Holanda

O Heracles não tem 12 trabalhos, mas está fazendo bem os seus no Holandês

Pelo nome, pode-se imaginar: o Heracles foi nomeado em lembrança do grande herói da mitologia grega, aquele que precisou fazer os doze trabalhos para alcançar a imortalidade. E assim como Hércules (forma romana para “Heracles”), o clube de Almelo tinha muito trabalho a fazer. Claro, nada como limpar a estrebaria de Áugias, ou matar o leão de Nemeia, ou trazer vivo Cérbero, o cão de três cabeças. Mas era uma respeitável tarefa recuperar algum tipo de confiança da torcida, após a temporada 2014/15. Nela, tivera o pior início de sua história na Eredivisie: sete derrotas nas sete primeiras rodadas. E ainda sofrera demais até garantir a permanência na elite, na 14ª posição.

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A Eredivisie 2015/16 ainda entrará na sétima de 34 rodadas. Ainda assim, o Heracles Almelo já mostrou à torcida que aprendeu bem com os sustos do ano passado: é o segundo colocado, com 15 pontos, um abaixo do líder Ajax. E deu mostras de como está surpreendendo na rodada passada, ao superar por 2 a 1, de virada, o atual campeão PSV, que ainda vinha motivado pela vitória contra o Manchester United, pela Liga dos Campeões. Mas ainda que surpreendente, tal triunfo premiou o que tem sido o grande responsável pelo ótimo início dos Almelöers: a velocidade ofensiva.

Não há muitos segredos no esquema que John Stegeman pensou para o time, um 4-3-3 à moda holandesa. O que há é uma dependência menor do atacante finalizador, como havia na temporada passada (na retrasada também, aliás) com Bryan Linssen. Como este agora veste a camisa do Groningen, houve a necessidade clara de mudar o ataque – e até o meio-campo. A sorte do Heracles é que isso foi possível com jogadores que já estavam no elenco.

O principal deles também é um dos principais jogadores deste início de Campeonato Holandês: o atacante Oussama Tannane. Jogando pela direita, Tannane é o principal responsável pela velocidade ofensiva: pode trocar de lado com Brahim Darri, o outro ponta, e não raro finaliza ele mesmo as jogadas. Com isso, é o principal goleador do time até agora (6 gols, um abaixo de Anwar El Ghazi, artilheiro da Eredivisie), e já frequenta as convocações para a seleção holandesa sub-21.

O que motiva um parêntese ao tema da coluna: Tannane, assim como El Ghazi, é mais um relacionado ao Marrocos: nasceu em Tétouan, no país africano, mas foi criado e começou a jogar na Holanda. E diante da crise por que passa a Oranje, muito já se comenta: deveria Danny Blind já convocá-los, para manter possíveis destaques da Eredivisie no futuro da seleção holandesa?

O debate aumentou com a decisão de outro holandês de ascendência marroquina. Hakim Ziyech, armador do Twente, já fora convocado por Guus Hiddink, para os jogos contra Estados Unidos e Letônia, em junho. Lesionado, fora cortado da delegação holandesa. Mas era um “convocável”. Até esta semana, quando Ziyech decidiu defender definitivamente a seleção de Marrocos. El Ghazi e Tannane não definiram sua “nacionalidade futebolística”, e isso já causa alguma pressa. Mas isso é outra história.

As boas atuações de Tannane também fazem crescer o desempenho dos companheiros de ataque. Wout Weghorst, que ocupa o papel de finalizador central na área com a saída de Linssen, também entrou em boa fase: já fez quatro gols na edição atual da Eredivisie. E a velocidade do trio de atacantes incentiva os meio-campistas a serem mais criativos, até avançando mais à frente para ajudarem os três. Prova disso se viu no jogo contra o PSV: os autores dos gols foram Mark-Jan Fledderus e Thomas Bruns, dois meio-campistas – embora Fledderus tenha jogado mais recuado, na lateral esquerda. A defesa ainda é meio insegura, de fato. A começar pelo goleiro, Bram Castro, de desempenho irregular.

Claro, a tendência é de que a queda venha logo. Até porque é impressionante, por exemplo, que o Zwolle ainda consiga surpreender na terceira colocação, um ponto atrás do Heracles, mesmo com a situação financeira ainda problemática. Ainda assim, o começo do clube alvinegro traz razões para otimismo. Dentro de campo, com o bom começo na Eredivisie e na Copa da Holanda (o time está na terceira fase, onde enfrentará o amador Koninklijke HFC). Fora, com a ampliação do estádio Polman e o novo distintivo. Evitar que a queda seja brusca é mais um trabalho que o Heracles terá de fazer para conseguir uma temporada mais tranquila do que a passada. Por enquanto, vai tudo bem.

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