Higuaín viveu uma noite irrefutável na Champions, decisivo para a Juventus


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Gonzalo Higuaín já tinha sido protagonista da Juventus no empate por 2 a 2 contra o Tottenham em Turim, no primeiro confronto pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Anotou dois gols no ótimo início de jogo dos bianconeri. Porém, parece que não existe citação ao argentino sem que muitos apontem um “mas”. E, de fato, a ponderação naquela partida aconteceu, com um pênalti que estalou o travessão quando poderia ter rendido o terceiro tento. O questionamentos, de qualquer maneira, não podem mascarar os predicados do centroavante. Sobretudo quanto ao seu poder de conclusão. Nesta quarta, a classificação da Juve passa pelos pés de Higuaín. Sem qualquer contraponto, resolveu no momento preciso e leva o time à próxima fase da Champions.

Em um primeiro tempo apagado da Juventus, Higuaín pouco apareceu. Seu time, como um todo, era nulo ofensivamente e o centroavante raras vezes pegou na bola. Foi acionado um pouco mais antes do intervalo, mas nada contundente. Nada necessário, diante das dificuldades enfrentadas pelos bianconeri. O duelo mudou a partir da segunda etapa. Especialmente, a partir das alterações da Juventus. Paulo Dybala, outro abaixo da crítica até então, passou a se movimentar mais e a buscar o jogo. A combinação perfeita ao camisa 9, pronto para fuzilar.

O primeiro gol, em jogada iniciada por Dybala lá na lateral direita, contou com a tarimba de Higuaín como atacante. Sem ser acompanhado pela zaga do Tottenham, acreditou no desvio de Sami Khedira e se projetou livre na pequena área. Estava fácil. E ficou ainda mais fácil pela inteligência do camisa 9 na conclusão, escorando com a parte de fora do pé, para mandar longe do alcance de Hugo Lloris. Então, veio a melhor parte. O grande lance do argentino na noite. Primeiro, se antecipou à marcação para receber o passe de Giorgio Chiellini. Girou para cima de Davinson Sánchez. Percebeu a passagem de Dybala ocupando seu vácuo, em combinação possível graças à leitura de jogo e ao entrosamento. Então, o centroavante trocou de papéis e deu uma enfiada de bola primorosa ao companheiro, que não perdoou. A virada saiu em apenas três minutos.

Higuaín não jogou o tempo todo em Wembley, substituído por Stefano Sturaro para que Massimiliano Allegri fechasse a sua defesa. Extenuado também pelo que se doou sem a bola, merecia as congratulações. Não começou bem, mas se esforçou e se recuperou. Brilhou, em jogadas que exigiram de seu ofício como centroavante e do algo a mais que se pede aos grandes jogadores. Em um confronto de tanto peso na Liga dos Campeões, o argentino não deu brechas para o “mas”. O reconhecimento é necessário.

Higuaín ainda tem seus questionamentos? Sim. Mas a maneira de rebatê-los se dá em campo. E, neste momento, ele se fortalece na queda de braço com os críticos. São nove gols e uma assistências nas últimas seis aparições como titular. Em forma e concentrado, pode desequilibrar muitas vezes. Sim, ele será lembrado pelos lances fatais com a seleção argentina, não há como borrar o passado. Mas isso não pode contaminar a visão sobre as virtudes do camisa 9. Dentro da área, ele cumpre sua missão quase sempre. Fora dela, também contribui. Merece um pouco mais de respeito por aquilo que tem protagonizado no futebol italiano durante as últimas temporadas. Sem dúvidas, a Juventus é ainda mais forte com seus gols. E, com a confiança de Jorge Sampaoli, terá uma nova chance de se redimir com a albiceleste, por mais que seja difícil.


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