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Do câncer ao gol decisivo em 6 meses: Gutiérrez salvou o Newcastle do rebaixamento

Olhando no papel, o Newcastle conta com um elenco para ficar no meio da tabela da Premier League, e não para lutar contra o rebaixamento até a última rodada. No entanto, uma sucessão de erros esportivos e administrativos deixaram os Magpies ameaçados. E nenhum deles foi maior do que o cometido com Jonás Gutiérrez. A diretoria negligenciou o veterano em sua luta contra um câncer nos testículos, sem os salários durante o tratamento na Argentina e sugerindo a ele a procura por outro clube. O Newcastle, ao menos, se redimiu da postura parcialmente, reabrindo as portas ao argentino. Justamente o salvador da permanência na elite, na vitória por 2 a 0 sobre o West Ham. Com um gol e uma assistência, Gutiérrez retribuiu toda a força dada por uma das torcidas mais fanáticas da Inglaterra.

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Após oito meses sem jogar, de uma cirurgia realizada na Argentina e da quimioterapia encerrada em novembro, o retorno de Jonás Gutiérrez ao time principal aconteceu em fevereiro, depois de retomar o ritmo de jogo nas equipes de base do Newcastle. Ainda assim, seguia no banco dos Magpies. A titularidade só veio no desespero, na penúltima rodada, quando os alvinegros perderam para o rebaixado Queens Park Rangers e tornaram sua situação mais delicada. Até que o meio-campista fosse coroado como herói, participando de seus dois primeiros gols desde a volta, justo no jogo decisivo.

Talvez a atuação deste domingo tenha sido a maior da carreira de Jonás Gutiérrez em seus sete anos no St. James Park. Não só pelo peso da ocasião. Mas especialmente pela forma como chamou a responsabilidade. Nenhum outro jogador do Newcastle recebeu mais a bola na partida, participando ativamente no ataque e na defesa.

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O meia iniciou o alívio dos alvinegros em um cruzamento preciso aos nove minutos do segundo tempo, para o gol de Moussa Sissoko – um dos poucos que se salvaram na temporada, aliás. E o argentino deu números finais em um chute cruzado que morreu nas redes do West Ham. Extravasou na comemoração, pedindo para ouvir o barulho das arquibancadas. Sem camisa, exibia também a tatuagem que fez no braço para comemorar a vitória na vida, com a data da alta. Mas, segundo suas próprias palavras, a explosão de alegria não se devia a sua recuperação, mas apenas pelo gosto de salvar o Newcastle.

Ao lado de Coloccini, Gutiérrez é o terceiro jogador mais antigo do elenco do Newcastle. É um dos cinco que viveram o último rebaixamento do clube, em 2009/10, estiveram no acesso durante a temporada seguinte e permanecem vestindo a camisa alvinegra. Sabe como poucos a importância que a Premier League tem à torcida. Sobretudo, o potencial que o clube possui para ocupar posições melhores na tabela, como foi em 2011/12, quando beirou a zona de classificação à Liga dos Campeões. Nos últimos três anos, contudo, o fantasma do rebaixamento assombrou. Por mais que o time tenha terminado em 15º, três posições acima da zona da degola, e que o Hull City não tenha vencido, o temor era real. Os Magpies precisavam ganhar do West Ham para depender apenas das próprias pernas e não ter que torcer contra os Tigers.

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Findada a era de Alan Pardew, o Newcastle precisa se encontrar e reconstruir o time, sem os tantos erros de contratação recentes de seu treinador. E, neste processo, Jonás Gutiérrez aparece como uma liderança. Não apenas por seu exemplo ou por sua experiência. Mas porque neste domingo o veterano provou que, mesmo aos 31 anos, ainda pode ser fundamental à equipe. A gratidão dos torcedores, que já vinha por toda a dedicação do argentino, mesmo nos momentos mais difíceis, cresceu ainda mais depois da atuação salvadora. O grande personagem da rodada final da Premier League.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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