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Título holandês poderia representar mais para o PSV, que terá que se remontar

O Heerenveen pode armar uma surpresa – está praticamente garantido nos play-offs pela Liga Europa, como sexto colocado. Mas se der a lógica, neste sábado, dia 18 de abril, por volta das 16h30, o árbitro Serdar Gözübüyük estará apitando o final do jogo que confirmará o título do PSV no Campeonato Holandês, acabando com o jejum de sete anos sem conquistas da Eredivisie e também começando uma festa já esperada e ensaiada. Tão ensaiada que já se sabe até quem entregará a Eredivisieschaal aos jogadores em caso de triunfo – será Willy van der Kuylen, ex-atacante, ídolo dos Boeren – e que a festa da vitória será em Eindhoven, no dia seguinte.

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E quem há de negar que foi merecido? Está certo que os Eindhovenaren tiveram resultados apenas medianos contra os dois times que são “do seu tamanho”. De inquestionável mesmo, apenas o 3 a 1 sobre o Ajax, em plena Amsterdam Arena, na terceira rodada. Contra o Feyenoord, a equipe venceu a duríssimas penas, no turno (4 a 3 em Eindhoven, com o gol da vitória nos acréscimos). E sabe-se que perdeu para os dois rivais, no returno. No entanto, quando os enfrentou, já estava na confortável situação de “perder quando podia”. Com desempenho quase irrepreensível contra os médios e pequenos, ficou fácil abrir uma grande vantagem na liderança.

Além disso, ficou provado que o trabalho de remontagem do elenco por que o PSV passou na última temporada teve grande êxito. Atualmente, sabe-se recitar de cor e salteado qual é o time que Phillip Cocu leva a campo, normalmente – aliás, sabe-se recitar até os reservas comumente utilizados. O entrosamento fica claro no desempenho elogiável da linha de defesa (elogiável a ponto de levar Bruma e Willems de volta à seleção holandesa), e na velocidade exibida pelo ataque, possibilitada pelo grande entrosamento adquirido por Narsingh, Depay e Luuk de Jong. Este último, aliás, é exemplo de como o clube foi cirúrgico nas contratações, bem como Guardado.

Com a experiência adquirida nesta temporada – até a ruim, no caso da eliminação inapelável para o Zenit, na Liga Europa -, era de se supor que o PSV poderia ser ainda melhor em 2015/16. Dependendo do sorteio na Liga dos Campeões, talvez os Boeren sonhassem até com classificação às oitavas de final. Além do mais, as perdas não deverão ser tantas no elenco. Mas aí começa o busílis, porque os jogadores que deixarão De Herdgang ao final da temporada foram (e são) de importância capital para o título e o time.

O primeiro deles, claro, é Memphis Depay, inquestionavelmente o melhor jogador da temporada na Eredivisie. Quando o próprio Phillip Cocu reconhece que o atacante “está pronto para o próximo passo”, é porque a saída virou uma questão de tempo. Por mais que não haja nada de concreto, o nome de Memphis ficou visado nos centros maiores do futebol europeu. Por sua maturidade, já vislumbrada na Copa do Mundo, por sua velocidade e por uma capacidade insuspeita de finalização – afinal, pouco se esperava que fosse ele o goleador da competição. Assim, seja no Manchester United (o destino mais falado), ou num clube médio (para pegar ainda mais cancha), Depay só espera a confirmação do título para picar a mula.

O mesmo acontece com Georginio Wijnaldum. Valorizado não só pela participação na Copa do Mundo, mas também por se revelar útil taticamente no ataque, o caso de “Gini” é semelhante ao de Depay: já poderia ter saído da Holanda após a Copa do Mundo, só que preferiu renovar contrato por mais algum tempo, de modo a poder deixar dinheiro nos cofres do PSV. Título praticamente ganho, o meio-campista já começou a aumentar a voz sobre uma possível saída, em declarações à Sky Sports: “Quero jogar numa competição mais forte do que a Eredivisie. Com minha qualidade, acho que posso trazer muito a um time que me contrate. Quero mostrar isso numa liga grande”.

Se ficasse só nestes atletas, seriam perdas duras, mas superáveis. A questão é que a cobiça já começa a dominar até jogadores que poderiam ficar – e ainda teriam coisas a aprender. Como Jetro Willems, por exemplo. Por mais que seja o líder de passes para gol no Campeonato Holandês, a deficiência na marcação ainda é um terrível defeito para o lateral esquerdo (defeito visto desde a Euro 2012, por sinal).

De mais a mais, Cocu já sinalizara a proximidade de uma renovação. No entanto, Willems colocou dúvidas sobre isso, na semana passada: “Eu tomo minhas próprias decisões. Ainda tenho muito a aprender, mas posso fazer isso em outro clube. Tenho experiência suficiente”. E ainda há Karim Rekik: zagueiro cada vez mais promissor, só retornou para novo empréstimo ao PSV com a temporada iniciada, após duras negociações com o Manchester City. Tudo indica que, agora, Rekik tomará de vez o caminho dos Citizens.

Claro, nada está perdido. Guardado, talvez mais importante até do que Wijnaldum no meio-campo (é o ponto de equilíbrio da equipe), ficará em definitivo no clube. Há Narsingh, Luuk de Jong, Bruma, Maher. Só que as prováveis perdas do elenco representarão a diferença entre um time capaz de sonhar com oitavas de final da Liga dos Campeões (ou em ir até mais longe na Liga Europa) e uma equipe que apenas fará figuração nas competições continentais.

Ou seja, o virtual título holandês representará menos do que poderia. Mas agora, o PSV não quer saber disso. Quer saber de preparar a celebração. E tem todo o direito, pela ótima temporada.

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