Mesmo com a morte de Julio Grondona e a dúvida sobre o futuro da AFA, a escolha de Alejandro Sabella de não continuar como técnico da seleção e o debate sobre quem deve ser seu substituto – provavelmente Tata Martino -, a saída de Riquelme do Boca Juniors para o Argentinos Juniors ainda é amplamente discutida na Argentina em incontáveis páginas de jornais, portais, minutos nos canais de televisão e rodas de amigos.

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Os hermanos ainda parecem não acreditar que o camisa 10 está vestindo um uniforme que não seja o dos Xeneizes no país. Afinal, Román defendeu o Boca como jogador profissional durante 13 anos, contando todas as suas passagens pelo clube. Para se ter ideia, todos os dias, quando as emissoras de tv argentinas debatem o assunto, se escuta: “nossa, como essa imagem é forte”, quando um comentarista vê Riquelme treinando com o uniforme do Argentinos Juniors. E olha que o meia começou sua carreira nas categorias de base do clube que revelou Maradona.

E por ser tratar de um tema polêmico e forte na Argentina, as opiniões são divergentes na imprensa local. Alguns julgam a decisão de Riquelme correta e outros não, enquanto a maioria defende Bianchi – que, apesar do histórico relacionamento com o craque, é um dos pivôs da saída de Román dos Xeneizes. No entanto, se a imprensa se divide, a torcida do Boca parece ter uma opinião unânime ao falar do assunto. E não apenas os torcedores do clube. Os hinchas de outras equipes também parecem ter a mesma opinião.

Maior ídolo?

A Trivela foi até La Boca, bairro onde está La Bombonera e existe a maior concentração de torcedores do clube, para conversar com os hinchas e ver de perto a repercussão da saída de Riquelme. E logo se percebe que, apesar de no próprio museu do time Román ser tratado como o maior ídolo da história dos Xeneizes, para os torcedores, a coisa não é bem assim.

“Riquelme não é o maior ídolo da história do Boca. É um grande jogador, que joga muito, mas não é nosso maior ídolo. Sua maneira de ser atrapalha muito. O maior ídolo e jogador da história do Boca é Maradona”, afirma Leila Julieta Rey, que trabalha numa loja oficial do Boca em frente ao estádio junto com a mãe, que concorda e discorda da filha. “Riquelme não é nosso maior ídolo mesmo. Sua forma de ser realmente atrapalha muito. Mas para mim, o maior ídolo do Boca é Palermo”, diz, se referindo ao atacante que é o maior artilheiro da história do clube.

Já para Miguel Bardaro, motorista que também é torcedor do Boca, Riquelme é um dos maiores ídolos do clube, mas não está sozinho. “O maior, Román não é. Também tivemos Maradona e Palermo”, opina o hincha, que teve o respaldo de vários colegas de trabalho também entrevistados pela Trivela.

E para os torcedores de outros clubes, Riquelme realmente não é o maior jogador da história dos Xeneizes. Vocês se lembram do taxista do papa e do segurança secador? Pois é, tanto o taxista, torcedor do Independiente, quanto o segurança, torcedor do Racing, afirmam que Maradona não é o maior ídolo do Boca, mas sim da Argentina, e que Palermo é o maior jogador da história dos Xeneizes. Para o secador, inclusive, Palermo era “apenas um sortudo”. De fato, o centroavante não era dos mais qualificados tecnicamente, mas sabia se posicionar e marcar gols. Longe de ser apenas um sortudo.

Saída do Boca

Se os torcedores são unânimes ao dizer que Riquelme não é o maior ídolo dos Xeneizes, mas se dividem entre Palermo e Maradona, a opinião sobre a saída do camisa 10 do clube é sempre a mesma: tinha que sair. “Sou eternamente grato ao Riquelme por tudo que ele fez para o Boca, mas penso que ele é uma pessoa muito complicada de lidar. Ele tinha que sair mesmo, fora que se lesionou muito nos últimos anos”, opina Bardaro.

Leila, por sua vez, não apenas concorda com o motorista, como diz que a saída de Román foi boa para o clube. “A saída de Riquelme é benéfica para o Boca Juniors. Pessoalmente, Riquelme não é de meu agrado. Ele jogava duas partidas, se lesionava e não rendia mais. Foi bom ele ir para o Argentinos Juniors. Foi o melhor”, analisa.

Já o taxista Dante Martín, torcedor do River Plate, brinca que a saída de Riquelme é péssima para os Milionários – apesar do camisa 10 ter marcado um gol de falta contra o rival no último Superclássico -, mas também fala do acontecimento com seriedade. “O Riquelme é um grande jogador, não é à toa que foi o camisa 10 da Argentina por muitos anos, mas já passou seu tempo. Penso que ele tinha que sair mesmo. É o melhor para todos os lados envolvidos, fora que ele é uma pessoa extremamente difícil de lidar”.

A ruptura

Por fim, os argentinos também comentam sobre a ruptura da relação de sucesso entre Bianchi e o meia. Os dois, que sempre tiveram um bom relacionamento e se entendiam bem, tiveram problemas nos últimos meses. A imprensa hermana diz que “a falta de carinho de Bianchi durante a novela da renovação de Riquelme fez o meia deixar o Boca”, e após sua saída, Román já mostrou insatisfação com o ex-técnico em várias declarações nas entrelinhas, enquanto o treinador sempre optou por manter a cordialidade.

Leila, assim como todos os torcedores ouvidos, coloca a culpa no meia. “É uma relação (Bianchi e Riquelme) de muitos anos e tem mais alguma coisa que não sabemos o que é. Mas os dois sabem o que é e os motivos de sua ruptura. Pessoalmente penso que Bianchi é uma pessoa muito comprometida e muito humilde acima de tudo. Não posso dizer o mesmo de Riquelme”.

De fato, todos sabem que o meia é uma pessoa difícil de lidar e que não ficou no Boca Juniors porque não quis. Financeiramente, ele tinha uma ótima proposta em mãos para continuar no clube do coração, mas optou pelo Argentinos Juniors. Não existe um culpado nisso tudo, apenas uma escolha de Riquelme. Escolha essa, tomada muito em função da pessoa complicada que é o camisa 10. De qualquer forma, tecnicamente, Román não estava em sua melhor forma, apesar de ter alguns lampejos, e fisicamente, ele realmente vinha se lesionando muito. Além disso, o meia interfere no ambiente do clube. É curioso, mas a saída de Riquelme realmente pode fazer bem para o Boca Juniors.

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