A Inglaterra confirmou o favoritismo e venceu Camarões por 3 a 0 em Valenciennes, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. O placar, porém, parece até exagerado pelo que foi o jogo, que ficou marcado por muitos erros, dos dois times. As inglesas venceram porque erraram menos, especialmente no ataque, em finalizações, e contou com erros das camaronesas para marcar seus gols e sair com a classificação.

Domínio inglês

Favorita no jogo, a Inglaterra foi melhor desde os primeiros minutos. Presente no campo de ataque, tentou abrir o jogo pelos lados do campo usando suas duas pontas, Toni Duggan e Nikita Parris. Só que apesar de começar bem, o primeiro gol surgiu rápido de um lance da própria defesa camaronesa. Augustine Ejangue dominou mal a bola e a tocou para trás. A goleira Annette Ndom, que pegou com as mãos. A árbitra marcou uma falta em dois lances dentro da área.

Na cobrança, aquela cena clássica: todo o time de Camarões na linha do gol, a bola na risca da pequena área. Na cobrança, Toni Duggan rolou para a zagueira Stephanie Houghton, que chutou no canto e conseguiu superar a imensa barreira: Inglaterra 1 a 0.

Depois do gol, a Inglaterra continuou no campo de ataque, trocando passes e tentando chegar. Mas poucas chances eram efetivamente criadas. As inglesas estavam rondando a meta de Camarões.

Revolta de Camarões

No final do primeiro tempo, a Inglaterra conseguiu mais um gol, mas que gerou muita controvérsia. Lucy Bronze fez uma grande jogada saindo da sua posição, a lateral, para puxar par o meio e, em um lindo passe com a parte de fora do pé, deixou a centroavante Ellen White na cara do gol. A camisa 18 bateu no canto e marcou. Só que a assistente levantou a bandeira, marcando impedimento. Na checagem do lance pelo VAR, o gol foi confirmado. A imagem, mostrada na transmissão, confirma que a jogadora inglesa estava em posição legal. Com isso, a Inglaterra abria 2 a 0 no placar aos 47 minutos.

As jogadoras camaronesas estavam inconformadas. Ficaram reclamando com a arbitragem assim que o gol foi confirmado. Nem no banco, nem em campo. As jogadoras não faziam sequer menção de recomeçar o jogo. Se uniram no meio-campo e pareciam se recusar a fazer o reinício da partida. O jogo ficou dois minutos parado e a árbitra teve a tranquilidade de falar com as jogadoras de Camarões. Até que, enfim, o jogo começou de novo.

Choro e mais revolta

As camaronesas voltaram para o segundo tempo muito ligadas no jogo. Pareciam ter convertido a raiva em motivação. E apertaram a saída de bola inglesa, obrigado a goleira Karen Bardsley a chutar de qualquer jeito para frente. Chutou mal, as camaronesas recuperaram a bola e, em passe de Gabrielle Onguene na ponta, ela rolou para o meio e Njoya Nchout finalizou muito bem, bonito, e marcou um golaço. A raiva estava estampada na cara da jogadora.

Só que o gol foi anulado por impedimento, corretamente marcado pela árbitra depois de ser mostrado na imagem revisada pelo VAR. As jogadoras camaronesas estavam revoltadas. Pediam que a árbitra revisasse o lance, o que não é necessário, já que impedimento não é passível de interpretação. Nchout, muito revoltada, chorava em campo. O técnico precisou conter algumas das jogadoras. A impressão é que as jogadoras querem abandonar o gramado.

A árbitra Liang Qin teve que falar com a capitã de Camarões, Gabrielle Onguene, para explicar o lance, o impedimento, e a capitã conversou e pareceu convencer as companheiras a se recomporem e continuarem o jogo.

Castigo inglês

Logo depois do jogo ser retomado, Camarões teve uma chance incrível para marcar. Greenwood recuou mal a bola e deixou nos pés de Takounda, que estava livre. Ela bateu muito mal e a goleira Bardsley defendeu. Logo em seguida, viria o castigo.

O nervosismo era grande, os dois times pareciam sentir. Com 12 minutos do segundo tempo, em um escanteio que foi dado de graça por Augustine Ejangue. Ela tentou dar uma bola de calcanhar, errou, a bola foi para a linha de fundo. Na cobrança, Toni Duggan bateu bem, aberto e rasteiro, para a chegada de Alex Greenwood, pegando de primeira e marcando: Inglaterra 3 a 0.

Camarões ia mal na sua marcação. Nos gols ingleses, as camaronesas estavam marcando a bola, não as jogadoras, e acabaram sofrendo dois dos três gols em espaços deixados por suas defensoras. Neste terceiro gol, isso ficou claro. Foi uma jogada ensaiada, com muito mérito para as inglesas, mas as camaronesas permitiram uma finalização de dentro da área em uma cobrança de escanteio rasteira.

Muitos gols perdidos

Apesar do placar de 3 a 0, as camaronesas não faziam um jogo ruim, nem mereciam o placar. O problema é que perdiam gols em profusão. Apesar de criarem boas jogadas, finalizavam mal. Nchout, autora do gol invalidado pelo impedimento, teve outra chance, mas desta vez perdeu, chutando por cima do gol.

Camarões chegava ao ataque, mas errava sempre para concluir as jogadas. As chances apareceram, mas sem conseguir nem um gol que ajudasse a dar mais motivação. As inglesas ofereceram espaço na defesa. Só que com o passar dos minutos, foi a Inglaterra que começou a ter chances nos erros das camaronesas. Um gol de Camarões, que parecia iminente, passou a ficar mais distante. As inglesas chegavam mais.

Próximo duelo

Com a vitória, a Inglaterra vai para as quartas de final e já sabe qual será a sua adversária: a Noruega, que eliminou a Austrália neste sábado. Os dois times entram em campo na quinta-feira, 27, no Stade Océane, em Le Havre, às 16h (de Brasília).

Ficha técnica

Inglaterra 3×0 Camarões

Local: Stade du Hainaut, em Valenciennes
Árbitra: Liang Qin (China)
Gols: Stephanie Houghton aos 15’/1T, Ellen White aos 49’/2T, Alex Greenwood aos 13’/2T (Inglaterra)
Cartões amarelos: Yvonne Leuko, Alexandra Takounda (Camarões)

Inglaterra: Karen Bardsley; Lucy Bronze, Stephanie Houghton, Millie Bright e Alex Greenwood; Keira Walsh; Nikita Parris (Leah Williamson), Jill Scott (Lucy Staniforth), Francesca Kirby e Toni Duggan; Ellen White (Jodie Taylor). Técnico: Phil Neville

Camarões: Annette Flore Ngo Ndom; Augustine Ejangue (Ysis Sokeng), Aurelle Awona, Estelle Johnson e Yvonne Leuko; Jeannette Yango e Raissa Feudjio; Njoya Nchout, Michaela Abam (Ninon Abena) e Gabrielle Onguene; Gaelle Enganamouit (Alexandra Takounda). Técnico: Alain Djeumfa