A contratação de Pablo já havia sido um grande anúncio ao São Paulo, mesmo que existam incertezas ao redor do centroavante, sobretudo pelo preço pago na transação. No entanto, o verdadeiro presente de Natal antecipado aos torcedores são-paulinos se confirmou neste domingo. O clube acertou a chegada do goleiro Tiago Volpi, a princípio para encerrar os anos de penúrias e preocupações com a meta tricolor. Aos 28 anos, o arqueiro catarinense chega por empréstimo do Querétaro por uma temporada, com opção de compra ao final de 2019.

Há quem torça o nariz para o nome de Volpi, um goleiro que não construiu sua idolatria exatamente no futebol brasileiro. Nascido em Brusque, o camisa 1 atuou pela base do Fluminense, mas iniciou sua carreira profissional no São José-RS, antes de passar pelo Luverdense. Contudo, sua grande referência nacional é o período em que defendeu a meta do Figueirense. O arqueiro viveu anos excelentes no Orlando Scarpelli. Conquistou o acesso na Série B em 2013 e faturou o Campeonato Catarinense em 2014, antes de ser um dos melhores da posição no Brasileiro daquele ano. Não à toa, chamou a atenção do Querétaro e seguiu ao Campeonato Mexicano logo em seguida.

 

Pois a passagem pelo México marca a diferença entre Tiago Volpi e os demais goleiros utilizados como “sucessores de Rogério Ceni” desde 2016. Ao contrário de Sidão, Jean, Denis ou Renan Ribeiro, o catarinense possui uma sequência considerável atuando em alto nível. Não é questão de mera fase. Em um campeonato como o Mexicano, no qual há diferentes goleiros renomados (sobretudo argentinos), Volpi conseguiu se colocar entre os melhores do país. Acumulou milagres na meta dos Gallos e virou um dos grandes ídolos da torcida. O maior sinal de sua importância está na braçadeira de capitão. O brasileiro conquistou uma edição da Copa MX com o clube, além de chegar a liderar algumas estatísticas de sua posição na Liga MX, como número de defesas.

A passagem pelo Querétaro também ajudou Tiago Volpi a se aprimorar como goleiro. Ainda é o camisa 1 de defesas um tanto quanto acrobáticas e exageradamente plásticas. Todavia, ganhou confiança, segurança e consistência ao longo dos anos no Campeonato Mexicano. O retorno ao Brasil, em partes, reflete isso. Além de estar interessado em defender a meta de um grande clube, o goleiro coloca como objetivo a seleção brasileira. Nos Gallos, até recebeu sondagens para atuar pela seleção mexicana, mas nada que tenha ido além dos pedidos. Aos 28 anos, certamente tem consciência que a hora para cumprir o desejo é esta.

“É a realização de um sonho. O São Paulo é mundialmente reconhecido pela sua grandeza, e todo esse peso do clube me fez tomar essa decisão. Existiam outras possibilidades, tanto dentro do México, com altos valores financeiros, quanto no Brasil, mas quando recebi o convite do São Paulo não pensei duas vezes, por tudo o que o clube representa. O São Paulo apresentou um projeto com a ambição de conquistar grandes títulos, e isso foi o que mais me motivou”, afirmou Tiago Volpi, ao site oficial do São Paulo. “Uma Libertadores sem o São Paulo é uma competição incompleta, então vamos fazer de tudo para reconquistar o torneio. Agradeço por todo o esforço que a diretoria são-paulina fez para me trazer, e isso me dá ainda mais certeza de que o meu coração estava certo ao fazer essa escolha. Espero poder dar muitas alegrias ao torcedor tricolor”.

Um dos maiores desafios de Tiago Volpi será lidar com as próprias expectativas no Morumbi. As passagens decepcionantes de Sidão e Jean, mais aquilo que fatalmente não aconteceu com Denis, tornam a lacuna na meta do São Paulo imensa. E a tradição do clube em contar com grandes goleiros alimenta as cobranças, sobretudo depois de Rogério Ceni. Por sua qualidade e por aquilo que viveu no Querétaro, o camisa 1 parece apto para assumir o fardo. Terá que se provar de imediato em um clube grande, e já com o obstáculo de enfrentar adversários duros nas fases preliminares da Copa Libertadores.


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