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Clubes ingleses exploram as torcidas até para colocar crianças como mascotes

Ingressos a preços absurdos não são a única maneira encontrada pelos times ingleses para afastar o público menos favorecido financeiramente de seus estádios. Um estudo do jornal Guardian descobriu que 11 dos 20 clubes cobram bem caro para que uma criança seja mascote nos jogos dos times. É verdade que essa é uma maneira quase certa de lucrar, afinal sempre haverá alguém com dinheiro e disposto a pagar o que for para que seu filho tenha essa honra, algo que marca a infância de qualquer pequeno fã de futebol. E é exatamente por isso que todos deveriam ter igual oportunidade de ter esse momento.

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Curiosamente, nenhum dos 11 clubes que cobram para que as crianças entrem ao lado dos atletas costuma brigar pelos títulos da Premier League. Muitos deles, inclusive, estiveram recentemente na segunda divisão. O West Ham é o que chega a cobrar mais caro, com os valores indo de R$ 1450 a R$ 2500. Queens Park Rangers e Swansea, cada, cobram cerca de R$ 1877, enquanto os pacotes do Tottenham vão de R$ 1040 a R$ 1670 e os do Stoke City variam de R$ 1375 a R$ 1630. Burnley, West Brom, Leicester, Crystal Palace, Newcastle e Hull são os outros que também faturam com a presença de seus pequenos torcedores no gramado.

Clive Efford, político britânico que tem lutado para que haja uma representação dos interesses dos torcedores nas diretorias dos clubes ingleses, mostrou-se inconformado com os resultados do estudo do Guardian, levantando a essência do problema de se cobrar tanto por um “serviço” que poderia muito bem ser oferecido gratuitamente.

“Acho extraordinário que clubes que estejam ganhando tanto com direitos de televisão excluam crianças de origens mais pobres, impondo uma taxa. Significa que uma certa classe de crianças nunca conseguirá ser mascote, e isso não parece justo quando seus clubes estão ganhando tanto dinheiro. Parece ridículo que algumas (crianças) sejam excluídas porque seus pais não podem pagar para colocá-las na lista de espera”, protestou Efford, em declarações publicadas no site do jornal.

Considerando todo o lucro que esses times já têm, parece até um pouco cruel que se cobre esse valor por algo que deveria ser um gesto de reciprocidade para com o torcedor que vive o time. A maximização do lucro a qualquer custo pode acabar se transformando em um tiro no pé. A insatisfação com o preço dos ingressos já é grande, como ficou provado com os constantes protestos feitos pela torcida do Liverpool, por exemplo, e agora que a imprensa inglesa se debruça sobre o preço que o produto futebol passou a ter para suas torcidas, a tendência é de que o atrito seja cada vez maior. Ou os clubes começam a ceder um pouco, ou perderão em definitivo suas identidades e sua relação especial com aqueles que o construíram e deram a base para o tamanho que ficaram.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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