Marco Silva chegou à Premier League sem muito cartaz. Diversos comentaristas ingleses duvidaram de sua capacidade ao assumir o Hull City. No entanto, quatro meses depois de sua chegada, poucos ousam questionar o impacto do português de 39 anos sobre os Tigers. De seríssimo candidato ao rebaixamento, a equipe vem lutando bravamente pela permanência na elite. Conquistou 20 pontos nas últimas 14 rodadas, menos apenas que os seis primeiros colocados na tabela. Arrancada que tirou o clube da lanterna para ocupar a posição logo acima do Z-3. E, neste sábado, o Hull buscou uma vitória heroica. Com um a menos por 65 minutos, derrotou o Watford por 2 a 0, seguindo à frente do Swansea.

A situação do Hull City no Estádio KCOM se complicou aos 25 do primeiro tempo. Em lance exageradamente rigoroso, o árbitro expulsou Omar Niasse, por entrada que mereceria no máximo o amarelo pela imprudência. Os Tigers tiveram que segurar a pressão até buscar a vitória na segunda etapa. O primeiro gol saiu aos 17, em contra-ataque fulminante. Lazar Markovic acertou o travessão, mas ainda aproveitou o rebote. Já aos 26, Sam Clucas confirmou o triunfo com um chutaço de fora da área, sem chances para Gomes.

O Hull City permanece dois pontos à frente do Swansea. Os galeses também venceram na rodada, fazendo o serviço em casa diante do Stoke City. Bateram os alvirrubros por 2 a 0, com tentos de Fernando Llorente e Tom Carroll. Ambos parecem mesmo os dois principais concorrentes contra a última vaga do rebaixamento. Sunderland e Middlesbrough dependem de um milagre inimaginável a esta altura. Já à frente, times como Crystal Palace, Burnley e Leicester estão um pouco mais tranquilos, especialmente por terem mais partidas por fazer, ainda que a diferença de pontos não seja tão grande – dois a mais em relação ao Hull para o Palace, mas com dois jogos a menos.

E, nesta reviravolta do Hull, Marco Silva aparece como principal personagem. O clube investiu bastante na janela de transferências de inverno, trazendo oito novos jogadores. De qualquer forma, o encaixe do time dependeu bem mais da competência e do estilo de jogo do treinador, alavancando um elenco visto como frágil. Responsável pela ascensão do Estoril, além de faturar a Taça de Portugal com o Sporting e o Campeonato Grego com o Olympiacos, o português tem sua primeira chance em um grande centro. Mesmo que em um time de pouca expressão, a primeira impressão é excelente.