A passagem de Olivier Giroud pelo Arsenal deixou um sabor agridoce. O centroavante teve os seus momentos felizes com o clube e manteve números razoáveis ao longo dos cinco anos e meio nos quais permaneceu no Emirates. Contudo, esteve longe de ser o matador que despontou no Montpellier campeão francês. Foi um goleador de segundo escalão que, mesmo superando a marca de 100 gols anotados, parece ser significativo em um período no qual os Gunners perderam ainda mais o protagonismo. Nos últimos meses, suas aparições se tornaram esporádicas, quase nunca entre os titulares. Por isso mesmo, nada mais natural que o veterano tome outro rumo e se mude ao Chelsea, em busca de refazer as impressões em Londres.

O negócio é benéfico para todos. Ao Arsenal, que se desfaz de um jogador cada vez mais negligenciado, sobretudo após a contratação de Pierre-Emerick Aubameyang, e que tinha um dos maiores salários do elenco. Ao Chelsea, que busca o tão assediado centroavante de área pedido por Antonio Conte, sem necessariamente precisar recorrer a opções do “quilate” de Peter Crouch, Andy Carroll e José Salomón Rondón. E especialmente a Giroud, que até sobe um degrau em relação às ambições de seu clube, com uma ótima oportunidade de buscar o protagonismo que um dia ambicionou na Premier League.

Enquanto Álvaro Morata tem dificuldades para emplacar de vez em Stamford Bridge, não seria surpreendente se Giroud tomasse a posição de titular. Seu estilo de jogo parece até mesmo se encaixar mais com o que pede Antonio Conte, se aproximando de Diego Costa. É um centroavante que briga bastante com os zagueiros, sabe abrir os espaços aos companheiros e tende a aproveitar melhor a força dos Blues no jogo aéreo. Não possui tanta explosão para os ataques verticais de sua equipe. Mas, em compensação, costuma ser eficiente nas conclusões dentro da área – além de ter se tornado um substituto valioso ao Arsenal nos últimos meses.

O investimento do Chelsea não é alto. Apesar dos 31 anos de idade de Giroud, dentro do pandemônio que se vive no mercado, os €17 milhões desembolsados por Roman Abramovich saem em conta. Não é o negócio econômico que se pressupunha com Crouch, mas as chances de dar certo são bem maiores. Serve bastante para a reta final da Premier League, na qual o time tenta se firmar no Top Four. Se Conte não teve a paciência para o desenvolvimento de Batshuayi (de empréstimo confirmado ao Borussia Dortmund), com características um pouco diferentes do que gostaria, não pode reclamar do que ganhou com o novo homem de referência.

Em relação à rivalidade, Giroud tende a não alimentar grandes polêmicas. Obviamente, não existe torcedor que gosta de ver seu jogador indo para um dos maiores rivais. Mas os seguidores do Arsenal não podem reclamar do empenho do centroavante nestes anos, apesar de suas limitações naturais. Vai porque realmente não tinha espaço, e teria menos agora com Aubameyang. O ciúme só despontará se o francês, em uma equipe mais arrumada, demonstrar uma fome de gols que não era tão insaciável assim no norte de Londres.

Se deseja marcar o seu nome em definitivo na Premier League, Giroud terá quatro meses probatórios. Um período fundamental para apresentar suas credenciais ao Chelsea e mostrar que, em um mercado de centroavantes ou muito caros ou não tão confiáveis, pode suprir as necessidades. Além disso, há uma Copa do Mundo no horizonte, e o veterano precisa manter seu nível para figurar na disputada convocação da seleção francesa – mesmo que, com suas características, não encontre um concorrente direto nas últimas listas dos Bleus. Azul é a cor para o goleador.