A pandemia do coronavírus fez com que todo o futebol seja paralisado. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, falou sobre a ajuda que a entidade irá fornecer neste momento de crise e que a saúde deve ser a primeira prioridade. Falou sobre ajuda da entidade para a Organização Mundial de Saúde, além de apoio a Confederações. O dirigente falou sobre a questão de uma reforma no calendário, que, para ele, terá que diminuir o número de torneios, times e jogos. Assim, a prioridade seria saúde dos jogadores, fazendo também os torneios mais competitivos e com mais qualidade.

“Saúde vem primeiro, depois todo o resto”, afirmou Infantino, em entrevista à Gazzetta dello Sport. “Para os gestores, o resto significa esperar pelo melhor e esperar o pior. Sem entrar em pânico, vamos manter isso claro: nós iremos jogar novamente quando nós pudermos, sem colocar a saúde de ninguém em risco”.

“Federações e ligas estão prontas para seguir as recomendações do governo e da Organização Mundial de Saúde. Eu agradeço aos médicos, enfermeiros e todos aqueles que arriscam suas vidas para salvar outras. Eles são heróis”, continuou o presidente da Fifa.

“Nós mostramos um espírito de cooperação e solidariedade com a Europa e América do Sul”, afirmou o dirigente. “Agora, vamos pensar sobre o calendário das seleções, sobre as modificações temporárias e dispensas das regulações das situações dos jogadores e transferências”, afirmou Infantino. “Nós precisamos proteger contratos e adaptar os períodos de registro. Medidas são necessárias, porém. Mas não temos opção. Nós todos temos que fazer sacrifícios”.

“Eu não julgo ninguém. A Fifa já tinha uma colaboração de quatro anos com a OMS para promover um estilo de vida saudável. Mas esta é uma emergência. Nós lançamos uma campanha de conscientização com seis dos melhores técnicos pedindo que sigam cinco táticas chave: mãos, cotovelos, rosto, distância e contato”, afirmou ainda o presidente da Fifa.

Infantino confirmou que a Fifa usará seus recursos para socorrer o mundo do futebol que precisar de ajuda. “É claro. Graças à nossa sólida situação financeira, nós podemos tomar medidas de solidariedade”, afirmou o presidente. “US$ 10 milhões para o fundo da OMS. Então o estabelecimento de um fundo global de assistência ao futebol”.

“Graças aos últimos quatro anos, a Fifa está em excelente saúde e nós temos os recursos para fazer isso. A economia é para ajudar a Fifa em tempos de crise, mas esta é uma crise para o mundo do futebol e parece óbvio que nós temos que fazer tudo que podemos”, explicou o dirigente.

“Neste tipo de situação, a saúde é a prioridade máxima e medidas excepcionais são necessárias. Isso é simplesmente o que eu tenho feito. Eu sempre estive pronto para ajudar aqueles que precisam. Hoje, é Europa e América do Sul, amanhã podem ser outros. Foi isso que eu disse a Ceferin [presidente da Uefa] pelo telefone”, contou o presidente da Fifa.

Mundial de Clubes

Infantino ainda fala sobre o adiamento do Mundial de Clubes, que seria em 2021, para abrir espaço para a Eurocopa e Copa América, que foram adiadas. “Não é meu sonho [adiar o Mundial de Clubes], mas um torneio da Fifa para desenvolver futebol de clubes por todo o mundo”, disse Infantino. “Era alo que todos os clubes queriam, incluindo os principais clubes da Europa. Quando a Uefa criou a Champions League 30 anos atrás, houve uma insurreição de federações e ligas. Eles ficaram com medos de novidade”.

“Agora, é chamado de gênio. Fomos confrontados com o medo semelhante e inútil, mas todos serão beneficiados com isso. Vamos ver o que eles dirão em 30 anos”, disse Infantino. “Logo nós iremos decidir onde jogar a primeira edição em 2021, em 2022 ou ao menos em 2023. Mas não vamos esquecer uma coisa, apenas nós fazemos [pagamentos de] solidariedade global. A Copa do Mundo de Clubes e a Copa do Mundo são a única fonte de receita para a maioria das federações”.

