História: Todos os representantes da Ligue 1 que alcançaram as semifinais da Champions

Por Leandro Stein

O Monaco faz história na Liga dos Campeões. Pela primeira vez desde 2010, um clube do Campeonato Francês alcança as semifinais da competição continental. Não acontecia desde o Lyon, que parou diante do Bayern de Munique naquele ano. Além disso, os alvirrubros se transformam nos representantes da Ligue 1 com mais aparições entre os quatro melhores da copa europeia, desde 1955/56. Agora os monegascos são quatro vezes semifinalistas, uma a mais que o Olympique de Marseille – que, por sua vez, possui um título no currículo.

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Os sucessos franceses na Champions não são tão constantes, mas acabaram marcando equipes históricas. Sobretudo na década de 1990, com sete aparições nas semifinais, o peso da Ligue 1 no cenário europeu era inegável. Abaixo, relembramos cada um dos representantes do país (incluindo aí o Monaco, por mais que faça parte de seu próprio principado) que se colocaram ao menos entre os quatro melhores da principal competição do continente, detalhando as campanhas.

Monaco

1993/94, 1997/98 e 2003/04

O Monaco somou cinco participações no antigo formato da Copa dos Campeões. Nunca teve muito sucesso. A melhor campanha parou nas quartas de final: sob as ordens de Arsène Wenger, os monegascos foram eliminados por uma derrota em casa para o Galatasaray. E, no papel, os alvirrubros eram até mais fortes que os turcos. Entre os nomes mais conhecidos estavam George Weah, Patrick Battiston, Manuel Amoros, Mark Hateley, Glenn Hoddle e Jean-Luc Ettori. A nova chance veio apenas em 1993/94, herdando a vaga do Olympique de Marseille, que teve o seu título revogado e foi rebaixado por manipulação de resultados.

Aquele Monaco de Wenger não teve o mesmo sucesso na liga nacional do que a geração anterior. Ainda assim, demonstrou um caráter imenso na competição continental. Superou AEK Atenas e passou por cima do Steaua Bucareste para chegar à fase de grupos. Naquela única edição da Champions, os dois primeiros colocados de cada chave avançavam às semifinais. Os alvirrubros não foram páreos ao Dream Team do Barcelona, perdendo os dois jogos contra os comandados de Johan Cruyff. No entanto, fizeram a sua parte diante de Galatasaray e Spartak Moscou. O problema era que o regulamento não foi tão amigável: a semifinal era em jogo único, na casa do time de melhor campanha. Os monegascos não tiveram vez na visita ao San Siro, derrotados pelo futuro campeão Milan por 3 a 0. Fim do sonho para uma equipe bastante digna, estrelada por Jürgen Klinsmann, Enzo Scifo, e Youri Djorkaeff, na qual também despontavam os jovens Lilian Thuram, Emmanuel Petit e Viktor Ikpeba.

O Monaco voltou à Champions em 1997/98, agora sim como campeão francês. Muita coisa havia mudado no principado, com o time sob as ordens de Jean Tigana. Ikpeba era a referência da campanha anterior, em meio a tantas caras novas: Fabien Barthez e John Collins acrescentavam experiência, embora os destaques fossem mesmo os jovens estourando, sobretudo Thierry Henry e David Trezeguet. A fome de gols dos novatos foi importante para que os alvirrubros terminassem na primeira colocação de sua chave, à frente do Bayer Leverkusen graças ao saldo de gols. Nas quartas de final, os dois empates contra o Manchester United foram suficientes. Após o 0 a 0 no Louis II, Trezeguet acertou uma bomba que valeu a classificação no 1 a 1 em Old Trafford. Já nas semifinais, não deu para competir com a Juventus. Com tripleta de Alessandro Del Piero e Zinedine Zidane fechando a conta, os bianconeri encaminharam a vaga à final com os 4 a 1 em Turim. Já na volta, ao menos os monegascos triunfaram por 3 a 2 em casa.

