Ídolo no clube, Shevchenko projeta: “Um dos meus objetivos é o retorno ao Milan como técnico”

Ex-atacante foi ídolo dos rossoneri, marcou época de 1999 a 2006 e quer retornar ao clube um dia, mas como treinador

O ex-atacante Andriy Shevchenko foi um dos melhores jogadores do início dos anos 2000 do Milan. Badalado pela excelente Champions League que fez pelo Dynamo de Kiev, em 1998/99, chegou à Itália. O Milan foi o clube pelo qual mais atuou, com 322 jogos e 175 gols, além de 45 assistências. Sua passagem pelo Chelsea, em seguida, foi um fracasso, ele voltou ao Milan por uma temporada, emprestado, antes de encerrar a carreira novamente na Ucrânia. Atualmente com 43 anos, o ex-jogador é técnico da seleção ucraniana e sonha em voltar ao clube de Milão um dia, desta vez no banco de reservas.

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O relacionamento de Shevchenko com o Milan é longo e construído com muito sucesso. “Meu Milan teve muitos grandes jogadores. Nós crescemos muito juntos, nós demos muitas emoções aos torcedores. Eu tenho muitas boas memórias. Há muitos homens de honra”, disse o jogador, que também contou ser próximo do antigo homem forte do futebol, Adriano Galliani. “Eu tenho um ótimo relacionamento com Galliani, ele frequentemente me manda mensagem com vídeos antigos”.

Entre os jogadores com quem mais teve proximidade, Shevchenko apontou algumas referências daqueles anos. “Costacurta, Albertini e Ambrosini eram os mais próximos de mim no começo. Eu também construí um bom relacionamento com Paolo Maldini”, respondeu o antigo ídolo da camisa 7 do Milan.

Perguntado sobre qual seu gol mais bonito, o ucraniano citou dois. “Eu fiz muitos gols bonitos, mas os que mais importam são aqueles que te fazem entrar para a história. Eu estou pensando, por exemplo, naquele contra a Inter nas semifinais da Champions League de 2003, ou aquele de cabeça na Supercopa da Uefa contra o Porto, em Monaco”, contou.

https://youtu.be/g6BSyXzdWsI?t=433

“Neste momento, a coisa mais importante é tentar terminar a temporada”, afirmou o ex-atacante ao site Milannews.it. “Todo jogador tem que dar tudo para terminar a temporada bem. Depois disso, nós iremos ver o que acontece em seguida e qual futuro o Milan terá”, avaliou.

Para sair da crise, o técnico Shevchenko dá um conselho aos atuais jogadores que defendem o clube pelo qual mais brilhou na carreira: “Eu digo a eles para sempre darem o seu melhor nos treinamentos e durante os jogos. Dessa forma, eles irão ter o respeito dos torcedores”.

“Eu quero voltar ao Milan como técnico um dia. O Milan irá sempre estar no meu coração, eu tenho grande carinho pelos seus torcedores”, continuou o ex-jogador do clube. “Vamos ver quando e se isso irá acontecer, mas um dos meus objetivos é o retorno aos rossoneri como técnico”.

Com a Eurocopa adiada para 2021, o ucraniano só pensa a curto prazo na seleção nacional, que garantiu sua classificação e irá disputar o torneio – se é que ele vai mesmo acontecer. “Por enquanto, eu estou apenas pensando na Ucrânia. Eu estou focado na seleção nacional”.

O pênalti na final da Champions de 2003

Shevchenko teve uma responsabilidade enorme em 2003. Era a final da Champions League, que tinha dois clubes italianos decidindo o título: o seu Milan contra a Juventus, no estádio Old Trafford, em Manchester. Depois de um empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, a disputa foi para os pênaltis. Foi Shevchenko que cobrou o último pênalti, selando a vitória dos rubro-negros, sexto do clube.

“Eu pensei em todo mundo naqueles 30 metros. Eu assisti ao vídeo alguns dias atrás o pênalti visto de trás, você vê todos meus companheiros esperando pelo meu pênalti. Antes de pegar a bola, eu fiquei repetindo para mim mesmo para não mudar a decisão, eu queria esperar o movimento de Buffon e assim eu fiz. Eu estava determinado a fazer isso e assim fiz. Eu estava esperando o apito do árbitro, havia muito barulho no estádio, mas dentro da minha cabeça eu estava pronto”, disse o ex-jogador.

https://youtu.be/8Zm731rU5T8?t=906

A goleada por 6 a 0 sobre a Inter em 2001

No dia 11 de maio de 2001, o Milan venceu a Inter por 6 a 0 em um dérbi que se tornou inesquecível. Naquele ano de 2001, o técnico, por um curto período, foi o histórico Cesare Maldini, pai de Paolo Maldini, que era o capitão do time.

“Eu tinha grande respeito por Cesare Maldini. Naquele momento, nós não estávamos bem, mas nós nos sentimos bem naquele jogo. Nós imediatamente entendemos sua filosofia e nós nos unidos em torno dele. Foi um dérbi importante para todo mundo, mas especialmente para ele. Eu criei um grande relacionamento com Cesare”, explicou Shevchenko.

Lobanovskyi e Ancelotti: as referências como técnicos

“Há dois técnicos que me deram muito no futebol. Com Lobanovskyi eu aprendi a cultura do trabalho, ele me ensinou muito. Nossa geração aprendeu muito com ele. Quando eu ganhei a Champions League com o Milan, eu trouxe a taça para o seu túmulo, ele sempre sonhou em ganhar aquele troféu”, disse Shevchenko.

“Ancelotti é o técnico com quem eu mais ganhei, ele é um técnico que sabe como construir relações excelentes com os jogadores. Ele criou uma atmosfera incrível no time, também graças a Galliani que construiu um grande Milan com Silvio Berlusconi”, declarou ainda o ex-atacante do Milan e da seleção ucraniana.

O pênalti perdido na final da Champions de 2005

Um dos grandes traumas do Milan é a derrota para o Liverpool em 2005, em Istambul, em uma final que o time rossonero abriu 3 a 0 no primeiro tempo, tomou três gols em seis minutos no segundo tempo e viu o placar terminar empatado em 3 a 3. Com isso, a disputa foi para os pênaltis. Jerzy Dudek, goleiro do Liverpool que já tinha feito uma defesa milagrosa na prorrogação, defendeu um pênalti mal batido por Shevchenko. E fazia uma dancinha maluca para tentar desestabilizar os batedores. Aparentemente funcionou.

“Aquela dancinha ainda me enlouquece. No pênalti, eu cometi um erro, mas eu ainda não consigo entender como ele conseguiu fazer aquela bola entrar. Eu não quero nem ver mais aquilo mais”, contou o atacante. Ele bateu no meio do gol e Dudek conseguiu defender atrasando o seu salto.