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Cissé encerra carreira prejudicada por lesões para se concentrar em ser DJ

Cissé tentou voltar ao futebol. O atacante francês de 35 anos anunciou sua primeira aposentadoria em outubro de 2015, motivado por um antigo problema no quadril, mas passou por cirurgia em abril do ano passado e mudou de ideia. Buscou um novo clube, treinou com o Auxerre, clube pelo qual iniciou carreira, mas não conseguiu um contrato. Resignado, decidiu concentrar-se em sua nova carreira: produtor musical e DJ.

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“Eu amei ser um jogador de futebol e, até agora, a bola tem sido minha vida”, disse Cissé. “Eu adoraria ter continuado a jogar, mas preciso admitir que o futebol acabou. Com a mesma paixão, vou me dedicar de coração a minha carreira de DJ, produtor e consultor, assim como ao desenvolvimento da minha marca de roupas. Obrigado por todo o apoio. A aventura continua. Outra vida começa. Um leão nunca morre”.

Veloz, técnico e finalizador, Cissé surgiu como uma boa revelação francesa no Auxerre, pelo qual marcou 71 gols em 143 partidas. Chamou a atenção do Liverpool, que desembolsou € 20 milhões, em 2004, para contar com os serviços do jogador. No entanto, sofreu uma séria lesão em um lance totalmente fortuito contra o Blackburn, no final de outubro. A ponta da sua chuteira ficou presa no gramado, e o francês quebrou a tíbia e a fíbula da perna esquerda.

Foi descartado para o restante da temporada, mas o resultado poderia ter sido ainda pior: ele poderia ter perdido a perna, não fosse o tratamento especializado que recebeu ainda no Ewood Park. “Quando eu fui levado do gramado, o que fizeram foi muito importante para a minha carreira. Foi vital. Meu osso estava se sobrepondo e não tinha circulação (de sangue) no meu pé. Eles me deram drogas para ajudar com a dor e colocaram meus ossos no lugar com as mãos. Se tivessem esperado até chegarmos ao hospital, eu poderia ter perdido minha perna. Foi sério”, afirmou, em uma entrevista à revista do Liverpool, em dezembro de 2004.

A seriedade da lesão apenas sublinha o quão rápido Cissé conseguiu voltar aos gramados. Cinco meses depois, em 13 de abril, disputou os últimos 14 minutos do jogo de volta das quartas de final da Champions League, contra a Juventus. Atuaria mais nove vezes naquela temporada, inclusive durante toda a prorrogação da decisão europeia de Istambul. Converteu um dos pênaltis da histórica virada sobre o Milan e, na última rodada da Premier League, marcou dois gols contra o Aston Villa, dando bons sinais de recuperação.

Sua segunda temporada na Inglaterra foi muito melhor. Conseguiu jogar 54 partidas e marcou 19 gols, em todas as competições. Foi às redes duas vezes na Supercopa Europeia, contra o CSKA Moscow, e fez o primeiro gol do Liverpool em outra virada improvável, na decisão da FA Cup de 2006, quando o West Ham abriu 2 a 0, sofreu o empate, fez 3 a 2, levou outro empate, e os Reds acabaram campeões nos pênaltis – Cissé, desta vez, não cobrou.

A boa forma valeu convocações para a seleção francesa e para a Copa do Mundo de 2006, mas outra lesão parecida com a anterior arrasou seus sonhos de disputar o Mundial. Foi em amistoso contra a China, em 7 de junho daquele ano, uma semana antes da estreia do time de Zidane na Alemanha. Ele voltou a quebrar a tíbia e a fíbula, agora da perna direita. O problema era menos sério, e o francês poderia voltar a jogar em novembro, mas o Liverpool aceitou uma proposta de empréstimo do Olympique Marseille por uma temporada. Ao fim desse contrato, vendeu o atacante aos franceses por € 9 milhões.

Ninguém quebra as duas pernas impunemente. Cissé teve dificuldades para retomar o promissor futebol que havia demonstrado no Auxerre e em certos momentos do Liverpool. No Olympique, anotou 28 gols em 71 partidas, antes de ser emprestado para o Sunderland e vendido para o Panathinaikos. Voltou a ser letal na Grécia, com 55 tentos em 89 partidas, mas decidiu deixar o clube depois de ser vítima de insultos racistas.

Nessa época, chegou a retornar à seleção francesa e ganhou a chance de voltar também às grandes ligas com a camisa da Lazio, em 2011. Apenas cinco bolas na rede depois, começou a peregrinar por Queens Park Rangers, Al Gharafa, Kuban Krasnodar e Bastia, sem conseguir brilhar, até encerrar a carreira pela primeira vez. E, nesta terça-feira, pela segunda, sem ter conseguido viver todo o seu potencial.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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