Por fim, após a queda na fase de grupos em 2000/01, o Monaco atingiu seu maior sucesso em 2003/04. Os jogadores sob as ordens de Didier Deschamps não tinham o cartaz das outras campanhas. Independentemente disso, os alvirrubros jogaram muita bola para chegar à final. Passaram na liderança da fase de grupos, à frente de Deportivo de La Coruña, PSV e AEK Atenas. Nas oitavas, os gols de Fernando Morientes e Dado Prso valeram ouro diante do Lokomotiv Moscou. O triunfo mais impactante veio nas quartas, deixando pelo caminho os Galácticos do Real Madrid. Zidane, Figo e Ronaldo marcaram nos 4 a 2 do Bernabéu, com um gol de Morientes aos 38 do segundo tempo que seria fundamental. O centroavante voltaria a marcar contra o ex-time no Louis II, em noite estrelada por Ludovic Giuly, autor de dois tentos. Após surpreender o Arsenal, o Chelsea foi o desafio nas semifinais. A vitória por 3 a 1 no principado deu tranquilidade aos monegascos, buscando o empate por 2 a 2 em Stamford Bridge ao tomarem dois tentos. Até o trauma diante do Porto em Gelsenkirchen. Muito abaixo de seu potencial, o Monaco terminou engolido pelos comandados de José Mourinho, com os 3 a 0 no placar.

A partir de então, o Monaco voltou à Champions mais quatro vezes. Em duas, caiu ainda nas preliminares. Nas demais, apareceu ao menos nos mata-matas, eliminado pelo PSV nas oitavas de 2005 e pela Juventus nas quartas de 2015. Agora, possui um time melhor que estes últimos e talvez até mais empolgante que nos sucessos anteriores rumo às semifinais. As esperanças é que pelo menos repita 2004, contando com talentos que esperam eclodir como as outras promessas surgidas na década de 1990.

Olympique de Marseille

1989/90, 1990/91 e 1992/93

Pelo título no currículo, o Olympique de Marseille deve ser colocado como a maior potência da França na história da Champions. Bernard Tapie investiu alto na montagem de um timaço e os resultados começaram a aparecer a partir de 1988/89, como o início do tetracampeonato nacional – que seria um penta, não fosse o escândalo de manipulação de resultados que retirou o título de 1992/93 e rebaixou os celestes. Mas, enquanto a bomba ainda não tinha estourado, os marselheses se colocaram como um dos principais concorrentes à orelhuda. Montaram um elenco temível e recheado de craques, capaz de bater com outras tantas forças da época. Substituindo Gérard Gili, o técnico Raymond Goethals foi o principal responsável pelos sucessos. Administrou diversas estrelas ao longo do período, incluindo Jean-Pierre Papin, Abedi Pelé, Chris Waddle, Mozer, Basile Boli, Manuel Amoros, Dragan Stojkovic, Fabien Barthez, Marcel Desailly, Didier Deschamps, Alen Boksic, Rudi Völler, Jean Tigana, Enzo Francescoli, Karlheinz Förster, Eric Cantona, Igor Dobrovolski, François Omam-Biyik, Rafael Martín Vázquez, Jocelyn Angloma e ainda outros.

Após 17 anos de ausência, o Marseille voltou a entrar em campo pela Copa dos Campeões em 1989/90. Logo mostrou seu potencial, chegando às semifinais. Deixou pelo caminho o Brondby (de Peter Schmeichel), o AEK Atenas e o CSKA Sofia (de Hristo Stoichkov, Emil Kostadinov e Trifon Ivanov). O problema foi bater de frente com o Benfica nas semifinais. Apesar da derrota por 2 a 1 no Vélodrome, o gol fora de casa acabou sendo bastante útil aos encarnados. Liderados por Valdo e Aldair, venceram por 1 a 0 no Estádio da Luz, com o angolano Vata balançando as redes aos 38 do segundo tempo, graças a um toque de mão descarado. Se serviu de consolação, ao menos Papin dividiu a artilharia com Romário.

A nova tentativa do Olympique de Marseille aconteceu logo na temporada seguinte. O título não veio mais uma vez, mas os celestes deram um passo à frente, alcançando a decisão. Deixaram pelo caminho Dinamo Tirana e Lech Poznan, até a classificação histórica sobre o Milan nas quartas de final, encerrando a hegemonia do então bicampeão europeu. Após Ruud Gullit abrir o placar no San Siro, Papin determinou o empate por 1 a 1. Já o reencontro no Vélodrome foi cercado de polêmica. Chris Waddle decretou a vitória por 1 a 0 aos 27 do segundo tempo, com um lindo chute cruzado. Nos acréscimos, contudo, dois dos quatro refletores do estádio se apagaram. Os rossoneri deixaram o campo em protesto e a classificação dos marselheses foi confirmada. Nas semifinais, não tomara conhecimento do Spartak Moscou, com duas vitórias sobre a equipe de Igor Shalimov, Valeri Karpin e Aleksandr Mostovoi. A final tensa contra o Estrela Vermelha, todavia, não saiu do zero em 120 minutos de bola rolando. Os iugoslavos triunfaram nos pênaltis, consagrando Savicevic, Pancev, Mihajlovic, Prosinecki, Belodedici e Jugovic.

