeito no elenco seria uma bomba-relógio.

Neste contexto, é bastante compreensível a opção de Villas-Boas ao afastá-lo de sua equipe principal. Por mais que Jermaine Defoe não seja um centroavante típico para substituir Roberto Soldado, o treinador não está muito disposto a apostar novamente no comodismo e na falta de efetividade de Adebayor. O caso até parece o ocorrido com Florent Malouda, colocado para escanteio no Chelsea durante toda a temporada passada. Para togolês, ao menos, a salvação para o ostracismo ainda pode estar no mercado de janeiro, com a transferência para outro clube que ainda acredite em seu potencial. Provavelmente, para algum que não faça parte do primeiro escalão europeu, enfim.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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