Bons atacantes holandeses não faltam. Van Nistelrooy, Robben, Kuyt e até mesmo os velhinhos Kluivert e Bergkamp ainda batem uma bolinha bem razoável. Entretanto, uma das missões de Van Basten é renovar a seleção laranja. Tanto que muitos viram com bons olhos a ascensão de Ryan Babbel, revelação do Ajax. Porém, faltando pouco para a Copa, um outro jovem apareceu e desbancou Babel, tanto no clube, quanto na equipe nacional: Klaas Jan-Huntelaar.

Ele começou a carreira no PSV, um dos maiores rivais do time de Amsterdã. Em 23 de novembro de 2002, em uma partida contra o RBC, o jovem de 19 anos estreou como profissional, substituindo o sérvio-montenegrino Mateja Kezman. Huntelaar passou em branco naquela que seria a sua única atuação pela equipe principal de Eindhoven.

Insatisfeito por não conseguir um lugar no grupo do PSV, Huntelaar foi tentar a sorte no De Graafschap, onde também não encontrou o sucesso. Assim, no mercado de verão de 2003, o centroavante foi parar na segunda divisão do futebol holandês. E foi lá, no AGOVV, que sua carreira começou a decolar.

Os seus 26 gols em 35 jogos deixaram boquiabertos os dirigentes do Heerenveen, que decidiram investir no atleta. De volta à primeira divisão, Huntelaar conheceu a glória. Centroavante típico, daqueles que finalizam com maestria, mas também se movimenta com facilidade.

Na sua primeira temporada pelo Heerenveen, Huntelaar jogou 31 vezes e marcou 27 gols. O ótimo retrospecto lhe rendeu o status de estrela da seleção sub-21 holandesa. Pela jovem equipe nacional, o centroavante também fez história. Com 14 gols marcados, ele está a um de igualar as marcas de Van Nistelrooy e Bruggink. Quando todos acreditavam que ele superaria facilmente este recorde na fase final do Europeu sub-21, veio a surpresa: Huntelaar pode não mais jogar pela seleção de base. Tudo porque, agora, ele também está presente no time principal.

2005/6: Uma outra vida

A nova temporada começou com o nome de Huntelaar brilhando. Em apenas 15 jogos, o atacante do Heerenveen já conseguiu igualar a marca do ano anterior: 17 gols. Com isso, ele era o artilheiro do Campeonato Holandês. Nas férias de inverno, o Ajax, que enfrentava sérios problemas ofensivos graças a desempenhos medíocres de seus atacantes, resolveu descarregar um caminhão de dinheiro pelo jogador: chr(128)9 milhões.

O investimento foi pequeno perto dos resultados que o atleta deu para o time de Amsterdã. Nos primeiros dez jogos pelo seu novo clube, Huntelaar foi às redes cinco vezes, três apenas na goleada por 6 a 0 contra o Sparta. Além disso, o mais novo centroavante do Ajax conseguiu se adaptar rapidamente ao estilo de jogo do time. A trinca ofensiva, Rosales, Huntelaar e Rosenberg, passou a ser uma das principais virtudes da equipe.

Com isto, o time holandês passou a ter esperanças de obter a classificação para as quartas-de-final da Champions League. Seu adversário, a Inter de Milão, era difícil, mas derrotável. Na primeira partida, disputada na Holanda, Huntelaar, que estreava na Liga dos Campeões, brilhou e marcou um gol. Apesar disto, o Ajax só ficou no empate: 2 a 2 e, com a derrota por 1 a 0 no jogo de volta, foi eliminada. Nem mesmo a eliminação tirou o brilho de Huntelaar, que passou a ser conhecido também fora dos domínios holandeses.

Tanto sucesso — Huntelaar é o artilheiro da Eredivisie com 28 gols (até 20 de março) e um dos favoritos à conquista do prêmio Chuteira de Ouro — fez com que Marco Van Basten o convocasse para o amistoso contra o Equador, no começo de março. Entretanto, o atacante do Ajax não chegou a entrar em campo. Mesmo assim, quem duvida que logo o veremos com a camisa laranja? Talvez até mesmo na Alemanha. Bem, pelo menos, o técnico holandês ganhou mais uma opção… e que opção!


Os comentários estão desativados.