O Olympique decepcionou na Copa dos Campeões de 1991/92, caindo nas oitavas de final para o Sparta Praga. Os tchecos avançaram graças aos gols fora de casa. A volta por cima, de qualquer maneira, não poderia ser mais contundente, com o título de 1992/93. Os celestes eliminaram Glentoran e Dinamo Bucareste até a fase de grupos. Precisando liderar a chave para se garantir na final, a equipe não sofreu uma derrota sequer, com três vitórias e três empates. Cruzara com o Club Brugge, o Rangers e o CSKA Moscou. Já na final, o Milan de Fabio Capello teve sua chance de revanche no Estádio Olímpico de Munique – de tão boas lembranças a Marco van Basten, ausente nos duelos de dois anos antes. Mas, desta vez, o herói seria Basile Boli, subindo mais que Frank Rijkaard e completando o escanteio cobrado por Abedi Pelé. A reconquista rossonera viria apenas no ano seguinte, já sem os marselheses pelo caminho. O suborno de Tapie na Ligue 1 foi a ruína de um time que poderia ter rendido mais e, depois do título, só voltou à Champions em 1999/00.

Stade de Reims

1955/56 e 1958/59

Qualquer lista com os maiores times que não conquistaram a Copa dos Campeões precisa incluir o Stade de Reims. É consenso que os alvirrubros contavam com um dos maiores esquadrões da década de 1950, dominantes em seu país e vencedores da Copa Latina em 1953, competição precursora da própria Champions. Uma pena que a equipe cruzou duas vezes com um Real Madrid que conseguiu ser ainda maior e, de certa forma, também com um inesquecível Brasil nas semifinais da Copa do Mundo – considerando que o clube da região de Champanhe formava a base da França que terminou na terceira colocação do Mundial de 1958. O elenco sofreu algumas modificações ao longo do período, mas a lista de jogadores célebres é recheada: Raymond Kopa, Just Fontaine, Robert Jonquet, René Bliard, Jean Vincent, Roger Piantoni, entre outros. À beira do campo, o mentor de tantas feras era Albert Batteux.

Na primeira edição da Champions, sob a maestria de Raymond Kopa, o Reims começou eliminando o Aarhus, da Dinamarca. Sua grande vitória aconteceu nas quartas de final, diante do Vörös Lobogó, principal rival do Honvéd na Hungria – e que, naquele momento, Mihály Lantos, Péter Palotás e Nándor Hidegkuti entre seus destaques. Os franceses ganharam a ida, no Parc des Princes, em um concorrido 4 a 2. Já no reencontro em Budapeste, prevaleceu o emocionante 4 a 4, assegurando a classificação. Os alvirrubros não tomaram conhecimento do Hibernian, com duas vitórias nas semifinais. Já a decisão foi jogada em casa, no Parc des Princes. O time de Albert Batteux chegou a abrir dois gols de vantagem, mas tomou a virada e acabou perdendo por 4 a 3. Sob a batuta de Alfredo Di Stéfano, o Real Madrid se sagrava o primeiro campeão continental.

De volta à Copa dos Campeões em 1958/59, o Stade de Reims sofrera algumas modificações. Nomes tarimbados como Kopa, Michel Hidalgo, Léon Glowacki e Jean Templin deixaram o clube. Mas não dava para menosprezar a nova linha de frente, agora estrelada por Fontaine e Piantoni. O Reims começou atropelando os norte-irlandeses do Ards e os finlandeses do HPS. Tiveram um pouco mais de trabalho para derrubar o Standard de Liège nas quartas, mas Fontaine resolveu. Já nas semis, a vítima foi o Young Boys, que até venceu o primeiro jogo na Suíça, mas acabou implodido na visita a Paris. A revanche contra o Real Madrid aconteceu em Stuttgart, agora com Kopa do outro lado. E os merengues se impuseram mais uma vez, com o triunfo por 2 a 0, gols de Mateos e Di Stéfano. O Stade de Reims participaria de mais duas edições da Champions até o início dos anos 1960, mas não passou das quartas de final.

