Inglaterra

Duncan Edwards, a lenda inglesa que se tornou apenas lembranças aos 21 anos

O passado é pródigo em nos fazer questionar os rumos da história. De nos apresentar personagens que, se pudessem ter vivido um pouco mais, talvez nos trouxessem o presente um bocado diferente. E entre tantos ‘e se’, o futebol inglês ganhou um de seus maiores em 1958. Duncan Edwards era um fenômeno. Entre os jovens talentos de Matt Busby no Manchester United, o meio-campista se sobressaía. Em 1956, aos 20 anos, já havia recebido votos na primeira edição da Bola de Ouro. Um ano depois, terminou em terceiro, empatado com Raymond Kopa. O prodígio, no entanto, nunca teria a chance de conquistar o prêmio. Em fevereiro de 1958, esteve entre as vítimas fatais do Desastre de Munique, que matou outros dez membros dos Red Devils. Se ainda estivesse vivo, completaria 80 anos neste sábado.

Duncan Edwards começou a impressionar desde cedo. O adolescente despontou no futebol após o fim da Segunda Guerra Mundial. O talento era tamanho que ele chegou à seleção sub-14, formada na época por estudantes dos colégios públicos da Inglaterra. Capitão da equipe, não demorou a receber as primeiras ofertas de clubes. Natural da região de West Midlands, via o Aston Villa e o Wolverhampton crescerem os olhos em seus serviços. No entanto, por intermédio do técnico da equipe nacional, o lendário Joe Mercer, Edwards conheceu Matt Busby e assinou com o Manchester United aos 15 anos.

Dez meses depois, Duncan Edwards já estreava no Campeonato Inglês. Entrou em campo durante uma derrota para o Cardiff City, aos 16 anos e 185 dias, tornando-se o mais jovem jogador a disputar o torneio até então. Na temporada seguinte, não só se tornou regular na equipe principal, como também arrebentava nas categorias de base. Ao lado de outros garotos, como Bobby Charlton, Dennis Viollet e Jackie Blanchflower, formava os ‘Busby Babes’. Uma geração promissora e que logo renderia grandes resultados ao Manchester United.

Titular absoluto dos Red Devils em 1954/55, Edwards também ganhou sua primeira convocação à seleção principal naquela temporada. E isso enquanto ajudava o time de juniores do United a conquistar pelo terceiro ano consecutivo a FA Youth Cup. Uma apelação, considerando o nível atingido pelo jovem de 18 anos naquele momento. Depois disso, passou a se dedicar exclusivamente ao time principal. Faturou o bicampeonato inglês em 1956 e 1957, brilhando já como protagonista dos Busby Babes. Também teve papel essencial para a classificação da Inglaterra para a Copa do Mundo de 1958. Mas quando todos aguardavam ansiosos pelo ápice, veio a tragédia de Munique, na volta do confronto com o Estrela Vermelha pela Copa dos Campeões.

Edwards não faleceu imediatamente após a queda do avião. Com fraturas nas pernas e nas costelas, além de lesões sérias nos rins, havia a expectativa de que ele recuperasse. Todavia, seu quadro se agravou no hospital e, 15 dias depois, o meio-campista veio a óbito. Não teve a mesma sorte de Bobby Charlton ou mesmo de Matt Busby, que chegou a receber a extrema unção duas vezes. O Manchester United demorou a se reerguer após o desastre, mas, com alguns remanescentes, atingiria o topo da Europa em 1968.

Muito se discute sobre qual o nível que Duncan Edwards poderia ter chegado se o avião não tivesse caído. Para alguns, a referência inglesa na década de 1960 não seria Charlton ou Moore, e sim o prodígio de Dudley. Meio-campista de enorme capacidade física e liderança, jogava à frente da zaga, mas tinha a habilidade de um atacante, especialmente na definição. Ao todo, Edwards disputou 177 jogos pelo Manchester United e outros 18 pela Inglaterra. E isso sem sequer poder comemorar seu aniversário de 22 anos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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