Os números estão em milhões de euros. Nos gráficos das ligas específicas, a segunda coluna representa quanto do total desembolsado naquele ano foi investido pelos três clubes que mais gastaram; a terceira coluna, em relação ao total gasto pelas cinco ligas mais ricas da Europa; € 1 = R$ 3,74

Há uma sensação forte de que o mercado de transferências mundial inflacionou, e os números de um relatório publicado pelo Observatório do Futebol, que analisou as movimentações do mercado de transferências entre 2010 e 2016, apenas a a comprovam. Em 2010 (juntando os valores da janela de janeiro com os números da do meio do ano), as cinco principais ligas gastaram € 1,5 milhão em reforços. Em 2016, o total subiu para € 4,2 bilhões. Um aumento de 236%.

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Adivinha qual liga impulsionou esse crescimento? Há 11 integrantes da Premier League entre os 20 clubes que mais gastaram este ano, dos grandes ao Watford e ao Bournemouth.

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A Premier League multiplicou por quatro o seu investimento em jogadores nos últimos sete anos. Pulou de € 475 milhões para € 1,7 bilhão. Lembrando que a janela de verão de 2016 foi a primeira em que os clubes já tinham no bolso o dinheiro do maior contrato de TV da história.

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Em comparação, a Itália (de € 405 milhões para € 855 milhões, sendo que o patamar atual foi mantido em relação ao ano passado) apenas dobrou os seus gastos.

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A Espanha (de € 300 milhões para € 590 milhões, com um pico de € 619 milhões em 2015) também.

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Quem acompanhou a Premier League no aumento do poder de investimento foi a Bundesliga, que vem tentando competir com os ingleses à sua maneira. Também multiplicou seus gastos por quatro nos últimos sete anos: de € 177 milhões para € 698 milhões. E houve um acréscimo significativo em relação a 2015, quando os clubes alemães da primeira divisão gastaram juntos apenas € 494 milhões. “Isso indica a saúde econômica robusta dos times da Bundesliga. Não há dúvidas de que esses números continuarão a crescer nos próximos anos”, conclui o relatório.

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O Manchester City foi o clube das cinco ligas mais ricas da Europa (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) que mais gastou com jogador nos últimos sete anos. Desembolsou € 1 bilhão para se tornar uma força da Inglaterra e do continente. Aliás, começou a se aproximar das primeiras posições da Premier League justamente a partir do primeiro ano observado – foi quinto colocado na temporada 2009/10, depois de um décimo lugar no campeonato anterior.

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O Liverpool, por sua vez, foi o time que recebeu mais dinheiro com venda de jogadores nesse mesmo período – € 442 milhões – aparece em sexto lugar na lista de clubes que mais gastou com transferências. Ou seja, apesar de um gasto bruto de € 221 milhões, investiu menos que os seus principais rivais. E investiu errado. Dois fatores que ajudam a explicar a decadência do clube, que começou justamente em 2010. Até aquele momento, disputava frequentemente a Champions League, mas, desde então, participou apenas uma vez da principal competição europeia de clubes.

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O problema da atual dinâmica do mercado, que dialoga com as mudanças anunciadas pela Uefa sobre as vagas da Champions League a partir de 2018/19, é que a tendência é que o dinheiro gasto pelas cinco ligas continue circulando entre elas. Do total de € 19,5 bilhões que foram gastos em transferências entre 2010 e 2016 pelos times desses campeonatos, € 12,9 bilhões ficaram nas mãos de clubes que disputam os mesmos torneios. Ou seja, aproximadamente dois terços.

Há apenas dois intrusos na lista de 20 clubes que mais receberam dinheiro por transferências de jogadores nos últimos sete anos: os grandes vendedores Benfica (€ 414 milhões) e Porto (€ 382 milhões), respectivamente, em quarto e quinto lugar no ranking. “A capacidade excepcional de clubes portugueses em gerar receita no mercado de transferência está ligada ao prestígio e competitividade deles, mas também a alianças estratégicas com intermediários chaves e investidores, tanto na Europa, quanto na América do Sul”, explica o relatório.