O terceiro dia de Euro Sub-21, fechamento da primeira rodada, teve o esperado duelo entre França e Inglaterra, mas o maior destaque ficou mesmo por conta do jogo entre as outras duas equipes do Grupo C: Romênia e Croácia. A partir desta terça-feira, o dia 18 de junho é oficialmente o dia do Hagismo. Exatos 25 anos depois de o pai Gheorghe Hagi estrear na Copa do Mundo de 1994 com gol e muita categoria no 3 a 1 contra a Colômbia, o filho Ianis Hagi deu pontapé inicial no principal torneio de base do mundo também deixando sua marca.

Apesar do equilíbrio em partes do jogo, sobretudo no primeiro tempo, a Romênia passou por cima da Croácia no placar: 4 a 1. Hagi não foi o único nome histórico a pintar no marcador, de certa forma. George Puscas, do Palermo, foi quem inaugurou o placar do jogo, aos 11 minutos do primeiro tempo, em cobrança de pênalti. Ianis completou três minutos depois, dando vantagem precoce aos romenos e dificultando a vida dos croatas no confronto.

Nikola Vlasic, aos 18, recolocou a Croácia no jogo, diminuindo para 2 a 1, mas no segundo tempo a Romênia matou o duelo. Tudor Baluta, aos 21, e Adrian Petre, aos 48 da etapa complementar, fecharam a goleada em 4 a 1.

Não parece provável que Ianis repita o sucesso do pai, mas a simbologia de seu gol justamente neste 18 de junho, 25 anos depois do começo de uma das melhores campanhas individuais em uma Copa do Mundo, se torna um capítulo já especial escrito nesta edição de Euro Sub-21 que está só começando.

Pênaltis perdidos, golaço e virada no finzinho marcam Inglaterra e França

França venceu Inglaterra de virada na estreia da Euro Sub-21: 2 a 1 (Divulgação)

Completando a rodada, Inglaterra e França entregaram um jogo com muitos elementos, mas não aquele que era mais esperado: um grande futebol. Ainda que tenha tido momentos de brilho lá e cá, sobretudo individuais, o duelo foi mais marcado pelo tanto de coisa que rolou dentro de campo: teve golaço de Phil Foden, dois pênaltis perdidos pela França, expulsão de jogador inglês, Dean Henderson fechando tudo e, por fim, não fechando quase tudo: dois gols no fim significaram a virada para os Bleus.

O primeiro tempo foi bastante parelho, com as duas equipes dominando cada uma metade da etapa inicial. Os bons momentos da Inglaterra, vale apontar, foram mais empolgantes do que os da França, sobretudo quando a bola caía nos pés de Foden. A falta de capricho do centroavante Dominic Solanke, no entanto, significou que, mesmo quando passavam pela boa dupla de defesa da RB Leipzig, Ibrahima Konaté e Dayot Upamecano, os ingleses não conseguiram botar a bola no barbante.

Aos 24 minutos, Jake Clarke-Salter pôs a mão na bola e, apesar do domínio inglês até então, a França teve a oportunidade de marcar. Entretanto, o goleiro Dean Henderson, que pertence ao Manchester United e brilhou na campanha de acesso do Sheffield United à Premier League, fez grande defesa na cobrança de Moussa Dembélé. Demarai Gray e Jonathan Ikoné alternaram boas chances para cada lado, mas as equipes foram para o intervalo sem mexer no placar.

Com nove minutos do segundo tempo, veio o lance de maior brilho da partida. Phil Foden pegou a bola na intermediária, fez fila na defesa da França e bateu rasteiro para superar o goleiro Paul Bernardoni e fazer 1 a 0. A Inglaterra chegou a ampliar com Ryan Sessegnon e parecia começar a encaminhar a vitória, mas o tento foi anulado por impedimento. Minutos depois, no entanto, veio o lance primordial para o placar: inconsequente, Hamza Choudhury cometeu pênalti em Jonathan Bamba e foi expulso.

O golaço de Foden

Embora a superioridade numérica tenha recolocado a França no jogo, a reação não continuou imediatamente: Houssem Aouar mandou a cobrança na trave, desperdiçando o segundo pênalti dos Bleus no jogo. Com um a mais em campo e precisando do resultado, a França se lançou mais ao ataque e, depois de tanto testar o goleiro Henderson, buscou o empate aos 44 minutos com um chute seco, rasteiro, de Ikoné. Por fim, aos 50 do segundo tempo, após escanteio, Jean-Philippe Mateta desviou como pôde, e Wan-Bissaka tentou cortar a trajetória da bola, mas acabou mandando contra a própria meta: estava decretada a vitória de virada da França, por 2 a 1.

Enquanto Espanha e Itália protagonizaram o grande jogo desta primeira rodada de Euro Sub-21, jogando no melhor nível, Inglaterra e França deixaram a desejar. Pelo lado dos ingleses, a boa notícia foi a atuação de Foden e Henderson, dois jogadores importantes não só neste torneio, mas também que dão indícios de que podem ser peças importantes para os torneios por vir da seleção principal. O nível que o goleiro tem apresentado aponta um teto de potencial que supera o de Pickford, enquanto o meio-campista do Manchester City oferece uma qualidade de passe, explosão e controle do ritmo do jogo que os Three Lions não têm em seu elenco.

Já a França, apesar da vitória, teve desempenho frustrante em boa parte do duelo. A expulsão de Choudhury, no fim das contas, acabou virando um grande presente que coloca a equipe em boa posição para buscar a classificação à próxima fase – isso se a máquina romena permitir, é claro.