A força que uma Copa do Mundo pode ter é incomparável. O Mundial Feminino neste ano, na França, tem sido uma porta de entrada para muita gente à modalidade, e os altos índices de audiência estão fazendo organizações com dinheiro e relevância pensarem em como entrar nisso. O mais recente capítulo que comprova isso é o interesse da Premier League de assumir a organização do Campeonato Inglês de futebol feminino, segundo noticia a BBC.

Segundo a emissora britânica, os clubes que compõem a Premier League concordaram, de maneira unânime, em fazer um estudo de viabilidade da incorporação da chamada Women’s Super League.

A Federação Inglesa de Futebol (FA) estaria aberta à ideia, e, segundo a BBC, ambas as partes têm tido conversas sobre isso há cerca de seis meses. Por ora, não há nenhuma previsão de quando essa negociação deverá ser finalizada, e o processo poderia estar ainda a temporadas de acontecer.

Como aponta a BBC, dos 22 clubes das duas primeiras divisões da pirâmide do futebol feminino na Inglaterra, 13 deles são da Premier League masculina. Alguns deles, de acordo com a emissora, acreditam que a liga feminina poderia ser administrada com mais profissionalismo – embora valha ressaltar que a primeira divisão feminina inglesa é a única na Europa a contar com todos os seus clubes profissionalizados.

O interesse desses clubes da Premier League e o fato de que eles estão interessados em melhorar o nível de seu campeonato feminino, aproveitando a onda de sucesso da modalidade, se juntam à conveniência para criar, já na próxima temporada, uma possibilidade bastante empolgante: a realização das partidas de abertura do campeonato em grandes estádios da elite inglesa.

A primeira rodada da Women’s Super League 2019/20 acontecerá durante uma pausa de data Fifa, o que significa que os estádios de clubes da Premier League estariam livres. Melhor ainda, equipes como Manchester City, Arsenal, Chelsea e Liverpool fazem seus jogos de estreia em casa, o que possibilitaria uma primeira rodada do futebol feminino com duelos em quatro grandes estádios do país de um total de seis jogos.

A atual Copa do Mundo na França tem atraído interesse sem precedentes na competição ou na modalidade. Se aqui no Brasil, o jogo da Seleção contra as francesas rendeu ao Mundial sua maior audiência de um só país em sua história, com 35 milhões de pessoas, na Inglaterra os números são também impressionantes.

Como explica o jornal Telegraph, 11,7 milhões de pessoas acompanharam à derrota da Inglaterra para os Estados Unidos nesta terça-feira (2). O número representa a maior audiência de toda a TV inglesa em 2019, batendo inclusive a final da Champions League entre dois clubes ingleses, Liverpool e Tottenham, em maio (11,3 milhões).

A FA criou a Women’s Super League em 2011 e fez o torneio crescer desde então. No ano passado, anunciou um aumento de investimento de £ 50 milhões ao longo de seis anos, sem falar que atualmente está na metade de um plano de crescimento para impulsionar a participação de atletas e criar um sistema de alto rendimento. Ainda assim, problemas existem, e algumas personagens importantes têm sido vocais sobre as melhorias que precisam ser feitas.

A treinadora do Chelsea, Emma Hayes, se queixou da organização da federação, que criou um calendário na temporada 2018/19 com espaços de tempo longos entre rodadas, diminuindo a competitividade das equipes inglesas na Champions League. Hayes, aliás, já pediu que a Premier League se envolvesse na competição.

Além da Copa do Mundo, outra coisa que torna propício o momento para o investimento no futebol feminino inglês é, claro, a Olimpíada do ano que vem, em Tóquio, e talvez mais importante, o fato de que a Inglaterra irá sediar a edição de 2021 da Euro feminina.

Com o barulho feito pela Copa do Mundo deste ano, parece que estamos, de fato, diante da primavera do futebol feminino – ao menos na Europa.