O Estádio Independência viveu uma grande noite na quarta-feira de futebol. Atlético Mineiro e Cruzeiro fizeram um clássico, que não pode ser chamado de mais um, porque foi um grande jogo. Depois de uma vitória por 3 a 0 no jogo de ida, o Cruzeiro foi até o estádio que se tornou a casa do Atlético para defender a vantagem. A palavra é mesmo essa: defender, porque era o que se esperava e o que aconteceu. Apesar disso, o jogo teve emoção, força e foi um duelo bastante interessante. A vitória foi do Atlético por 2 a 0, mas a classificação à semifinal da Copa do Brasil ficou com o Cruzeiro, que conseguiu se defender para manter a vantagem que construiu no jogo de ida.

As escalações

Os dois times vieram com novidades nas escalações. No Atlético, jogando em casa, um esquema 4-1-4-1. No gol e na defesa, o time habitual. No meio-campo, Jair era o único marcador. Elias atuava em uma linha mais avançada, ao lado de Juan Cazares, com Yimmy Chará de um lado e Rómulo Otero de outro. À frente, Alerrandro.

No Cruzeiro, Thiago Neves começou a partida no banco. Sem ele, entrou Fred no time. O time comandado por Mano Menezes teve o retorno do lateral direito Luis Orejuela, única alteração no time habitual da defesa. No meio, Lucas Romero e Henrique formaram a dupla de volantes, com Robinho de um lado e Marquinhos Gabriel de outro fechando uma segunda linha de quatro. No ataque, Pedro Rocha ao lado de Fred.

Pressão atleticana

O panorama do jogo foi o esperado. O Atlético teve 72% de posse de bola no primeiro tempo, chutou 10 vezes a gol e acertou quatro deles no alvo. Obrigou o goleiro Fábio a fazer duas defesas importantes ao longo da primeira etapa e evitar que os mandantes marcassem. O time comandado por Rodrigo Santana se impôs no jogo, pressionou, fez o jogo que tinha que fazer.

Do outro lado, porém, o Cruzeiro mostrou qualidade e também obrigou o goleiro Victor a intervir mais vezes o que a torcida do Atlético gostaria. Foram três defesas do goleiro do Galo na primeira etapa, sendo uma delas uma grande chance para marcar. Havia a pressão de quem estava atrás no placar, mas o lado azul celeste de Minas se mantinha perigoso o tempo todo.

GOLAÇO!

No final do primeiro tempo, o Atlético arrancou um gol. Chará recebeu nas imediações da área, abriu na direita para o lateral direito Patrick. Ele cruzou alto, na segunda trave, e Fábio Santos, o outro lateral, ajeitou de cabeça para o meio. Juan Cazares posicionou o corpo perfeitamente para girar e acertar um chutaço no canto: 1 a 0. Belo gol do Galo. A torcida foi à loucura no Independência, fazendo muito barulho.

Sufoco no fim do 1º tempo

Aproveitando o gol marcado já na reta final do primeiro tempo, o Atlético partiu para cima para tentar um segundo gol rapidamente, antes do intervalo. Marcou alto, com o time indo todo para o campo de ataque e sufocando a saída de bola do time azul celeste.

O goleiro Fábio, que já tinha feito uma boa defesa ao longo do primeiro tempo, aproveitou um lance que foi atingido em uma dividida para acalmar o time, ficando alguns segundos a mais no chão e tentando esfriar o ímpeto atleticano. O primeiro tempo terminou com o torcedor atleticano entoando “Eu acredito”, algo que se tornou bastante comum no time campeão da Libertadores de 2013 e da Copa do Brasil em 2014, com muitas viradas.

Gol anulado, expulsões e um copo atirado

O segundo tempo começou como o primeiro. E o Atlético pressionava, com muitos jogadores na área adversária em um escanteio. E como é bastante comum, o contra-ataque do escanteio, bem posicionado, foi mortal. Depois de cruzamento, bola afastada pela defesa cruzeirense e uma série de erros. O primeiro foi que Fábio Santos subiu de cabeça, a zaga tirou de novo e a Raposa teve a bola para correr e muito campo pela frente.

