Em novembro, a Hungria inaugurou a Puskás Arena, a nova casa da seleção nacional. O estádio, com capacidade para 67 mil torcedores, recebeu um amistoso contra o Uruguai na ocasião e deveria servir de sede à Euro 2020. O torneio acabou adiado, mas o local pôde abrigar sua primeira partida oficial nesta quarta-feira – e para coroar um campeão simbólico. Clube no qual Ferenc Puskás iniciou sua carreira e viveu as maiores glórias antes de deixar Budapeste, o Honvéd conquistou a Copa da Hungria. Foi o primeiro título dos rubro-negros no torneio desde 2009.

A Hungria é um dos raros países que permitiram a volta do público neste momento de pandemia – com 534 mortes registradas e 1,2 mil casos ativos no momento, mas a curva em desaceleração. As autoridades sanitárias orientam medidas de proteção, mas ainda assim 10 mil torcedores puderam estar presentes na Puskás Arena. No entanto, como era de se imaginar, o distanciamento social não foi exatamente uma realidade nesta final. A torcida do Honvéd se concentrou principalmente atrás de um dos gols e não evitou a aglomeração na celebração.

Em sua caminhada até a decisão, o Honvéd eliminou na semifinal o MTK Budapeste, tradicional concorrente no auge do futebol magiar. Já a decisão aconteceu contra o Mezökövesdi, clube de uma cidade com 16 mil habitantes que passou a frequentar a elite nesta década e cumpre boa campanha no Campeonato Húngaro. Pela situação na tabela, com o Honvéd em posição intermediária, os pequeninos até poderiam ser colocados como favoritos. Todavia, a camisa pesou e os rubro-negros conquistaram a vitória por 2 a 1 na Puskás Arena.

O Honvéd anotou o primeiro gol aos 33 minutos, em lance brigado na área, até que Ivan Lovric concluísse. László Pekár empatou logo depois, em cobrança de falta que o goleiro aceitou. Já o tento definitivo veio em erro da zaga do Mezökövesdi. Depois que a bola pipocou na área, Djordje Kamber desviou de cabeça e definiu a conquista da antiga potência.

Fundado como Kispest em 1909, o Honvéd se tornou uma força na virada dos anos 1940 para os 1950. O clube já tinha Puskás e József Bozsik entre seus destaques, quando passou a ser fomentado pelo exército para servir como base à seleção húngara. Foram cinco títulos do Campeonato Húngaro entre 1950 e 1955, até que o elenco se desfizesse com a fuga da maioria dos craques, após a invasão soviética para reprimir a Revolução Húngara de 1956. Os rubro-negros voltariam a atravessar um período vitorioso nos anos 1980, mas ficaram 24 anos sem faturar a liga até a reconquista em 2017. Já na Copa da Hungria, são oito taças.