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Clubes ingleses precisarão incluir torcedores em parte de suas tomadas de decisão

Gradativamente, a Inglaterra tem se tornado um exemplo no trato com seus torcedores. Em geral, considerando as cinco grandes ligas europeias, dá para dizer que ainda não alcançou o nível de respeito à sua torcida que os clubes alemães tem, mas a abertura para debates com aqueles que são “a alma do futebol” tem sido cada vez maior, e um grande passo foi tomado nesta terça-feira. O governo, ao lado de autoridades do esporte no país, anunciou uma série de medidas para aumentar o protagonismo dos torcedores na tomada de decisões dos clubes.

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Ao longo de um ano, diferentes grupos se encontraram em dez oportunidades para traçar planos que potencializassem o engajamento das torcidas com seus clubes. Das reuniões, participaram organizações de torcedores, como a Football Supporters’ Federation, a FA, e também entidades que administram as ligas na Inglaterra, como a Premier League, a Football League e a National League. Todas as decisões tomadas, portanto, aconteceram com o aval dessas associações, e, segundo o jornal Guardian, com o respaldo dos principais acionistas do futebol britânico (leia-se patrocinadores, clubes e as entidades que organizam o futebol), o que significa muito para o avanço dessas ideias.

Todas recomendações giram em torno de uma maior participação dos torcedores na administração dos clubes, e os pontos divulgados na imprensa inglesa foram os seguintes:

  • Os clubes devem se reunir com grupos de torcedores ao menos duas vezes ao ano;
  • A FA deverá considerar uma maior representação dos torcedores em seu conselho;
  • Qualquer mudança significativa nas cores ou símbolo dos clubes precisará ser detalhadamente discutida com os torcedores, de maneira estruturada;
  • A FA deverá incluir em seu processo de revisão uma avaliação de como os clubes podem se engajar melhor com seus grupos de torcedores nas estruturas de tomadas de decisão;
  • Autoridades do futebol continuarão suas avaliações do trabalho de proprietários e diretores de clube, em constante revisão, levando em consideração qualquer feedback ou reclamação que parte de grupos de torcedores.

Segundo o Guardian, essas novas diretrizes farão parte dos livros de regras da Premier League e da Football League (segunda a quarta divisões). O governo, através de Tracey Crouch, ministro dos Esportes, expressou contentamento com as novas medidas e exaltou a necessidade de se ter cada vez mais diálogo entre clubes e seus seguidores. “Os torcedores são a alma dos clubes para os quais torcem, mas, ao longo do tempo, houve uma crescente desconexão entre eles e aqueles que comandam seus clubes. O acordo em ter diálogos significativos entre clubes e torcedores sobre assuntos que lhes interessam, que podem incluir questões estratégicas e relacionadas à propriedade dos clubes, é um grande passo”, avaliou Crouch.

Apesar da comemoração também por parte de grupos que defendem os interesses de torcedores, como a Football Supporters’ Federation, algumas partes não ficaram completamente satisfeitas com as medidas anunciadas, como o grupo Manchester United Supporters’ Trust, que criticou a manutenção da impossibilidade de dar dar aos torcedores a chance de comprar fatias significativas dos clubes que não necessariamente passem por situações financeiras muito delicadas ou por problemas com o governo.

Agradar a todos é difícil, e o ponto ao qual essa associação de torcedores do United quer chegar talvez soe um pouco utópico, mas, comentando o que se materializou, a série de medidas anunciadas pelo próprio governo, o avanço no diálogo com os torcedores é claro. E é fruto de uma luta constante, sobretudo da Football Supporters’ Federation, em empurrar as pautas mais caras aos torcedores. Ainda resta ver como tudo isso funcionará na prática, mas a própria determinação de que deve haver mais conversas entre dirigentes e torcedores já é um grande exemplo de até aonde um grupo pode chegar quando se une para, energicamente, apresentar suas demandas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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