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A tradição encontrou a realidade, e o Aston Villa está rebaixado à segunda divisão

Foi uma longa tortura para o torcedor do Aston Villa. O heptacampeão inglês passou a Premier League inteira brigando nas últimas posições e há muitas rodadas sua situação já era irreversível. A vitória do Sunderland sobre o Norwich, na manhã deste sábado, apenas adiou o inevitável. O clube de Birmingham precisava vencer o Manchester United em Old Trafford para continuar vivo e não conseguiu. Com a derrota por 1 a 0, foi rebaixado para a segunda divisão pela primeira vez desde 1987.

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A campanha foi terrível. Apenas 16 pontos em 34 rodadas até agora, entre os piores desempenhos da história do torneio – o primeiro time acima da zona de rebaixamento, o Norwich, tem 31. Para se ter uma ideia, o Aston Villa tem apenas cinco pontos a mais que o péssimo Derby County de 2007/08, que ganhou uma única partida. O Villa ganhou três, e tem quatro jogos pela frente para despedir-se do campeonato do qual foi um dos fundadores com alguma dignidade.

A queda foi sendo maturada com o tempo. Desde duas boas temporadas entre 2008 e 2010, quando foi sexto colocado, o Aston Villa vem decaindo. Nos cinco anos seguintes, foi nono lugar, 16º, 15º duas vezes e 17º. Chegou a passar um mês inteiro sem fazer gols no último torneio e escapou do rebaixamento por apenas três pontos. O que era ruim ficou pior durante a janela de transferências, com as saídas de Benteke e Delph, dois pilares da equipe.

O dinheiro foi investido em uma série de contratações que não funcionaram. Lescott vem sendo muito criticado pela torcida, Jordan Ayew não correspondeu às expectativas, e o jovem talentoso Jordan Amavi sofreu uma séria lesão em novembro, defendendo o sub-21 da França, e perdeu o resto da temporada. Naturalmente, a direção tem sido o principal alvo de protestos, ainda mais depois de não conseguir trazer nenhum reforço na janela de janeiro, apesar de a posição na tabela indicar que algumas mudanças no time eram muito necessárias.

O começo de temporada do Aston Villa nem foi tão desesperador. Venceu o Bournemouth, fora de casa, e perdeu do Manchester United. Estava empatando com o Crystal Palace até sofrer o gol da derrota, aos 42 minutos do segundo tempo. Empatou com o Sunderland, somando seu quarto ponto em quatro jogos, e teve 2 a 0 de vantagem contra o Leicester. Mas sofreu a virada e deu início a uma sequência de sete derrotas seguidas, uma série de resultados que só não é pior que a atual. O revés para o Manchester United foi o nono seguido do time.

Dois técnicos foram embora sem conseguir reverter a situação. Tim Sherwood começou a temporada depois de ter salvado o clube no torneio anterior, mas a sua moral durou apenas até outubro. Rémi Garde não conseguiu fazer muito melhor e saiu em março. Quem comanda o time no momento é o interino Erick Black.

O Aston Villa, agora, tem um longo processo de reconstrução. Tem uma linda história para buscar inspiração, com sete títulos ingleses e da Copa da Inglaterra, e ainda uma Copa dos Campeões da Europa. O apoio da grande e apaixonada torcida será ainda mais importante daqui para frente, se o clube quiser resgatar a sua tradição e voltar sem demoras para a Premier League.

Porque este sábado, para o Aston Villa, foi o dia em que a tradição encontrou a realidade.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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