O Wolverhampton anunciou nesta quarta-feira (15) que, a partir da próxima temporada, terá uma seção de seu estádio com barras à frente das cadeiras, encontrando um meio-termo hoje permitido pela legislação britânica de segurança nos estádios.

Desde a tragédia de Hillsborough, em 1989, o futebol inglês regrediu muito em sua relação com o torcedor, começando pela implementação de regras de segurança que sufocaram o ambiente do estádio e chegando inevitavelmente à exclusão econômica de classes mais populares, incapazes de pagar as entradas para ver seu time do coração jogar. Ambas as questões são discutidas há anos na elite do futebol inglês, e a primeira delas acaba de dar um passo importante com a novidade dos Wolves.

No ano passado, uma mudança na legislação pela Sports Ground Safety Authority (SGSA, órgão consultor de segurança em estádios para o governo do Reino Unido) abriu o caminho para a introdução de barras à frente das cadeiras. A alteração ainda não garante a liberação de seções do estádio sem cadeiras, objetivo final dos grupos que lutam pela volta de uma atmosfera mais favorável aos torcedores, mas é um “meio-termo muito forte”, nas palavras do diretor executivo do Wolverhampton, Laurie Dalrymple.

O momento é bastante oportuno para os lobos. A arquibancada Sir Jack Hayward, posicionada atrás de um dos gols, precisava ter suas cadeiras trocadas. Aproveitando as novas diretrizes, o clube fez uma pesquisa com seus torcedores proprietários de ingressos fixos nesta seção do estádio para saber o que eles achavam da introdução das barras. A resposta foi massivamente positiva: 97% disseram ser a favor da novidade.

Em entrevista à BBC, Dalrymple disse que o clube já teve problemas nessa parte do estádio, com torcedores pedindo para poder ficar de pé. Para ele, o momento é perfeito para isso diante das novas regras.

Estádio do Celtic conta com a tão desejada “safe standing” (Wikimedia Commons)

O documento da SGSA, referência para todos os administradores de estádios, fala de assentos “incorporando barras” de ferro horizontalmente posicionadas, uma forma de introduzir uma chance de a torcida ficar de pé ao mesmo tempo em que respeita a legislação atual que exige que os estádios tenham cadeiras em todas as suas arquibancadas. Dalrymple não tem dúvidas de que outros clubes deverão seguir o exemplo dos Wolves.

A tendência de fato é essa. Na construção de seu novo estádio, o Tottenham destinou duas áreas para assentos com barras: cerca de seis mil cadeiras no pé da arquibancada South Stand, a imponente seção do estádio com capacidade total de 17 mil, e mais 1.500 lugares com o novo esquema de barras incorporadas no setor de visitantes.

Novo estádio do Tottenham vem com duas áreas com assentos parecidos com o que o Wolverhampton quer implementar (Divulgação)

Embora um importante passo, como apontou o dirigente dos Wolves, isso é só o começo para clubes e torcedores. Vocais como em poucos lugares, as torcidas na Inglaterra não querem mais esperar sentadas por uma volta a um tempo em que ir ao estádio não se assemelhava tanto a frequentar um espetáculo em que o público é passivo. No entanto, nada será feito sem acompanhamento meticuloso da SGSA. Afinal, esse retorno tão esperado ao passado não pode vir acompanhado da insegurança que marcou a década de 1980, com os desastres de Hillsborough e Heysel.