Ninguém sabe ainda qual será o futuro do futebol, nem quando será possível ver novamente a bola rolando, mas o ex-presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, acredita que isso trará consequências que mudarão o esporte. Aos 68 anos, o dirigente é presidente de honra do clube bávaro, e falou sobre o isolamento para prevenção da transmissão do novo coronavírus e de como isso pode impactar o futebol depois que a crise passar.

“Os políticos na Alemanha estão fazendo um trabalho sensacional”, afirmou o dirigente em entrevista à revista Kicker, que está cumprindo o isolamento social na sua casa. “Solidariedade deve ser vivida, não apenas falada”, afirmou ainda o ex-presidente do Bayern. “Se trata de vidas humanas, então todos deveriam aderir às regulamentações propostas”.

A Bundesliga foi parada no dia 13 de março, com prazo de suspensão até o dia 30 de abril. O adiamento inicialmente era até o dia 2 de abril, mas foi estendido até o dia 30. Ainda se acredita que será possível voltar a jogar em maio, mas já admite que, se isso for mesmo possível, deve ser feito com portões fechados.

“Mesmo jogos sem público garantem a distribuição do dinheiro de TV, e, se isso funcionar, não haverá um problema para terminar a temporada 2019/20”, opinou o dirigente. Hoeness acredita que há um risco de não termos jogos até o Natal e isso ameaçaria toda a existência da liga. “Qualquer um que diga que pode fazer previsões sobre uma possível data para a volta dos jogos são charlatões”, afirmou.

O ex-presidente do Bayern também comentou que a pandemia do coronavírus deve deixar sequelas no futebol. Para ele, a situação atual não só é um perigo, mas também uma oportunidade que “as coordenadas possam ser um pouco mudadas”. E com isso, ele acredita que não veremos mais o que aconteceu nas transferências de Neymar para o PSG, por exemplo, por algum tempo.

“Não dá para prever, mas eu não consigo imaginar transferências de € 100 milhões em um futuro próximo. Os valores das transferências cairão, os valores não poderão acontecer no nível anterior dos últimos dois ou três anos. Porque todos os países são afetados. Muito provavelmente haverá um novo mundo do futebol”, afirmou Hoeness.

Neymar foi contratado por € 222 milhões em 2017, um recorde que não foi mais batido. A transferência, porém, fez com que os preços dos jogadores subissem muito, em média. A primeira transferência de € 100 milhões, ainda que não reconhecida pelo clube, foi a de Gareth Bale, em 2013. O Real Madrid pagou € 101 milhões, segundo o Transfermarkt.

Depois, o mesmo patamar nominal só foi ultrapassado na transferência de Paul Pogba, € 105 milhões, da Juventus para o Manchester United em 2016. Desde então, vimos mais transferências que passaram dos € 100 milhões: Kylian Mbappé (€ 180 milhões no total), Philippe Coutinho (€ 145 milhões + variáveis), João Félix (€ 126 milhões), Ousmane Dembélé (€ 125 milhões), Antoine Griezmann (€ 120 milhões), Cristiano Ronaldo (€ 117 milhões), Eden Hazard (€ 100 milhões). Outros jogadores chegaram perto desse patamar, mas não alcançaram o valor nominal.

Considerando que os clubes voltarão às atividades com problemas de receita, é mesmo bastante possível que tenhamos valores mais modestos para que as coisas se encaixem. Mas isso, assim como uma data de retorno da bola rolando, é completamente incerto.