Não é só no futebol, diga-se. Muitas vezes, fazer aquilo que é correto e justo transformou-se em extraordinário. O ambiente competitivo, obviamente, potencializa este tipo de busca constante pela vantagem. Mas não precisa ser sempre assim. E um exemplo gigante vem do futebol mexicano. Neste domingo, Morelia e América se enfrentavam em amistoso na Califórnia. As Águilas venciam por um gol de vantagem, quando o árbitro assinalou um pênalti a favor do Morelia. No entanto, a cobrança não aconteceu. Os próprios jogadores da equipe beneficiada falaram a verdade e o juiz voltou atrás na decisão.

O protagonista do lance foi o veterano atacante Luis Gabriel Rey. Gastón Lezcano chutou à queima-roupa uma bola que bateu na costela do brasileiro William. No entanto, o árbitro entendeu que o arremate havia esbarrado no braço do jogador do América. Então, coube a Rey, em cima do lance, falar o que de fato aconteceu e permitir que o apitador anulasse a sua marcação. No fim das contas, as Águilas venceram por 2 a 0. “A honestidade está acima de qualquer coisa”, declarou o centroavante, após o jogo.

Lógico que muitos vão questionar a ocasião, que não ocorreu em um jogo oficial. Ainda assim, a postura concreta de Rey vale mais do que qualquer interrogação. Gesto parecido com o que aconteceu há algumas semanas na Europa, durante amistoso entre Pogon Szczecin e Astra Giurgiu. Naquele caso, porém, os jogadores de ambos os clubes contrariavam as marcações do árbitro, suspeitando de uma combinação de resultados. Na Califórnia, prevaleceu o altruísmo e o respeito.