O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse nesta quarta-feira que os árbitros terão poder de encerrar os jogos em caso de discriminação, como racismo. Há um temor em relação ao comportamento de torcedores na Rússia, um país que já teve diversos problemas com racismo e homofobia, sempre negligenciados por autoridades do futebol como a Uefa e a Fifa. Segundo o dirigente, porém, a Fifa está preparada e essa é uma questão que não preocupa.

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O lateral Danny Rose, da Inglaterra, disse nesta semana que pediu à família para não ir à Rússia, com medo de racismo. Infantino disse que foram definidas medidas para caso de ocorrer problemas nesse sentido, alertando sobre as consequências sérias em casos como esses. “Eu não diria que nós estamos preocupados com discriminação, direitos humanos e segurança, mas nós os levamos muito a sério. Nós tomamos as medidas apropriadas no processo de preparação”, afirmou o dirigente.

“Nós teremos claros procedimentos, incluindo um processo de três passos para os árbitros, que podem parar, suspender e até mesmo abandonar as partidas em casos de discriminação. Nós temos um sistema de monitoramento e então ações imediatas se algo acontecer. Nós obviamente desejamos que não aconteça e todo mundo foi alertado que se acontecer haverão consequências sérias”, continuou o dirigente.

O discurso é bonito, mas nós temos todos os motivos para desconfiar que a Fifa irá mesmo tomar medidas contra discriminação. Até hoje, o máximo que vimos foram punições com multas e pouca ação além disso. Em um país com um histórico tão complicado nesse sentido como a Rússia, o que se espera é ir além, tratar com a seriedade que questões como essa merecem, incluindo medidas criminais, se forem necessárias.

Uso do VAR

A 21ª Copa do Mundo da história será a primeira a usar o Video Assistant Referee, o VAR, e Infantino está confiante no uso do sistema. “O futebol está pronto para a introdução do VAR, nós estamos testando pelos últimos dois anos. Nós estamos estudando e estamos convencidos dos benefícios disso. Não irá resolver 100% das questões, mas será uma grande ajuda para os árbitros e nós temos que ajudar a arbitragem como nós pudermos”, afirmou o dirigente.

“Em 2018, não é concebível que todo mundo no estádio ou em casa saiba em segundos que o árbitro cometeu um grande erro e isso pode acontecer porque eles são humanos. O único que não sabe é o árbitro, não porque ele não quer saber, mas porque é proibido para ele saber. Agora nós permitimos que ele saiba e isso irá trazer mais justiça ao jogo. Os árbitros sempre terão a decisão final”, continuou.