“Sem isso [as Copas do Mundo], em mais de 100 países, não haveria nenhuma liga, categorias de base, futebol feminino, gramados. Adiar a Copa do mundo irá fazer a Fifa e as federações perderem centenas de milhões. Nós temos todos os meios para lidar com todas as perdas”, afirmou ainda o dirigente.

Reforma do calendário e menos jogos

Um dos pontos críticos para a retomada do futebol será o calendário. Como adaptar diante de tantas questões pela pandemia de coronavírus, será preciso readaptar e uma das ideias de Infantino é reduzir o número de jogos.

“As soluções para o calendário internacional deve levar em conta os interesses de todas as partes interessadas. É responsabilidade da Fifa. Nós iremos falar sobre isso com as confederações, federações, ligas, clubes, jogadores. Com certeza, todo mundo está pronto para dar um passo atrás, como nós”, declarou o dirigente.

“Há um risco. É necessária uma avaliação da economia global. É difícil agora, nós não sabemos quando isso vai voltar ao normal. Mas nós iremos olhar para oportunidades. Nós podemos talvez reformar o mundo do futebol ao dar um passo atrás. Com diferentes formatos. Menos torneios, mas mais interessantes. Talvez menos times, mas mais equilibrado. Menos jogos, para proteger a saúde dos jogadores, mas mais competitivos”, disse.

“Não é ficção científica, vamos conversar sobre isso. Nós quantificaremos os danos, vamos ver como podemos cobrir isso, nós temos que fazer sacrifícios. Aqueles que administrarem suas ‘empresas’ de uma maneira saudável, irão se beneficiar – então nós iremos começar de novo”, analisou Infantino. “Não do zero, nós somos privilegiados. Mas vamos salvar todo o futebol juntos, de uma crise que arrisca tudo ser irreversível”.

Nada de Superliga de Clubes

Um dos assuntos que vira e mexe voltam à tona é que a Superliga de Clubes pode acabar substituindo as competições de clubes pelo mundo. Ele diz que a intenção é fortalecer as competições pelo mundo. “Isso me faz rir”, afirmou. “E o que mais? Do que eu vejo, outros já estão planejando e organizando torneios ao redor do mundo, fora de estruturas institucionais, e sem respeito por como é organizado o mundo do futebol doméstico, continental e mundial”.

“No futebol nós temos que ter 50 seleções que podem ganhar a Copa do Mundo, não apenas oito na Europa e dois na América do Sul. Nós precisamos que haja 50 clubes que possam ganhar a Copa do Mundo de Clubes, o que parece melhor do que os cinco ou seis de hoje. Mas não é hora de falar sobre isso agora”, afirmou Infantino.

VAR

Um dos pontos que mais gera discussões no mundo é o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR, da sigla em inglês). E o presidente da Fifa defendeu a iniciativa. “O VAR hoje é indispensável. Se você usar apropriadamente, a crítica vai diminuir. Isso pode ser aperfeiçoado, mas o fato que em alguns países não cumprem totalmente o protocolo da IFAB”, disse o dirigente.

“É importante entender que o VAR ajuda o árbitro, e não é outra pessoa que toma as decisões. Nós iremos ter que investir mais, de acordo com a minha visão para 2020 a 2023, para ter uma luz do VAR, economia e funcional. Global”, continuou Infantino. “Vamos esclarecer de uma vez por todas: não há obrigação. Aqueles que não querem isso são livres para não usar isso. Mas pergunte aos críticos se eles queriam realmente voltar à Idade da Pedra”.

Serie A na Itália

Ainda não se sabe quando e como a Serie A irá retornar na Itália. Infantino é torcedor da Internazionale, mas não quis opinar sobre o que será feito na liga italiana. “Não seria certo dizer alguma coisa. E não é uma decisão da Fifa. Mas futebol e o scudetto e não parecem as coisas mais importantes neste momento”, disse o dirigente. “Até aqui, tem sido muito interessante. Parabéns à Juventus, Lazio e Inter. Bom, de fato, a Atalanta fez muito bem emocionando todos na Champions League”.