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Até Mourinho reclamou da falta de apoio da torcida do Chelsea: “Como jogar em um estádio vazio”

Não são apenas os torcedores que se incomodam com o clima de teatro de muitos estádios da Premier League. Após a vitória por 2 a 1 sobre o QPR, José Mourinho foi duro nas críticas à torcida do Chelsea. Se, em campo, o time não empolgou muito os torcedores, o sentimento foi recíproco, e o português fez questão de destacar isso, afirmando que foi “como jogar em um estádio vazio”.

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Durante o jogo, o repórter João Castelo-Branco, da ESPN, contou no Twitter que a torcida do QPR cantava em provocação aos rivais que o Stamford Bridge “era uma biblioteca”, tamanho era o silêncio. Mesmo pela transmissão da TV, era possível notar como os visitantes faziam mais barulho. Para Mourinho, essa falta de apoio acabou refletindo na maneira como o time jogo. “No momento, é difícil jogar em casa porque jogar aqui é como jogar em um estádio vazio. Foi quando marcamos que eu percebi: ‘Nossa, o estádio está cheio. Bom.’ O time então começa a jogar como se fosse um jogo quieto, calmo em casa”, disse, em entrevista à rádio Talksport.

“Estava olhando ao redor, e estava vazio, mas não em termos de pessoas, porque obviamente estava cheio. Isso é que é frustrante. Todos sabem como sou conectado com esse clube e os torcedores. É difícil ter esse começo forte (de jogo), em que os jogadores, o time e os torcedores no Stamford Bridge estão todos juntos”, lamentou o português, destacando o fato de que, apesar de o estádio ter mais de 41 mil pessoas presentes, esse número não se traduziu em barulho.

Em certo momento do jogo, por volta dos 20 minutos do primeiro tempo, o goleiro do Queens Park Rangers reclamou da escuridão em que estava o estádio, pedindo para que os refletores fossem acesos. Mourinho aproveitou até esse episódio do duelo para voltar a cutucar os torcedores do Chelsea. “Acho que o homem responsável pela iluminação estava no mesmo clima que o público, porque todo mundo estava dormindo. Ele levou 20 minutos para entender que estava escuro, mas eu levei 30 minutos para entender que o estádio não estava vazio”, brincou.

Mourinho não jogou essas declarações ao vento, à toa. Tem um grande respaldo de todos no clube, inclusive da própria torcida que criticou, e se sente seguro para expressar seu sentimento. Ainda assim, não está imune. Tanto é que um grupo de torcedores do Chelsea rebateu as declarações, chamando a atenção para outro problema. “São mais de £ 50 para ir aos jogos. Os jovens, que são os mais prováveis a cantar e fazer barulho, foram excluídos pelo preço dos ingressos. Até que os clubes reconheçam isso e façam algo para oferecer preços acessíveis aos jovens, criando setores no estádio onde eles possam cantar e fazer barulho, a situação dificilmente irá melhorar. É irrealista esperar que jovens de 18 e 19 anos, que ganham um salário mínimo, venham ao Stamford Bridge ou a qualquer estádio da Premier League. E isso não é um problema apenas do Chelsea, mas de todos os clubes”, afirmou Tim Rolls, presidente do grupo de torcedores.

Enquanto Rolls tem completa razão em seu discurso, as críticas de Mourinho ainda podem servir como um antídoto paliativo para despertar os torcedores que frequentam o estádio. O time dos Blues está muito bem encaixado, jogando o futebol mais redondo da liga, invicto e líder absoluto. Some tudo isso a uma torcida que apoie durante o tempo todo, transformando sua casa em um caldeirão, e esse time se tornará imbatível em seus domínios. Por enquanto a campanha está tranquila para o Chelsea, mas o momento em que o torcedor precisará fazer a diferença pode chegar. De fato, isso poderia ser facilitado com preços mais includentes.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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