Não foi a partida mais bem jogada da Copa do Mundo. Mas foi uma das mais tensas, das mais brigadas. A Inglaterra abriu o placar das oitavas de final com Harry Kane, cobrando pênalti. O árbitro perdeu o controle do jogo e começou a espalhar cartões amarelos. Ficou tudo travado. Nos acréscimos, Yerri Mina, novamente mortal nas bolas paradas, empatou em 1 a 1. Os ingleses sobreviveram a primeiros 15 minutos extras muito ruins e levaram aos pênaltis. O histórico era todo contra: a campeã mundial de 1966 havia perdido todas as três disputas a partir da marca do cal que disputara em Mundiais – sem falar nas três da Eurocopa. Desta vez, foi diferente. Eric Dier executou o chute que encerrou a maldição e colocou a Inglaterra nas quartas de final. 

Defesas prevalecem

A partida começou até que bem movimentada, mas rapidamente as defesas passaram a prevalecer sobre os ataques. A Inglaterra fechou-se com uma linha de cinco defensores atrás de outra de três, com Kane e Sterling começando a pressão lá na frente. Contribuiu a ausência de James Rodríguez, machucado e fora até do banco de reservas para que a primeira finalização colombiana surgisse apenas aos 22 minutos. No outro lado, o encaixe individual sul-americano esteve muito bem, principalmente nas antecipações e no fechamento dos espaços. A Inglaterra teve algumas oportunidades de usar a bola parada, sua grande arma na Rússia, mas sem grandes efeitos. A melhor chance surgiu em um cruzamento de Trippier para a segunda trave. Kane não conseguiu direcionar o cabeceio. 

Sterling mal (de novo)

Quando Guardiola usa pontas, a instrução é que eles fiquem bem abertos, para expandir a defesa adversária. A ideia é que toquem a bola apenas no momento em que estão no mano a mano ou com corredores para entrar na área e definir as jogadas. Isso favoreceu Sterling a fazer a melhor temporada da sua vida antes da Copa do Mundo. Na seleção inglesa, porém, ele tem outra função. Atua como segundo atacante e frequentemente precisa ajudar a carregar a pelota até o ataque, muito mais por dentro do que pelos flancos, onde atuam os alas Trippier e Ashley Young. Tocando mais na bola, erra mais também. E não tem feito um grande Mundial. 

Pênalti e jogo quente

O primeiro entrevero do jogo foi no primeiro tempo, com uma cabeçada de Barríos em Henderson, que valeu cartão amarelo para o colombiano. No segundo, o jogo ficou ainda mais quente. Principalmente depois que Carlos Sánchez cometeu pênalti em Harry Kane, seu segundo na Copa do Mundo. Sánchez e Henderson foram advertidos no lance. Kane bateu bem e fez 1 a 0 para a Inglaterra, seu sexto gol no Mundial e o terceiro de pênalti. O árbitro, que já não estava com um bom controle do jogo, perdeu totalmente a autoridade. Ninguém mais respeitava suas decisões. E os cartões amarelos vieram em profusão. A partida chegou a oito, índice altíssimo para a média do campeonato. 

Defesa inglesa impecável. Ou quase

O sistema defensivo da Inglaterra foi o seu grande destaque durante os 90 minutos – até porque o ataque perdeu alguns contras que poderiam ter matado o jogo. Praticamente todas as finalizações da Colômbia foram de fora da área. As duas que Pickford precisou defender, antes dos acréscimos, foram sem perigo. No entanto, a bomba de longe de Uribe exigiu bastante trabalho do goleiro do Everton. Foi uma grande intervenção ao espalmar uma bola que iria no ângulo. Na cobrança de escanteio, Yerri Mina, justamente o zagueiro artilheiro da Copa do Mundo, não estava devidamente marcado. E Trippier, em cima da linha, limitou a movimentação de Pickford. Gol da Colômbia. Prorrogação. 

Inglaterra derrete

O equilíbrio mental que a Inglaterra tinha surpreendentemente demonstrado durante o tempo normal derreteu com o gol de Mina. A Colômbia dominou completamente o primeiro tempo da prorrogação, cruzando a bola na área de Pickford sempre com muito perigo. No entanto, as melhores chances do tempo extra acabaram sendo inglesas. Na segunda etapa, Rose teve um chute cruzado muito perigoso. Dier, de cabeça, também teve uma boa oportunidade. Mas nenhuma bola entrou. E a partida foi para os pênaltis.

Maldição inglesa

A Inglaterra passou por três disputas de pênaltis em Copas do Mundo antes desta: em 1990, 1998 e 2006. Perdeu todas. A Colômbia chegou fresca, sem nunca ter passado por esta provação. Falcao encheu o pé no meio do gol e fez 1 a 0. Kane respondeu com uma bela cobrança: 1 a 1. Quadrado, Rashford e Muriel conferiram. Henderson até bateu bem, mas não o suficiente. Ospina voou para defender. Uribe encheu o pé no travessão e salvou o capitão do Liverpool. Tripeiro bateu muito bem e empatou: 4 a 3. Bacca tentou o meio, e Pickford defendeu. A bola da classificação ficou com Eric Dier. E a Inglaterra passou. 

Ficha técnica

Colômbia 1 (3) x (4) 1 Inglaterra

Local: Estádio Spartak, em Moscou
Árbitro: Mark Geiger (EUA)
Gols: Harry Kane (ING); Yerri Mina (COL)
Cartões amarelos: Wilmar Barríos,  Santiago Arias, Carlos Sánchez, Falcao García, Carlos Bacca e Juan Cuadrado (COL); Jordan Henderson e Jesse Lingard (ING)

Colômbia: David Ospina; Santiago Arias (Cristián Zapata), Yerri Mina, Davinson Sánchez e Johan Mojica; Wilmar Barríos, Carlos Sánchez (Mateus Uribe) e Jefferson Lerma (Carlos Bacca); Juan Cuadrado, Juan Quintero (Luis Muriel) e Falcao García. Técnico: José Pékerman

Inglaterra: Jordan Pickford; Kyle Walker (Marcus Rashford), John Stones e Harry Maguire; Kieran Trippier, Jesse Lingard, Jordan Henderson e Ashley Young (Danny Rose); Dele Alli (Eric Dier), Raheem Sterling (Jamie Vardy) e Harry Kane. Técnico: Gareth Southgate