Holanda

A espera finalmente acabou: o Feyenoord é campeão holandês, após 18 anos de jejum

Um torcedor do Feyenoord que nasceu da celebração do título de 1998/99 passou toda a infância e a adolescência amargando um jejum longo demais para um dos maiores clubes da Holanda. Precisou virar adulto para tirar o grito de campeão da garganta, mas, depois de 18 anos relegado a coadjuvante no cenário nacional, o Feyenoord finalmente saiu da fila: venceu o Heracles, em um De Kuip efervescente, por 3 a 1, e é o novo-velho campeão holandês.

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É o 15º título do campeão europeu de 1970, o primeiro da história da Holanda. E foi naquela época, entre as décadas de sessenta e setenta, que o Feyenoord conquistou a maioria – seis – dos seus troféus. Na lista histórica, está atrás do PSV (23) e do Ajax (33). No período de seca, venceu apenas duas Copas da Holanda e mal conseguiu brigar pelo título da Eredivisie, com apenas três vice-campeonatos, em 2000/01, 2011/12 e 2013/14.

Depois de tanto tempo, o jejum não poderia ser quebrado sem sua dose de simbolismo. Começa no banco de reservas, onde senta Giovanni van Bronckhorst, que começou e encerrou sua carreira de jogador no Feyenoord. Foi também no time de Roterdã que o ex-lateral-esquerdo deu os primeiros passos como treinador. Primeiro, como assistente de Ronald Koeman. Depois, de Fred Rutten. E, então, como técnico principal. Na sua primeira temporada, foi terceiro lugar, a milhas de distância dos dois líderes. Na sua segunda, foi campeão.

Difícil apontar falhas na campanha. O Feyenoord não perdeu no De Kuip, com 15 vitórias e dois empates. Sofreu apenas quatro derrotas e, com 86 gols, tem o melhor ataque do torneio. Arrancou para o título com nove triunfos nas nove primeiras partidas. Depois de tropeçar quatro vezes em cinco rodadas, emendou outra sequência de vitórias, agora de dez, para ficar muito próximo do título, que poderia ter sido selado com antecedência, não fosse a ascensão do Ajax, que termina a Eredivisie com apenas uma derrota nos 17 jogos finais.

O primeiro match point foi desperdiçado no fim de semana passado, com a derrota por 3 a 0 para o Excelsior. O Feyenoord entrou em campo contra o Heracles com apenas um ponto de vantagem e  sabendo que não poderia vacilar – e não poderia mesmo, já que o Ajax passeou contra o Willem II. O que a equipe mais precisava era calma e experiência. E por que não mais uma boa dose de simbolismo? Dirk Kuyt, 36 anos, capitão e ídolo, foi titular, depois de três jogos no banco de reservas, e precisou de apenas 12 minutos para resolver a parada.

Até menos do que isso, na verdade. Aos 38 segundos, já havia colocado a bola nas redes, aproveitando uma falha da defesa do Heracles. Aos 12, ampliou a contagem, de cabeça, em belo cruzamento de Elia, e manteve a apaixonada torcida do Feyenoord em festa durante os nervosos minutos restantes no cronômetro do árbitro. Mas quem esperou 18 anos poderia esperar mais uma hora para finalmente gritar campeão. E gritou, de vez, quando Kuyt marcou seu terceiro, de pênalti, já nos minutos finais da última rodada da Eredivisie.

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Comemoração

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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