Saint-Étienne

1974/75 e 1975/76

Maior campeão da Ligue 1, com dez títulos erguidos entre as décadas de 1950 e 1980, o Saint-Étienne construiu sua reputação na Copa dos Campeões durante os anos 1970. Historicamente, o time tetracampeão nacional entre 1967 e 1970 tem um significado maior para os Verdes. Contudo, sempre pegou pedreiras e não conseguiu passar das fases iniciais da Champions. Sucesso maior aconteceu com os tricampeões franceses, de 1974 a 1976, quando o clube se colocou duas vezes entre os quatro melhores da Europa, chegando ao vice-campeonato em 1975/76. O problema do time de Robert Herbin era ver o Bayern de Munique pela frente. Em ambas as ocasiões, os tricampeões europeus foram os carrascos – de certa forma, em vingança pela eliminação em 1969/70. Faltava um degrau para o ASSE bater de frente com o esquadrão de Franz Beckenbauer e Gerd Müller, por mais que qualidade não fosse problema – entre os seus destaques, estavam o goleiro Ivan Curkovic, o artilheiro Hervé Revelli, o meia Georges Bereta e o xerife Osvaldo Piazza, além de diversos jogadores com Copas do Mundo no currículo, como Gérard Janvion, Christian Lopez, Dominique Bathenay e Dominique Rocheteau.

Na primeira campanha até as semifinais, em 1974/75, o Saint-Étienne superou Sporting, Hajduk Split e Ruch Chorzów, em trajetória marcada pelas viradas. Os Verdes chegaram a perder por 4 a 1 dos iugoslavos, mas enfiaram 5 a 1 na volta em casa (com um tento na prorrogação), enquanto reverteram a derrota por 3 a 2 na visita à Polônia com o triunfo por 2 a 0 na França. Já nas semifinais, após o empate sem gols no Geoffroy-Guichard, o Bayern se responsabilizou pela eliminação com os 2 a 0 em Munique.

O ASSE buscaria dar a volta por cima na temporada seguinte. Avançou com ainda mais propriedade: passou pelo KB, da Dinamarca, nos 16-avos de final, antes de eliminar o Rangers. Já nas quartas de final, após a derrota na Ucrânia por 2 a 0, anotaram 3 a 0 em casa sobre o Dynamo Kiev – então campeão da Copa da Uefa e da Supercopa Europeia, além de contar com Oleg Blokhin, vencedor da Bola de Ouro em 1975. Nas semifinais, bateram o PSV protagonizado pelos gêmeos Van de Kerkhof. Até a derrota em Glasgow na decisão, com Franz Roth garantindo o 1 a 0 e o tri do Bayern. Em 1976/77, o Saint-Étienne alcançou as quartas de final, superado pelo campeão Liverpool.

Bordeaux

1984/85

O Bordeaux era uma das principais bases da seleção francesa em seus grandes momentos nos anos 1980. Foram cinco jogadores cedidos na conquista da Euro de 1984, com o talento concentrado no meio de campo, especialmente pela maestria de Jean Tigana e Alain Giresse. Campeões da Ligue 1 graças à vantagem no saldo de gols perante o Monaco, os girondinos colocaram o pé na porta em sua estreia na competição continental e protagonizaram a melhor campanha do país naquela década.

A primeira prova de força veio nos 16-avos de final, eliminando o Athletic Bilbao, então bicampeão espanhol. A classificação veio graças ao jogaço no Chaban Delmas, com triunfo por 3 a 2 dos anfitriões, com Patrick Battiston, Bernard Lacombe e Dieter Müller balançando as redes de Andoni Zubizarreta. Na volta, o empate por 0 a 0 em San Mamés foi suficiente. Na sequência, o Bordeaux derrubou o Dinamo Bucareste na prorrogação, enquanto superou nos pênaltis um time fortíssimo do Dnipro. O pesadelo veio nas semifinais, contra a poderosa Juventus de Michel Platini, tão conhecido por muitos de seus jogadores. A Velha Senhora fez 3 a 0 em Turim, embora os franceses tenham caído dignamente com a vitória por 2 a 0 em casa, sobre os futuros campeões. No banco, o técnico era Aimé Jacquet, que na década seguinte levaria os Bleus ao título mundial.

