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Como um rei, Drogba se despediu do Chelsea e da torcida que o idolatra

Por um ano, a torcida do Chelsea pôde reviver a lenda. Não com a mesma intensidade dos primeiros oito anos, encerrados de maneira brilhante com o gol decisivo na final da Liga dos Campeões. Não importava tanto assim. Didier Drogba estava de volta a Stamford Bridge. E com uma importância diferente dos tempos em que comandava o ataque dos Blues. Mais do que um reserva útil no elenco, manteve-se como uma liderança no elenco de José Mourinho. Ajudou bem mais nos bastidores, para terminar o ano como sempre: campeão, em seu terceiro título na Premier League. Um reencontro encerrado neste sábado, com a nova despedida do clube que o tornou um gigante.

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O anúncio da saída aconteceu apenas horas antes da partida em casa, contra o Sunderland, que acabaria com a entrega da taça da Premier League. Tempo suficiente para que os Blues preparassem uma festa especial para o eterno camisa 11. A recepção em campo, liderada por Drogba, teve uma ovação enorme. Além disso, também ganhou de presente a braçadeira de John Terry. Mas ainda melhor foi a substituição do centroavante, ainda no primeiro tempo. Aplaudido de pé, o artilheiro saiu carregado nos braços pelos próprios companheiros. Sinal maior de respeito não há. Um verdadeiro rei em Stamford Bridge.

Ao longo de sua temporada de retorno, Drogba permaneceu na reserva de Diego Costa durante a maior parte do tempo. Mas se mostrou um substituto bastante útil. Foram quatro gols pela Premier League, incluindo um no empate contra o Manchester United, mais três nas outras competições. Todo mundo sabia que o vigor físico do centroavante estava distante de seu auge, até por seus últimos meses no Galatasaray. No entanto, não houve pressão para que o ídolo jogasse. A consciência de Drogba preponderou, e ajudou o Chelsea como pôde. De qualquer forma, pode ainda render muito em campeonatos de menor nível técnico, como a Major League Soccer, seu possível destino.

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E no pano de fundo, a partida contra o Sunderland, os Blues buscaram a virada por 3 a 1 justamente com gols dos “herdeiros” de Drogba: Diego Costa empatou, enquanto Loïc Rémy, que substituiu o veterano, entrou muito bem e anotou mais dois gols para a vitória. Ambos têm o caminho aberto para se consolidar. Quem sabe, para alcançar um pouco da idolatria de Drogba, que o torna tão singular na história do Chelsea. O dinheiro de Roman Abramovich pode ter tornado os londrinos em potência a partir de 2003. Mas isso não seria possível sem o talento de craques como Drogba, que, mais do que gols, entregaram o próprio coração ao clube. Valeu demais.

E, na cerimônia de entrega da taça, o reinado de Drogba acabou confirmado pelo próprio José Mourinho: o técnico entregou a coroa que enfeita o troféu da Premier League a sua majestade. Uma imagem emblemática.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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