Em 18 meses trabalhando na Bundesliga, Julian Nagelsmann já apresentou virtudes suficientes para ser considerado um dos treinadores mais promissores do mundo. Efetivado no time principal para salvar o Hoffenheim do rebaixamento, o comandante não só cumpriu a missão, como na temporada seguinte levou os alviazuis a uma inédita classificação à Liga dos Campeões. Mais do que isso, sua equipe apresentou um futebol ofensivo, de muita intensidade e ousadia nas variações. Feitos que, merecidamente, renderam a ele o prêmio de melhor técnico da Alemanha – e tudo isso antes de completar 30 anos. Com o moral elevado, o fenômeno agora esboça uma pequena revolução tecnológica na preparação à próxima temporada: o chamado “Videowall”.

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Nesta semana, um telão de seis metros de largura por três de altura, composto por painéis de LED, foi instalado ao lado de um dos campos no centro de treinamentos do Hoffenheim. O equipamento conta com o auxilio de duas câmeras posicionadas atrás dos gols, assim como de outras duas localizadas na lateral do campo, próximas à linha central. Através de um tablet, Nagelsmann pode controlar as imagens exibidas na TV gigante. Assim, consegue mostrar a todos o posicionamento do time e corrigir erros durante as sessões táticas.

“Se o sistema der certo, nós podemos deixar os jogadores em suas posições durante a maioria dos treinos de situações de jogo, ainda mostrando soluções em tempo real.  Quando eu paro uma cena, tenho a oportunidade para desenhar minhas soluções e sugerir as melhorias, tudo através do iPad”, afirmou Nagelsmann, em entrevista ao site oficial do clube. Nos tempos em que era auxiliar de Thomas Tuchel no Augsburg, o prodígio trabalhava justamente como analista de vídeo. O desenvolvimento do conceito do Videowall foi feito em parceria com Raffael Hoffner, coordenador do setor de inovação tecnológica do Hoffenheim.

De certa maneira, Nagelsmann moderniza uma ideia que Marcelo Bielsa apresentou em seus tempos de Olympique de Marseille: o carinhosamente chamado ‘Bielsamóvel’. O carrinho de golfe adaptado possuía uma câmera de alta definição, através da qual o argentino filmava os treinos. Além disso, também carregava um computador e uma televisão, para El Loco explicar os seus conceitos. Tinha de lambuja uma lousa tática, tornando as lições ainda mais visuais. Todavia, em termos de abrangência do didatismo e evolução tecnológica, o alemão está um passo à frente.

Por enquanto, a estrutura de apoio do Hoffenheim ainda é provisória. Passará por uma semana de testes, para ver como suporta as mudanças climáticas no CT e se todos os jogadores conseguem visualizar facilmente o telão do ponto onde estarão no campo. Caso a solução encontrada por Nagelsmann se mostre mesmo efetiva, o clube irá investir ainda mais na tecnologia, tornando-a permanente.

Nos últimos anos, especialmente desde a efetivação de Nagelsmann, o Hoffenheim se coloca como um clube de vanguarda na questão tecnológica. A equipe alemã  se tornou adepta do Footbonaut, uma sala de simulação onde os jogadores podem trabalhar sua precisão e seu tempo de reação, desenvolvida pelo Borussia Dortmund nos tempos de Jürgen Klopp. Também há o Helix, outro simulador que serve testa a visão periférica dos atletas, usado desde as categorias de base. Como feito pela seleção alemã rumo à Copa de 2014, os alviazuis ainda desenvolveram um aplicativo interno para os celulares de todos os seus membros, em que os jogadores recebem informações dos adversários e podem se comunicar diretamente com a comissão técnica. E existem soluções mais básicas, como o chip colocado nas meias que recolhe informações em tempo real durante os jogos. Vale lembrar que o dono do Hoffenheim, Dietmar Hopp, é também cofundador da SAP, uma das maiores empresas de software do mundo. Inovação não é um problema.