No contra-ataque, depois de furadas e passes que foram curtos, a bola sobrou para Pedro Rocha, no lado esquerdo, soltar uma bomba, vencer o goleiro Victor e sair para o abraço. Tirou a camisa e ficou mostrando para a torcida do Atlético, tal qual Lionel Messi contra o Real Madrid. Os jogadores do Galo foram tirar satisfações, e entre encaradas daqui e de lá, duas expulsões: David pelo Cruzeiro e Alerrandro pelo Atlético. Os dois times ficaram com um jogador a menos depois da confusão.

As coisas esquentaram mais ainda porque atiraram um copo em campo e o zagueiro Dedé pegou do gramado e ficou com o braço erguido, mostrando o objeto. Mais ainda: o árbitro foi revisar no vídeo o gol, depois de ser chamado pelo VAR. Não se sabia se o que estava sendo revisado eram as expulsões, a confusão ou o gol.

Era o gol. Foi marcada uma falta no início do contra-ataque, de Marquinhos Gabriel em cima de Fábio Santos, a famosa cama de gato. Uma falta marcável, mas não é indiscutível, o que leva muita gente a justamente questionar se esse é o tipo de lance que deveria ser usado como premissa para anular um gol. O fato é que foi. O placar foi corrigido: nada de gol do Cruzeiro.

Atlético coloca mais jogadores de frente

Diz o ditado: perdido por um, perdido por 10. Bom, no caso do Atlético, a derrota no placar agregado era de 3 a 1 e, então, o técnico Rodrigo Santana fez suas substituições para tornar o time ainda mais ofensivo. No início do segundo tempo tirou Elias e colocou Luan; depois, tirou Otero e colocou Geuvânio. Por fim, já com os dois jogadores expulsos, um de cada lado, veio a mais ousada delas: a saída de Jair, volante, para a entrada de Ricardo Oliveira, centroavante.

Do outro lado, Fred saiu no início do segundo tempo e entrou David, pouco antes de Jadson substituir Robinho. Depois das expulsões, Mano Menezes tratou de fechar ainda mais a casinha com a saída de Pedro Rocha e a entrada do lateral esquerdo Dodô.

Galo em cima, mas Cruzeiro se defende bem

O Atlético ia com muito coração para cima, tinha muita posse de bola, rondava a área do Cruzeiro, mas pouco conseguia assustar. Foram incríveis 10 chutes a gol em toda a segunda etapa, mas só um acertou o alvo. O Atlético trabalhava pouco as jogadas, conseguia chegar ao ataque porque o Cruzeiro jogava recuado, querendo um contra-ataque para decidir o duelo.

Bem posicionado, o time azul de Belo Horizonte manteve a calma e conseguia assustar eventualmente. Inteligente taticamente, o time não perdeu a cabeça para manter-se vivo na Copa do Brasil. Dedé teve uma atuação excelente, praticamente perfeito nos muitos lances pelo alto que o Galo tentou. Taticamente o time foi bem, embora tecnicamente tenha falhado muito.

Galo arranca mais um golaço

O relógio já marcava 47 minutos, sem muito tempo para qualquer coisa. Mas eis que na base da pressão, Patrick pegou um rebote e, de fora da área, acertou uma bomba, no alto, para estufar a rede e marcar 2 a 0 para o Galo. Um fio de esperança para o time da casa, que teria poucos minutos para tentar um gol salvador, que levaria para os pênaltis.

No final, não deu tempo para mais nada. O Atlético venceu, merecidamente, por 2 a 0. Ficou a um gol de chegar à igualdade no placar agregado. A torcida do Galo reconheceu isso, fazendo festa mesmo após o apito final do árbitro. Os erros no primeiro jogo não foram apagados, mas o Atlético mostrou capacidade de ser competitivo, o que pode ser útil tanto na Copa Sul-Americana, que o time ainda disputa, e principalmente no Brasileirão, onde o time precisará ser assim constantemente para galgar posições e buscar uma vaga na Libertadores, ao menos.

O Cruzeiro fica com a vaga na próxima fase, a semifinal. Atual bicampeão do torneio, o time de Mano Menezes segue na disputa pelo terceiro título consecutivo para aumentar sua liderança em taças desta competição.

Ficha técnica

Atlético Mineiro 2×0 Cruzeiro

Local: Estádio Independência, em Belo Horizonte
Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (Brasil)