Gianni Infantino falou com o jornal L’Equipe sobre como se tornou presidente da Fifa. Ex-secretário-geral da Uefa, o dirigente afirmou que conversou com Michel Platini, que era o candidato da Uefa, mas acabou impedido de concorrer por ter sido suspenso do futebol, junto com Joseph Blatter, por um pagamento considerado irregular. Os dois acabaram banidos do futebol pelo Comitê de Ética da Fifa. Assim, sem Platini, foi Infantino o escolhido da Uefa para ser candidato à presidência da Fifa. E acabou vencendo. Ele nega que tenha ajudado a puxar o tapete do ex-chefe para ficar com a posição.

LEIA TAMBÉM: A sujeira chegou na cúpula: Blatter é acusado por corrupção, e até Platini foi envolvido

Em 2015, havia uma expectativa de mudança de poder na Fifa. Se especulava sobre a candidatura de Michel Platini para suceder Joseph Blatter no comando da entidade. O problema é que este último não parecia muito disposto a largar o osso. Só que veio o Fifagate, em maio daquele ano, e uma devastação de dirigentes presos. Blatter acabou se reelegendo mesmo assim, mas não durou muito tempo no cargo.

Um escândalo com o pagamento de pagamento a Michel Platini, justificado como uma consultoria do francês à entidade, derrubou ambos dos seus cargos de presidente da Fifa e da Uefa. Blatter renunciou ao cargo e convocou novas eleições para 2016. Infantino foi escolhido como representante da Uefa, no lugar de Platini, mas o dirigente conta que tudo era preparado para Platini e sua suspensão acabou sendo uma surpresa.

“Eu não pulei na chance. Até aquele momento, a ideia de ser presidente da Fifa não tinha nem passado pela minha cabeça”, afirmou o dirigente em resposta, por e-mail, ao L’Equipe.  Ele negou que tenha armado para derrubar o seu chefe de então para assumir o posto. “Eu não telefonei para ele, fui vê-lo em pessoa com um vice-presidente da Uefa”, respondeu. “Nós conversamos sobre a situação, sobre a minha candidatura, sobre a minha candidatura e o fato que eu desistiria no minuto que as coisas fossem esclarecidas”, contou.

“Eu fui para perguntar a opinião dele e pela sua luz verde. E ele me deu isso”, continuou. Perguntado se Platini poderia se sentir traído, ele refutou imediatamente. “Francamente, não. Eu entendo que em certas situações, nós temos o reflexo de olhar por aqueles que são responsáveis, mas isso não deveria nos impedi-lo de ver claramente”, afirmou ele.

“Antes do pagamento de Joseph Blatter ser revelado, eu estava, junto com outros, preparando a campanha de Michel para a presidência da Fifa. A notícia veio como um céu caindo nas nossas cabeças, como dizem em Asterix. Nós estamos devastados, tanto quanto outros. E para ser muito claro, eu não estou feliz com a situação de Michel, isso nunca me fez feliz. Mas não há razão para implicar motivos e ter teorias da conspiração, produzidas sem prova”, afirmou.