Se algum dirigente uruguaio acreditou mesmo na teoria que criaram de que a “Copa América Centenário estava armada para o México ser campeão”, qualquer devaneio veio abaixo neste sábado. E da maneira mais humilhante possível. No confronto que se desenhava o mais equilibrado das quartas de final, o Chile quebrou a balança. Os atuais campeões continentais tiveram uma partida digna de seus melhores momentos, intensa durante os 90 minutos. Mas com uma efetividade que nem com Jorge Sampaoli foi tão grande. A torcida mexicana presente em Santa Clara viu com perplexidade o massacre chileno. Pudera: os 7 a 0 aplicados pela equipe de Juan Antonio Pizzi não apenas igualam a maior goleada da história do Chile, como também marcam a pior derrota do México em jogos oficiais. E, no fim das contas, a impressão é de que até ficou barato.

O Chile fez uma partida brilhante do ponto de vista tático. Por mais que o México adote uma postura ofensiva, acabou travado pela marcação da Roja, sobretudo pela maneira como ocuparam a principal válvula de escape do time de Juan Carlos Osório, as pontas. Enquanto isso, os chilenos pressionavam a saída de bola, atacando com vigor e velocidade nas trocas de passes. Aos 15 minutos, saiu o primeiro gol. A partir de um rebote de Ochoa, Puch completou para as redes.

Por mais que o México ficasse um pouco mais com a bola, a marcação concentrada do Chile tornava inútil a posse dos adversários. Enquanto isso, as saídas fulminantes da Roja prometiam um placar mais elástico. Depois de um tento corretamente anulado pela arbitragem, o toque de bola envolvente rendeu o segundo gol pouco antes do intervalo. Alexis Sánchez fez grande jogada para Eduardo Vargas balançar as redes com frieza. Também pelo apoio, os laterais Beausejour e Fuenzalida faziam ótimas atuações.

Já no segundo tempo, Osório fez duas alterações no México. Acabou abrindo ainda mais a sua equipe, que, sem qualquer compactação, viu perplexa a fome de bola chilena. Alexis Sánchez anotou o terceiro, com extrema liberdade. A partir de então, brilhou Eduardo Vargas. O jogador questionável em seus clubes se torna um monstro na seleção. Fez mais dois antes dos 12 minutos. E, com Ochoa realizando boas defesas, o Chile não queria parar a goleada.

Do outro lado do campo, de maneira risível, o México tentava manter alguma honra descontando. Nada tão perigoso quanto o que acontecia diante da meta de Ochoa. O sexto saiu aos 28, com Vargas chegando ao seu quarto, a maior marca da Copa América desde 1957 – quando Evaristo de Macedo comandou a goleada brasileira sobre a Colômbia. Por fim, o golpe de misericórdia saiu aos 42, coroando a ótima atuação de Puch. Para não ampliar a agonia do México, Héber Roberto Lopes até preferiu encerrar a partida aos 45. Já nas arquibancadas, a revolta se percebia pelas vaias, pelos gritos de olé e pelos objetos atirados em campo.

Depois de uma primeira fase errante, até pelo início do trabalho de Pizzi, o Chile volta a se botar entre os favoritos. E se agigantando. Mesmo que o México tenha dado espaços, o ritmo alucinante da Roja valeu muito mais. Com os seus destaques afinados desta maneira, qualquer adversário na Copa América deve temer. Inclusive a Argentina, independente de todos os seus destaques. Nas semifinais, o desafiante dos chilenos será a Colômbia.

Por outro lado, é ver como o México lidará com este trauma imenso. Por seu elenco, pelo futebol nas primeiras partidas e pela torcida, El Tri almejava a taça. Mas acaba deixando o torneio em meio a um pesadelo, no qual a equipe sofreu um apagão de quase 90 minutos. Ainda que Juan Carlos Osório faça um trabalho interessante, ele não soube como lidar com os rumos da partida. E a diferença, tanto pelo placar quanto pela passividade, deve gerar muitos questionamentos.