Quando a Inglaterra enfrentou Montenegro fora de casa, no último mês de março, jogadores negros do seu elenco, como Raheem Sterling e Danny Rose, sofreram ofensas racistas da torcida local. Caso isso aconteça novamente, a seleção inglesa está preparada para abandonar o campo, segundo o jovem atacante Tammy Abraham, prestes a fazer seu primeiro jogo oficial pelo time.

A seleção inglesa enfrentará Tchéquia e Bulgária na estrada nesta próxima semana. O jogo contra os búlgaros é particularmente de risco porque o estádio já está parcialmente fechado devido a uma punição por ofensas preconceituosas contra tchecos e o Kosovo, em junho.

A Uefa determina um procedimento com três passos em casos racismo: um alerta no sistema de som do estádio seguido por uma paralisação momentânea da partida e, se mesmo assim, as ofensas não pararem, o jogo seria interrompido de vez. Abraham acredita que a Inglaterra deveria pular direto para o terceiro passo, caso o time inteiro concorde.

“Tivemos reuniões sobre isso e conversamos sobre como lidar com a situação”, afirmou, segundo o Guardian. “Harry Kane (o capitão do time) até disse que, se acontecer, e não estivermos felizes com isso, vamos todos deixar o gramado juntos”.

“É um negócio de time, sem isolar uma única pessoa. Harry questionou se, em vez de passar pelos três passos, se decidirmos que queremos parar o jogo, independente do placar, se não estivermos felizes como um time, vamos decidir se ficaremos ou não em campo”.

“Ninguém quer isso no futebol. Não está afetando apenas uma pessoa, afeta o time. Se decidirmos que não queremos jogar este jogo pelo que está acontecendo, vamos sair como um time e deixaremos a Federação Inglesa ou quem quer que seja lidar com o que acontece depois, o placar, ou o que acontece com os pontos. No momento, o que importa é assegurar que somos um time, que não toleramos isso e queremos que o mundo veja que não toleramos esse tipo de ofensa tola”, disse.

Sobre os três passos, Abraham afirma que eles apenas dão uma desculpa para os racistas. “Para mim, basta um único strike. Como estávamos dizendo, se acontecer, e vamos dizer que haja um alerta ou qualquer coisa assim no estádio, e acontecer de novo, temos que tomar a decisão com o time e com a comissão técnica”, acrescentou.

Abraham foi alvo de ofensas racistas pelas redes sociais depois de perder um pênalti pelo Chelsea na Supercopa da Uefa contra o Liverpool. “Lidei com isso da melhor maneira possível. Fiquei longe do Twitter e de todas as redes sociais e passei um tempo com meus companheiros e minha família. Eu falei várias vezes sobre isso. Não é aceitável. Não é uma desculpa para as pessoas se esconderem por trás dos computadores e dizer o que querem dizer. Quem não tiver minha personalidade pode ser mais afetado por isso”, afirmou.

Depois das ofensas em Montenegro, Sterling, um dos líderes do time, afirmou que não era a favor de abandonar a partida. “Pessoalmente, não concordaria em sair de campo. Ganhar o jogo machucaria os racistas ainda mais. Eles estão tentando te derrubar. Se você sair, eles vencem. Marcar um gol ou conquistar a vitória seria a melhor forma de respondê-los”, disse, à época.

Abraham, descendente de nigerianos, foi cortejado pela seleção do país africano porque até agora disputou apenas jogos amistosos pela Inglaterra, mas parece ter tomado a sua decisão. Se entrar em campo nas próximas duas partidas pelas Eliminatórias da Eurocopa, estará comprometido com os ingleses.

“Meu sonho sempre foi jogar pela Inglaterra. Eu nasci e cresci na Inglaterra. A Nigéria é uma grande nação, amo as duas. Minha cabeça está presa à Inglaterra. Quando você está jogando na Premier League ou na Inglaterra, você sempre quer jogar pela Inglaterra. Estou aqui e pronto para ficar. Quero fazer meu melhor e isso significa jogar bem pelo meu clube e meu país”, disse.