Os maiores sucessos da era Roman Abramovich, dono do Chelsea desde 2003, foram baseados em gols de um centroavante. Didier Drogba foi contratado do Olympique Marseille, um ano depois da chegada do russo, e se tornou uma lenda com toneladas de gols e um poder de decisão fora do comum. No entanto, com poucas exceções, a camisa 9 tem sido um problema sério e constante para os Blues.

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Além do marfinense, talvez o único que incontestavelmente deu certo em Stamford Bridge foi Diego Costa. Ainda assim, a passagem do brasileiro acabou sendo mais curta do que se imaginava. O Chelsea investiu em uma série de atacantes que não resolveram o problema ou ficaram abaixo das expectativas, seja porque não eram bons o bastante, porque não tiveram chances, não evoluíram ou estavam em fases ruins das suas carreiras. Anunciado semana passada, Gonzalo Higuaín é o próximo homem que enfrentará esse desafio.

Nesse período, o Chelsea teve algumas apostas, como Alexandre Pato (lembra? eu não lembrava) ou Michy Batshuaiy, e jogadores que apenas compuseram elenco, como Claudio Pizarro, Loic Rémy e, atualmente, Olivier Giroud. A seguir, relembramos um pouco da passagem de alguns centroavantes nos quais o clube depositou sua confiança desde a chegada de Abramovich.

Hernán Crespo: 72J, 25G

Crespo foi uma das primeiras grandes contratações de Abramovich. Custou € 26 milhões para sair da Internazionale, em 2003. A média aproximada de um gol a cada três partidas não é ruim. Mas o argentino não conseguiu encontrar seu melhor futebol e perdeu a briga para Drogba. Foram apenas 13 jogos como titular na sua primeira temporada, antes de retornar à Itália, emprestado ao Milan. Ganhou uma nova chance em 2005/06, e atuou mais. No entanto, foi novamente cedido para um clube italiano, voltando à Internazionale, e nunca mais defenderia os Blues. 

Mateja Kezman: 41J, 7G

Kezman chegou ao Chelsea com a autoridade de quem foi artilheiro do Campeonato Holandês em três das quatro temporadas anteriores. Foi contratado junto com Drogba, mas as trajetórias de ambos se separaram. O sérvio atuou 41 vezes pelos Blues, a maioria como reserva, e marcou apenas sete vezes. Foi embora, em um ano, para o Atlético de Madrid. Pelo menos, não rendeu prejuízo: custou € 7,5 milhões e foi vendido por € 9 milhões.

Andriy Shevchenko: 77J, 22G 

Shevchenko foi contratado por valor recorde para um clube britânico na época. Mas tinha 30 anos e pegou um período ruim do Chelsea, justamente no momento em que a primeira passagem de José Mourinho começava a decair. Conquistou a Copa da Liga na sua temporada de estreia. Na segunda, sofreu com uma lesão no tornozelo, pouco depois de Avram Grant assumir como técnico interino. Não saiu do banco na final da Champions League contra o Manchester United. Com a chegada de Luiz Felipe Scolari, foi emprestado ao Milan. Em seguida, retornou ao Dínamo de Kiev para encerrar a sua brilhante carreira. 

Nicolas Anelka: 184J, 59G

Anelka não foi mal no Chelsea. Tanto que, em quatro anos, chegou perto da marca de 200 partidas com a camisa azul e com frequência foi titular. Ganhou o Campeonato Inglês de 2009/10, com 11 gols em 33 jogos, média exata de um a cada três duelos, a mesma da sua passagem por Stamford Bridge. Mas já chegou ao clube perto dos 30 anos, depois de duas temporadas no Bolton, e em toda sua carreira não foi o jogador que se esperava que fosse.

Fernando Torres: 172J, 45G
Fernando Torres é apresentado pelo Chelsea, em 2011

O Chelsea quebrou novamente o recorde britânico para tirar Fernando Torres do Liverpool. Pelas expectativas, o fracasso foi retumbante. O atacante espanhol havia conquistado Anfield com velocidade, potência física e um faro de gols letal. Nada disso apareceu no seu novo clube. Marcou apenas uma vez nas 18 primeiras rodadas pelos Blues e foi constante alvo de piadas dos torcedores – adversários e do próprio clube. Teve participação importante no título europeu, com o gol contra o Barcelona que selou de vez a vaga na decisão, e conseguiu uma temporada razoável com Rafa Benítez. Mas, sem muita cerimônia, acabou emprestado ao Milan e depois voltou ao Atlético de Madrid.

Romelu Lukaku: 15J, 0G

Atualmente, Lukaku é um dos centroavantes mais renomados do mundo, protagonista de uma contratação milionária do Manchester United. Quando chegou ao Chelsea, do Anderlecht, era uma aposta. Não teve a chance de se provar. Foram apenas 15 partidas e dois empréstimos. Foi bem no West Brom e ainda melhor no Everton, antes de se tornar a esperança de gols dos Red Devils.

Samuel Eto’o: 35J, 12G 
Eto’o, no Chelsea

Eto’o chegou do Anzhi como uma solução provisória, depois da saída de Drogba para a China. Tinha 32 anos quando reencontrou José Mourinho, que voltava ao clube depois da passagem pelo Real Madrid. Era teoricamente uma bola de segurança para o ataque, composto, naquela época, por Fernando Torres e Demba Ba. Foi útil: atuou 35 vezes e marcou 12 gols. Mas não resolveu o problema do time.

Diego Costa: 120J, 58G
Antonio Conte (esq.) cumprimenta Diego Costa (Photo by Clive Rose/Getty Images)

Quem resolveu o problema foi Diego Costa. Contratado do Atlético de Madrid, depois de ajudá-lo a conquistar um título espanhol e chegar à final da Champions League, o brasileiro foi duas vezes campeão da Premier League, com Mourinho e Antonio Conte, marcando 20 gols em cada edição. No entanto, sua passagem acabou sendo abreviada por problemas com o treinador italiano. Voltou para o Atlético de Madrid.

Falcao García: 12J, 1G

A lesão que tirou Falcao García da Copa do Mundo de 2014 prejudicou demais sua carreira. O atacante colombiano demorou anos para reconquistar a confiança, e as suas escolhas não ajudaram. Precisando recuperar ritmo, encontrou poucos minutos no Manchester United. Tentou negócio idêntico com o Chelsea e, mais uma vez, ficou encostado: 12 jogos e um gol, contra o Crystal Palace.

Álvaro Morata: 72J, 24G
Álvaro Morata, do Chelsea (Foto: Getty Images)

Álvaro Morata chegou ao Chelsea com um ponto a provar. Foi bom jogador para o elenco da Juventus e do Real Madrid, mas ainda não havia se destacado como grande goleador. A missão em Stamford Bridge era substituir Diego Costa, decisivo em dois títulos ingleses. Com média de um gol a cada três partidas e muitos erros assustadores, a confiança foi se esvaindo. Com a chegada de Higuaín, foi emprestado ao Atlético de Madrid.