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Contratação de Charlie Austin é um exemplo de como o Southampton sobrevive na Premier League

Em um mercado tão inflacionado como a Premier League, é raro vermos negócios serem feitos por quantias de menos de doiis dígitos. Ainda mais quando se trata de um jogador que fez um relativo sucesso há menos de um ano. A contratação de Charlie Austin pelo Southampton é um desses negócios. Por £ 4 milhões de libras (€ 5,2 milhões), levou um jogador que faz muitos gols e fez sucesso na última temporada da Premier League.

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Austin esteve no Queens Park Rangers na temporada 2014/15, que acabou no rebaixamento dos Rangers. Mesmo com a má campanha do clube, o atacante, de 26 anos, marcou 18 gols em 36 jogos. Ele tinha contrato com o QPR, que está na segunda divisão, até o meio do ano. O QPR recebeu a compensação e o Southampton ganha um reforço para o setor ofensivo.

O contrato de Austin vai até 2020, com quatro anos de duração, portanto. “Eu estou muito feliz que pudemos resolver isso tão cedo em janeiro. Eu mal posso esperar para começar agora”, disse o jogador ao site do novo clube. “Assim que o Southampton mostrou interesse, este era o clube que eu queria vir”, contou ainda o jogador.

“Você vê o progresso de quanto eu jogava contra o Southampton pelo Swindon [clube da terceira divisão]. Para mim, foi importante vir para um clube que está no alto e é isso que eu tenho aqui”, declarou ainda o jogador.

O diretor executivo do Southampton, Les Reed, falou sobre a contratação do jogador com elogios.”Tendo sentido o gosto de futebol da Premier League e sua primeira convocação para a seleção inglesa na última temporada, Charlie está determinado a se estabelecer no mais alto nível do jogo”, afirmou o dirigente.

Na atual temporada, o Southampton gastou € 55,6 milhões, já contando com Austin. Isso fez o clube estar no negativo no balanço em € 2,9 milhões, porque na temporada o time tinha recebido € 52,7 milhões. Entre as vendas, a maior foi a de Morgan Schneiderlin para o Manchester United, por € 35 milhões. Nathaniel Clyne, lateral direito, foi para o Liverpool por € 17,7 milhões.

Atualmente em 10º lugar na Premier League, o Southampton tem 31 gols em 22 jogos e 30 pontos conquistados. Apesar dos números razoáveis, o centroavante do time, Graziano Pellè, tem seis gols. Shane Long e Dusan Tadic têm cinco gols cada. O time terá uma reposição para o atacante mais centralizado, o centroavante.

Em um mercado tão maluco que vemos nos últimos anos, ainda mais na Premier League, que teve uma explosão dos direitos de TV nos últimos contratos, é interessante ver um time que consegue lidar tão bem com o assédio dos grandes clubes, vender bem seus destaques e procurar no mercado boas reposições.

O Southampton está fazendo bem esse trabalho e esse é um grande mérito. Basta ver o zagueiro Virgil van Dijk, maior contratação da temporada, que custou € 15,7 milhões junto ao Celtic. Ele é o melhor jogador do time na temporada até aqui, segundo avaliação do site Who Scored, que dá pontuação aos jogadores de acordo com suas estatísticas.

Quando os times começam a ter muito dinheiro nas mãos, como aconteceu na Inglaterra e como aconteceu também no Brasil em 2012, com novos acordos de TV, é importante manter os pés no chão para contratar bem. Gastar muito dinheiro em contratações pode até ser viável para times bilionários, como Chelsea, Manchester City, Manchester United, Arsenal e Liverpool. Para outros times que não faturam tanto assim, como o Southampton, que historicamente é um time pequeno, é muito mais importante manter um balanço positivo.

Saber lidar com os milhões, e não se perder na gastança, é o caminho para se manter sustentável e na primeira divisão. O Queens Park Rangers, ex-time de Austin, não soube: teve prejuízos consecutivos, caiu para a segunda divisão, continuou gastando muito, subiu à Premier League e sucumbiu novamente. Uma contratação como a de Austin é uma demonstração de atenção ao mercado. Um dos requisitos para conseguir bons negócios, não só para não dar prejuízo ao clube, financeiramente, mas principalmente para trazer resultados em campo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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