Com um breve comunicado pelo Twitter, a Internazionale anunciou que Mauro Icardi não é mais o capitão do time. A braçadeira foi passada para o experiente goleiro Samir Handanovic. Ao mesmo tempo, o técnico Luciano Spalletti relacionou 19 jogadores para enfrentar o Rapid Viena, nesta quinta-feira, pelo mata-mata da Liga Europa, sem o seu principal atacante. E, em entrevista coletiva, explicou que foi a pedido do jogador argentino.

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Desde a aposentadoria de Javier Zanetti, há um vácuo de liderança na Internazionale. O substituto imediato do ex-lateral direito foi o zagueiro Andrea Ranocchia. Em 2015, a braçadeira foi para Icardi, mais porque se tratava do melhor jogador do time do que pela sua postura nos vestiários. Ele ainda era um moleque que gostava de causar confusão. Os ultras da Inter chegaram a exigir que fosse deposto do cargo por uma passagem em sua autobiografia.

Mas Icardi amadureceu e, com o tempo, foi se tornando o líder que deveria ser para a Internazionale. No entanto, o memorando não chegou a sua esposa-agente Wanda Nara, que vira e mexe vai à imprensa dizer coisas que a diretoria gostaria que não fossem ditas. Nos últimos meses, por exemplo, disse que Icardi precisava ser mais protegido pelo clube e contou, em uma entrevista, que Ivan Perisic quer jogar no Arsenal por “problemas pessoais”.

Como é Wanda Nara quem também negocia com a Internazionale a renovação de contrato de Icardi, que no momento tem vínculo até 2021, a cada declaração polêmica de sua esposa na imprensa italiana, os nervos entre ela e a diretoria ficam mais acirrados. E também com o técnico. Luciano Spalletti disse, depois da vitória contra o Parma no fim de semana, que a “situação precisa ser resolvida”. “É a hora de sentar e conversar sobre coisas que evitamos há meses”, disse.

A cúpula da Inter reuniu-se, segundo a Gazetta dello Sport, para discutir o caso, e o mesmo jornal citou os problemas com Wanda Nara para contextualizar a decisão de demover Icardi do posto de capitão. Na entrevista coletiva antes do jogo contra o Rapid Viena, Spalletti disse que “coisas ao redor de Icardi o têm perturbado e ao time que ele lidera”. O treinador prometeu mais explicações depois do jogo pela Liga Europa.

“Foi uma decisão difícil e dolorosa, mas apoiada por todos e tomada pelo bem da Internazionale e do time. Há uma situação que precisa ser resolvida, como disse depois do jogo contra o Parma. O que aconteceu confirma isso. Se há alguém que está pensando em qualquer coisa que não seja o resultado da partida de quinta-feira, está errado em fazer isso. Tomamos uma decisão em um momento apropriado e uma decisão que foi bem pensada, embora tenha sido dolorosa”, afirmou Spalletti.

Sobre a ausência de Icardi no jogo contra o Rapid Viena, Spalletti contou que foi o próprio jogador que pediu para não ser relacionado. “Ele foi convocado. Ele estava decepcionado, mas também foi difícil para nós tomar essa decisão e anunciar para ele”, disse.

Além dos problemas de bastidores, Icardi passa por um momento difícil dentro de campo. Ele não marca há sete rodadas da Serie A e seu último gol pela liga italiana, sem ser de pênalti, saiu no começo de dezembro, contra a Roma.