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Defesa ideal do Arsenal foi um caos e precisa de tempo para se entender

Diferentemente de boa parte da temporada até agora, a zaga não foi um problema prévio para o Arsenal. Wenger escalou o quarteto defensivo teoricamente ideal para o jogo contra o Southampton, com Debuchy, Mertesacker, Koscielny e Gibbs. Eram o meio de campo e o ataque que preocupavam, com os desfalques de Arteta, Flamini, Wilshere, Özil e Giroud. De fato, esses dois últimos setores foram problemáticos na derrota por 2 a 0 no Estádio St. Mary’s, mas nada perto do caos defensivo dos Gunners. Sem tanto esforço assim, os Saints construíram uma vitória tranquila, que, com maior capricho, poderia muito bem ter sido uma goleada.

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Desde que foi contratado, Debuchy preocupava aos torcedores do Arsenal, que afirmavam que o francês não sabia defender com qualidade, apesar do potencial de apoio ofensivo. Curiosamente, desta vez foi o lado esquerdo mesmo que comprometeu o resultado para os londrinos. O lateral Gibbs e o zagueiro Koscielny, embora presentes de corpo, pareciam não ter entrado em campo de fato.

Os dois gols da vitória do Southampton vieram por esse flanco, em falhas de marcação de Koscielny. No primeiro, um lançamento encontrou Mané dentro da área. O senegalês, sem dificuldades, tirou o francês da jogada e encobriu Szczesny com perfeição, mesmo sem ângulo, anotando um golaço. No tento que definiu o triunfo, mais uma bola lançada a partir do meio de campo, e Davis recebeu pelo canto esquerdo sem a marcação do francês ou de Gibbs. Coquelin tenhou alcançar o adversário, mas a bola foi cruzada antes disso, e o afastamento falho do goleiro deixou a bola nos pés de Tadic, para fazer 2 a 0.

Mais do que esses dois lances “fortuitos”, de bolas lançadas de longe, a fragilidade defensiva do Arsenal pela esquerda ficou clara a cada ataque perigoso do Southampton, todos por esse lado. Gibbs se posicionava de maneira a dar espaço a quem aparecesse pela direita do ataque dos Saints, e uma simples inversão de bola já deixava os Gunners em apuros. Koscielny, para completar, ainda foi falho na cobertura.

Com Chambers e Coquelin na cabeça de área, a saída de bola do Arsenal já não era das melhores. A atuação apagada de Rosicky e o desperdício de jogadas de Oxlade-Chamberlain, a quem Davis dava bastante espaço no segundo tempo, comprometeram qualquer chance de vitória do time de Wenger. Sánchez saía bastante da área para com sua inventividade ameaçar os Saints, mas isso não era suficiente para a bem armada defesa de Ronald Koeman.

Todos os setores do Arsenal estiveram mal no jogo, mas a performance desastrosa da defesa acabou ofuscando as deficiências dos outros dois. Embora a primeira missão de Wenger na janela de transferências seja encontrar um bom volante de contenção, ele tem agora outra também complicada: fazer sua linha de defensores ideal se encaixar, já que não teve tempo para isso até agora. O entrosamento entre Mertesacker e Koscielny deve ajudar, mas não implica um caminho menos longo.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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