Números recém-divulgados pelo Ministério do Interior do Reino Unido confirmam uma impressão que temos tido recentemente: o futebol tem sido palco de mais crimes de ódio. Segundo o ministério, Inglaterra e País de Gales tiveram aumento de 47% em crimes de ódio em partidas de futebol na temporada 2018/19 em comparação com a temporada anterior.

Entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho de 2019, foram denunciados incidentes de crime de ódio em 193 partidas, em comparação com 131 jogos no ano anterior. Desses episódios, o Ministério do Interior diz que 79% foram relacionados a raça. Por outro lado, prisões relacionadas a futebol diminuíram em 10%, com 1.381 casos, maioria deles (524) por desordem pública; violência (260 casos) e invasões de campo (158) fecham o pódio.

O governo explica que o aumento em crimes de ódio pode ser explicado por melhorias no registro de dados e no aumento de denúncias, o que seria um jeito positivo de olhar para os números. Ainda assim, o relatório elevou o alerta de organizações como a Kick It Out.

A instituição que combate o racismo no futebol reconhece que é “encorajador ver que mais pessoas estão confortáveis em denunciar discriminação”, mas que é “inegável que estamos experimentando um aumento do comportamento de ódio no esporte e na sociedade em geral”.

Na atual temporada, Tammy Abraham, do Chelsea, e Paul Pogba, do Manchester United, foram vítimas de ataques racistas nas redes sociais depois de desperdiçarem pênaltis por seus respectivos times. Os números citados pelo Ministério do Interior, no entanto, abrangem apenas incidentes nos estádios, durante partidas. Como, por exemplo, a casca de banana arremessada em direção a Aubameyang por um torcedor do Tottenham ou os insultos racistas a Sterling quando o City foi jogar no Stamford Bridge contra o Chelsea, na temporada passada.

Mark Roberts, vice-chefe de polícia e líder de policiamento em partidas de futebol do Conselho Nacional de Chefes de Polícia, ressaltou que crimes de ódio estão em ascensão e que os casos envolvendo Sterling e Aubameyang são reflexos disso.

Apesar de ter sido usado como exemplo por Koulibaly para o que a Itália poderia fazer para lidar com seu problema de racismo nos estádios, o futebol inglês quer melhorar seu ambiente, sobretudo diante dos números revelados pelo Ministério do Interior.