A primeira entrevista coletiva de Zlatan Ibrahimovic desde seu retorno ao Milan foi à altura de toda a empolgação com sua chegada à Itália. O sueco sempre foi falador, e não faria diferente diante de tanta alegria com sua contratação. No papo com os jornalistas nesta sexta-feira (3), foi brincalhão, irônico, mas também taxativo: “Não vim para ser um mascote”.

Com contrato de apenas seis meses, o período será um experimento para todas as partes. Ibrahimovic quer garantir que se sente bem fisicamente e que pode contribuir para os objetivos do Milan, enquanto o clube terá esta segunda parte da temporada para avaliar a validade de renovar para além do vínculo que se encerra no meio do ano.

“Veremos como serão esses seis meses, se eu contribuo com algo e se sou capaz de dar algo a mais. Nesse caso, seguirei com os Rossoneri. Não vou ficar aqui só porque sou o Zlatan Ibrahimovic, não tenho interesse nisso. Tenho 38 anos, sei o que tenho que fazer no campo, tanto no estilo de jogo quanto na mudança de jogo. (…) Quero ajudar a melhorar a situação, quero me divertir em campo e me sentir bem fisicamente. Fiquei um ano afastado por lesão, mas, com o espírito certo e a mentalidade certa, mostrei que sou capaz de voltar a um alto nível”, comentou o veterano.

O merecimento de seu espaço no Milan foi um tema importante da entrevista de Ibrahimovic, que destacou os deveres que vêm junto com as benesses de retornar a um clube em que se é amado. “Tenho uma relação maravilhosa com os torcedores, é muito positivo. Consigo sentir a empolgação deles, tanto quanto na primeira vez. É importante ter o apoio deles. (…) Senti falta de ter a bola no pé, mas não preciso muito disso. Não vim aqui para ser um mascote dos Rossoneri. Sei o que tenho que fazer, o Zlatan ainda está aqui”, afirmou, antes de completar a fala projetando um duelo pessoal com Cristiano Ronaldo: “Será empolgante”.

A idade avançada de Ibra significa que ele não poderá trazer a mesma influência que teve entre 2010 e 2012 ao Milan. Porém, o sueco sabe bem como compensar isso. “Aos 38 anos, não há necessidade de exagerar quando você está jogando. Em vez de correr, você pode chutar de uns 40 metros de distância”, brincou – embora ele seja justamente o tipo de jogador a falar isso e cumprir mais tarde.

Esses chutes potentes e singulares de Ibra são apenas parte do conjunto de adições que o Milan deseja fazer ao seu jogo. Com ele, traz também experiência ao elenco, uma mentalidade vencedora e, inevitavelmente, um escudo à criticada equipe. Mas Zvonimir Boban, dirigente rossonero, não quer que isso apague a responsabilidade do restante.

“Estamos felizes de receber de volta um jogador único como o Ibra. Estamos muito otimistas com o efeito que ele poderá ter sobre o time e a atmosfera, e é claro que resultados serão necessários. Não quero esquecer a partida em Bérgamo (revés para a Atalanta por 5 a 0), que foi uma derrota inaceitável. Não devemos nos esconder atrás dos ombros largos do Zlatan. Precisamos mudar o curso desta temporada e esperamos que sua presença nos ajude”, projetou Boban.

Ibrahimovic volta ao Milan sete anos e meio depois de deixar o clube para jogar no Paris Saint-Germain. Nesta sexta-feira, reforçou que não desejava ter saído de Milão, dando a entender que houve pressão da diretoria rossonera, que fez dinheiro com sua venda e a de Thiago Silva ao PSG.

O atacante aponta que a atual aproximação do Milan, por meio de Maldini, não foi a primeira nos últimos anos. Anteriormente, não havia dado certo. Mas talvez as coisas tenham acontecido da melhor maneira para um casamento que soa ideal no momento.

“Houve uma chance de voltar para cá antes, o Leonardo me ligou, mas eu ainda não me sentia pronto, depois da minha lesão, e eu queria continuar jogando em Los Angeles porque estava indo bem. Fui para os Estados Unidos para me sentir vivo. Depois de dois anos na MLS, me sinto mais do que vivo: me sinto pronto para o Milan.”