Paris Saint-Germain

1994/95

Com a decadência do Olympique de Marseille após seus escândalos, o Paris Saint-Germain assumiu o topo do Campeonato Francês e pegou para si as credenciais de time a ser temido na Liga dos Campeões. Pudera: o elenco de Luis Fernández era recheado de grandes nomes. Ricardo Gomes e Bernard Lama serviam de referências na defesa. Já do meio para frente, muito talento e qualidade técnica com Raí, George Weah, David Ginola e Valdo. Os parisienses não tomaram conhecimento do húngaro Vác na fase preliminar. Só uma prévia do que fariam em seu grupo.

O PSG ganhou todos os seus seis compromissos em uma chave que também contava com Bayern de Munique, Spartak Moscou e Dynamo Kiev. Destaque para o triunfo por 1 a 0 na Alemanha, com Weah imparável, entortando três marcadores antes de soltar uma bomba para decretar o sucesso. Nas quartas de final, os franceses superaram outra pedreira. Empataram por 1 a 1 com o Barcelona de Johan Cruyff no Camp Nou, antes da virada inesquecível por 2 a 1 no Parc des Princes, com tentos de Raí e Vincent Guérin. O esquadrão só não foi mesmo páreo ao Milan, com duas derrotas para os então campeões nas semifinais. De qualquer maneira, a façanha daqueles tempos segue inalcançável ao clube, mesmo com os milhões catarianos jorrando nos cofres. Entre 1993 e 1997, os parisienses chegaram a cinco semifinais continentais consecutivas (uma da Champions, uma da Copa da Uefa e três da Recopa), além de terem erguido a taça da Recopa em 1996.

Nantes

1995/96

O Nantes campeão em 1995 possui uma das equipes mais respeitadas da história do futebol francês. O time ultraofensivo encantava por seu futebol de jogadas verticais e muitos golaços. Os auriverdes primavam pelos passes arriscados, de primeira, mas que proporcionavam também belíssimas tramas. Após uma das melhores campanhas da história da Ligue 1, a equipe de Jean-Claude Suaudeau chegou bastante credenciada à Champions. Após perder alguns jogadores importantes, como Christian Karembeu e Patrice Loko, não conseguiu exercer a mesma dominância. Ainda assim, foi longe.

Os Canários passaram na segunda colocação de sua chave, atrás do Panathinaikos, mas à frente do Porto. Eliminaram nas quartas de final o Spartak Moscou, único time com 100% de aproveitamento na fase de grupos. E venderam caro a eliminação para a futura campeã Juventus nas semifinais. Vladimir Jugovic e Gianluca Vialli anotaram os gols nos 2 a 0 em Turim. Já na França, o triunfo por 3 a 2 não foi suficiente. Cabe ponderar, no entanto, que dois dos principais destaques se ausentaram no jogo de ida: Claude Makélélé e o camisa 10 Japhet N’Doram.

Lyon

2009/10

O Lyon já tinha atravessado momentos melhores em sua história recente. Em 2008/09, o Bordeaux interrompeu o que poderia ter sido o oitavo título consecutivo dos Gones na Ligue 1. Entretanto, o clube deu seu maior salto na Liga dos Campeões justamente quando não tinha mais a taça nacional – nos anos anteriores, caíra por três vezes nas quartas de final. A campanha de 2009/10 começou ainda nas preliminares, amassando o Anderlecht. Depois, os franceses terminaram na segunda colocação de uma chave liderada pela Fiorentina, na qual deixaram o Liverpool para trás. Já o grande momento veio nas oitavas de final, eliminando o Real Madrid de Manuel Pellegrini.

Jean Makoun determinou a surpreendente vitória no Gerland, antes que Miralem Pjanic buscasse o empate por 1 a 1 no Bernabéu aos 30 minutos do segundo tempo, em gol que garantiu o feito. Nem mesmo Kaká e Cristiano Ronaldo do outro lado impediram o fracasso merengue. Nas quartas de final, o time de Claude Puel se vingou do Bordeaux. Só não conseguiu ser páreo ao Bayern de Munique nas semifinais, derrotados nas duas partidas. Além dos nomes citados, entre os destaques apareciam também Hugo Lloris, Cris, Kim Källström, Michel Bastos, Jérémy Toulalan e Lisandro López.