A Argentina chegou à final da Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil, e ficou muito perto de conquistar mais um título. Campeã em 1978 e em 1986, os argentinos ainda chegaram à decisão em 1990. Em 2014, os albicelestes tiveram chances, não aproveitaram e acabaram perdendo por 1 a 0 para a Alemanha, na prorrogação. Um dos mais criticados foi Gonzalo Higuaín, o camisa 9.

Higuaín tem uma carreira de sucesso no futebol. Revelado pelo River Plate em 2004, o atacante brilhou pelo time argentino e, em 2007, com 19 anos, se transferiu para o Real Madrid. Ficou seis anos na equipe espanhola, até que foi vendido para o Napoli. Foram mais três anos, até que em 2016 se transferiu para a Juventus, pela sua cláusula de rescisão e com muita polêmica.

Passou rapidamente pelo Milan, em 2018, por empréstimo, pelo Chelsea, em 2019, também rapidamente, e voltou à Juventus em junho de 2019. Ganhou seu espaço no time e vinha sendo titula até a paralisação por causa da pandemia do coronavírus.

Pela seleção, Higuaín foi criticado não só pelo gol perdido na final da Copa do Mundo de 2014, mas também por chances desperdiçadas nas finais da Copa América de 2015 e 2016, ambas perdidas pela argentina para o Chile.

“Eu sempre me arrependi de me trancar e não sair, com medo do que as pessoas possam dizer”, disse o atacante em entrevista ao Marca. “Muitas pessoas dizem, ‘com todo esse dinheiro que você ganhe’, mas você não pode comprar amigos. Eu passei o Natal com pessoas diferentes”.

“Eu quero ver a minha mãe, mas ele tem que voar por 15 horas. É claro, eu posso pagar a passagem para ela, mas não é como se ela estivesse a 10 minutos. As pessoas não veem essas coisas. O que eles veem? Que você coloca a bola no fundo da rede porque é para isso que você é pago. Eu joguei nas melhores ligas, pelos melhores times, em três Copas do Mundo e a Copa América…”, afirmou Higuaín.

“Eu não imaginava nem 10% disso quando eu tinha cinco anos e eu consegui… Por que eu deveria me preocupar com o que as pessoas dizem? Quando eu comecei a entender isso, eu comecei a sair mais e viver mais”, continuou o centroavante argentino.

Em 2014, o atacante perdeu uma chance clara de gol, o que gerou muitas críticas. “Não é fácil te dizerem ‘esse cara não é bom mais, ele é um fracasso, ele não pode jogar futebol’. Isso dói. Sim, é verdade que eu não atingi nosso objetivo, mas ser um fracasso? Chegar a três finais não é fracasso…”, disse o jogador.

“Quem sonhava em jogar futebol quando era pequeno, mas não conseguiu, também fracassou? É uma palavra enorme, mas ei, talvez quem a use não tenha fracassado”, afirmou o atacante da Juventus.

“A chance caiu inesperadamente, eu tive que aproveitá-la e, infelizmente, não consegui aproveitar. Eu fiz a primeira coisa que apareceu na minha mente, eu não sei se eu faria o mesmo agora”, disse Higuaín. “Veio na minha redação e eu estava de costas para o gol. Foi dada por um defensor a 15 metros e, assim que eu me virei, o gol estava na minha frente. Pareceu mais fácil do que foi”.

A Argentina perdeu da Alemanha na prorrogação na final da Copa no Maracanã. A derrota teve um efeito profundo em Pipita, apelido de Higuaín. “Eu estava prestes a parar de jogar, mas minha mãe me disse para continuar. Se dependesse de mim, eu tinha desistido do futebol. É algo que eu amo, mas eu amo mais a minha mãe”, continuou. “Ela disse que ela não me deixaria abandonar o que eu amo por ela”.