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Ingleses querem torcer em pé, mas liga insiste em adestrá-los

A tragédia de Hillsborough provocou mudanças profundas na forma de se torcer na Inglaterra. Muitas das medidas da Lei de Espectadores de Futebol, elaborada em 1989, ajudaram a aumentar a segurança nos estádios. No entanto, as regras também limitaram excessivamente a liberdade dos torcedores nas arquibancadas. Algo que, se depender de boa parcela clubes do país, deve mudar em breve.

Diversos dirigentes da Premier League e da Championship têm se manifestado à favor da criação de lugares em pé nos estádios. E, segundo reportagem do jornal The Independent, os clubes das divisões inferiores deverão agir de maneira mais incisiva em busca da mudança na lei, ainda que a organização dos campeonatos se oponha a isso.

Conforme o periódico, os presidentes das 72 equipes da Football League (entidade que reúne a segunda, a terceira e a quarta divisão) deverão pressionar a entidade no encontro que acontecerá no próximo mês. A expectativa é a de que o lobby possa mudar a regra na Championship. O governo britânico teria a mente aberta para alterações na lei, mas só será acionado quando as organizações do campeonato também concordarem com as novidades.

Em fevereiro, 21 dos 22 presidentes da Championship votaram a favor de testes com lugares em pé nas arquibancadas. Além disso, outros clubes da Premier League também apoiam o plano, como Arsenal, Aston Villa, Sunderland, Newcastle, Swansea e West Ham. A ideia é copiar o modelo alemão, presente em estádios como o Signal Iduna Park (Borussia Dortmund), o Borussia Park (Borussia Mönchengladbach) e a Veltins Arena (Schalke 04).

Atualmente, nenhuma equipe da Premier League pode ter lugares em pé em seus estádios, enquanto na Championship a brecha só é dada àqueles com menos de três anos na divisão. Rebaixado nesta temporada, o Peterborough United era o único que se valia da regra. Já na League One e na League Two, onde setores em pé são permitidos, 16 dos 44 estádios se aproveitam do benefício – todos, porém, com capacidade igual ou inferior a 12 mil pessoas.

Entidade que dá alvarás de funcionamento aos estádios, a Sports Ground Safety Authority (SGSA) não se mostra aberta aos lugares em pé. Porém, não por questão de segurança, mas por temores da polícia no controle da multidão. Alguns dirigentes favoráveis à mudança sugerem que o hooliganismo pode ser usado como argumento para a rejeição.

O governo poderia instruir a SGSA a realizar testes, mas só agiria depois que Football League e Premier League dessem sinal verde. O próprio Ministro dos Esportes, Hugh Robertson, admitiu a demanda da população pelos lugares em pé. Enquanto nada é feito, as entidades preferem manter a situação atual, com o conforto e também o “adestramento” já naturais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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